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TERRA / CÉU
Donna Crystal
Eu olho pra terra e sei que ela é viva. Gostaria de saber a composição
fantástica da qual ela é verdadeiramente feita. Como se renova todo o
tempo e por bilhões de anos, contando apenas com a energia solar.
Agasalha em seu “ser” toda a forma embrionária de vida e em seu tempo
estas vidas eclodem, aperfeiçoam e se transformam, dando aparências
diversas e atualizando as formas físicas de acordo com as novas
necessidades de atuação ou adaptação das criaturas com a evolução mental e
criativa.
Como a sua rotina é de alimentar a matéria condutora da energia física,
acredito não ter responsabilidade alguma sobre os progressos
mentais/intelectuais.
Da mesma forma reabsorve a matéria sem a energia vital. Fico imaginando
também que, o fato de sermos bilhões/trilhões ou mais de seres vivos,
gerados e criados em sua superfície, e com certeza retornantes ao seu seio
e em terra nos transformando, como compreender o fato da sua massa (total)
não se alterar e pesar na sua posição no universo?
É fato que tanto a nossa composição física quanto à dos animais é 70%
água, mas a água também é matéria liquida e por mais que se evapore, vai
retornar a terra. E os 30% restantes que é massa, não soma?
Vejo a minhoca como que brotando da terra, olho à minha frente e vejo uma
linda montanha verdejante abrigando centenas de vidas diferentes,
inclusive várias espécies de pássaros. Concluo que minhocas, pássaros e
homens são feitos basicamente da mesma matéria, só as formas se modificam.
Ou ainda, gerados dentro ou fora dela, mesmo que não sejam parecidos
enquanto corpos, em nada serão diferentes ao retornarem a ela.
A pedra, o vidro, o plástico, o cimento, etc., por serem feitos de matéria
extraída da própria terra, é natural que após a sua utilização retornem a
ela. Porém, nós homens e animais não somos gerados em suas entranhas. Que
fantástico! Simplesmente nos alimentamos de tudo que vem de suas
entranhas, por isso não pesamos como massa extra, o equilíbrio é perfeito.
Como tudo que dela descende a ela retorna, como fica a nossa energia
(espírito) após a morte? Será que pensamos que transcende e na realidade é
esta a energia que ela precisa para se renovar em conjunto com o sol?
Não sei se gostei desta idéia, nunca em tempo algum eu havia pensado desta
forma. Pela primeira vez cogito desta possibilidade e devo admitir que me
deu um frio na barriga.
Talvez eu tenha sido tão pretensiosa quanto cega achando que a minha
energia uma vez desligada da matéria se uniria a formas mais sutis e
inteligentes em alguma outra parte do universo. Agora suspeito que corro o
risco de ficar por aqui mesmo.
Deveria pensar que mesmo assim eu seria útil/importante de alguma forma,
mas não estou me sentindo assim diante desta dúvida. Acho que me sentiria
negativamente excluída de tudo aquilo que mais desejo: ser livre como o
vento para percorrer toda a imensidão deste universo desconhecidamente
maravilhoso.
Hoje é outro dia, olho novamente para o mesmo ângulo da mesma montanha e
posso tranqüilamente imaginar que o meu mundo é do tamanho que os meus
olhos enxergam.
Posso acreditar que subindo a montanha, alcançando o seu cume e dando mais
um passo cairei num precipício. Compreendo então, a importância dos olhos
da mente. Para estes lindos olhos não existem limites. Meu único medo, e
este é o mais terrível, é o de cair no precipício da minha ignorância. A
ignorância me causa um desconforto e uma insegurança que não tem limites.
Gostaria de trocar os ilimitados horizontes da minha ignorância pela
sabedoria ilimitada.
Porém, estranhamente, não tenho vontade de conhecer a “sabedoria” pelos
olhos da nossa ciência. Existe “algo” em mim que não aceita como
conclusivas as posições científicas sobre a vida e o universo. São todas
tidas como lógicas e as lógicas dependem da conclusão de cada cabeça.
Assim sendo, cada um possui a sua, e a busca pela verdade continua.
