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Recentemente, a imprensa internacional
ocupou-se em noticiar a história de um homem australiano que
voluntariamente estava nos EUA para ter seu braço amputado, e, chamou-me a
atenção, em especial, os motivos alegados para tal decisão. Esta história
começou em 98 quando um sujeito foi escolhido entre muitos amputados de
várias partes do mundo para receber o órgão doado. A equipe médica não
tinha tempo a perder e tudo tinha que ser rápido pelo sucesso do
procedimento. Sujeito escolhido, doador disponível, se deu a cirurgia, que
para a alegria de todos, ocorreu sem qualquer embaraço.
Acontece que esqueceram de informar ao
transplantado (que se pressupunha alegre!) que o braço não era o dele –
embora fosse este apenas um detalhe. O sujeito transplantado, por razões
que a racionalidade não alcança, sentiu-se deprimido com sua nova
condição. Um braço físico e palpável que, segundo ele, funcionava alheio
ao restante de seu corpo. Um novo conflito cujas proporções não foram
previstas pelo rigor científico em procederes matematicamente calculados.
Imagine você caro
internauta, pertencendo a uma equipe médica capaz de decidir sobre a
necessidade alheia, fosse capaz de lhe devolver uma parte do corpo, o
que você faria? Creio que a resposta seja positiva já que a olhos vistos,
a necessidade está claramente identificada, e, o pobre infeliz, tem
esta necessidade. Quanto vale um braço para você? Quanto vale um braço
para a companhia de seguros? Qual o valor de um braço para a equipe médica
responsável por essa cirurgia? Por essas peculiares diferenças se torna
imprescindível que se faça, antes do transplante físico, o transplante do
braço emocional, do braço psicológico, do braço social, do braço
espiritual, enfim, que se identifique e se avalie a profundidade da
amputação e qual a repercussão que este evento pode causar na vida do
sujeito – que necessariamente não é positiva. |