Ontem eu fiquei algumas horas olhando as estrelas. São incrivelmente
maravilhosas as descobertas que fazemos. Parece que elas mudam rapidamente
de lugar e depois retornam ao inicial. Além disto, observei luzes em
movimentos rápidos, deslocando para pontos distintos e desaparecendo em
seguida. Tive a impressão de que são quaisquer coisas parecidas com
veículos de transporte entre elas.
Pode parecer loucura, mas tive a convicção de que existe vida em todas
elas e que são vidas inteligentes, muito mais inteligentes que as nossas.
Procurei fazer contato mental com eles e tive a impressão de que captaram
os meus pensamentos e correspondiam as minhas expectativas. Fiquei algum
tempo nesta brincadeira gostosa e me senti um pouquinho parte delas.
Lembrei então dos buracos negros existentes no universo e sua capacidade
de engolir as estrelas e até galáxias inteiras. Não pude me furtar de
pensar que, se o universo que conhecemos já é de um tamanho infindável,
pois a cada tempo se descobrem novos astros, onde irão parar todos estes
outros tragados pelos buracos negros?
Aqui bem dentro do meu cérebro ou da minha mente, eu sei que existem
informações claras e precisas sobre todas estas questões, mas me faltam os
exercícios corretos para despertar o “conhecimento” e conseguir estas
respostas como tantas outras já formuladas.
É preciso quebrar a “casca” que aprisiona estes conhecimentos, pois de
alguma forma eu sei que são verdadeiros e inquestionáveis. Estão apenas
adormecidos.
Ponderando sobre os exercícios, acredito serem estes que tentam fazer os
cientistas, ao pesquisarem o “todo”, dentro das limitações da nossa
literatura e dos objetos de pesquisas disponíveis. Será pela falta de
humildade ou de tecnologia que não possuímos ainda verdades mais
absolutas?
Penso na grande possibilidade de sermos todos detentores destes
conhecimentos e, considerando pela diretriz que nos conduz Eric von
Daniken, autor do livro “ERAM OS DEUSES ASTRONAUTAS ?”, podemos ter
passado tantas guerras atômicas, que acabamos atrofiando ou danificando de
tal forma o nosso cérebro que trancamos o arquivo da nossa mente em alguma
outra dimensão.
Então, sobra apenas esta inquietação, esta vontade de ir além, a convicção
de que podemos/sabemos muito mais do que lembramos e nos deixa com uma
grande sensação de incapacidade/inutilidade, que dificulta nossos impulsos
e nos conduz à estagnação, quando por direito, ansiamos pelo conhecimento
e pela liberdade.
Não quero e não posso acreditar que existindo esta imensidão infinita,
estejamos condenados a permanecer envolvidos apenas pela energia de um
único planeta, onde ainda somos obrigados pelos limites de uma matéria
cujo significado para nós é “TERRA”, sentindo todos os efeitos dos seus
climas, encarando doenças físicas e mentais em todos os níveis e
considerando-as normais em conseqüência de sermos os tão famosos “seres
humanos”.
Acho que não quero me aceitar como este ser humano degenerativo e
conformado com suas limitações. Não aceito ser apenas energia para
alimentar/realimentar este planeta.
Quero ser o “vento inteligente”, sem parada, sem vínculos, sem paixões ou
limites. Quero poder entrar no canal verdadeiro das outras dimensões e
conhecer mundos diferentes. Largar a matéria pesada que me aprisiona e me
faz dependente e carente. Conhecer formas de vida com matérias mais sutis
ou até mesmo sem matéria, ser apenas parte de um grande pensamento.
Nesta viagem dimensional (hipotética), porém maravilhosa, só me dá uma
angústia ter que voltar a vivenciar “tudo isto aqui” de novo. Entender
que, para acreditar que amo e sou amada em todas as formas de amar, ainda
preciso tocar e ser tocada na forma literal da matéria, quando no meu
mundo “imaginário” preciso apenas emitir um pensamento e compartilhar com
todos os seres a minha imensa capacidade de amar. Que provavelmente não é
só minha, mas de todos os meus semelhantes. |