T E M P O
por Donna Crystal
Hoje eu fiquei por alguns segundos
olhando para o relógio e comecei a pensar no quanto eu sou
escrava daqueles dois ponteiros que trabalham incessantemente,
sem terem a menor noção do quanto eles interferem em minha
vida.
Só após um bom tempo eu percebi que
aquela linha de pensamento estava totalmente errada, que eles
podem sim marcar as minhas horas, mas não podem condenar o meu
tempo. Porque ao tomar conhecimento da sua influência eu posso
determinar o que é hora e o que é tempo. A hora é limitada,
mas o tempo é uma realidade universal que desconhece contagem.
Seria o tempo o meu referencial de
possibilidades de realizações ou de não realizações? Não posso
querer ter “tempo”, pois não posso possuí-lo, mas posso fazer
acontecer porque sou a dona do meu tempo. Não posso perder ou
achar, nem tão pouco fugir ou perseguir o tempo, posso apenas
existir e interagir no tempo.
Eu posso estar em tempo de sofrer
ou amar, de sorrir ou de chorar, de ir ou vir, de trabalhar ou
passear, de ser feliz ou infeliz e assim consecutivamente.
Mas eu posso mudar a minha vida
dentro do tempo em que ela acontece, portanto se eu sinto
saudades de alguém e este não tem tempo para me visitar, eu
posso me convidar a visitá-lo dentro do seu tempo e aliviarei
as saudades do mesmo jeito.
Eu posso não ter tempo para ler um
livro ou assistir a um filme, então eu devo traze-los para o
meu tempo e os meus desejos estarão igualmente realizados.
Conclui que algumas pessoas podem
até ser donas das minhas horas, mas definitivamente, não do
meu tempo.
O que me leva ao entendimento de
que é assim com a minha mente, ela não obedece às horas,
simplesmente passeia no tempo. O que obedece a horas é o corpo
físico que deve estar ou comparecer, mas a mente determina o
“ser”.
A velocidade com que viajo ao
passado e volto ao presente e idealizo o futuro, absorvo as
informações do meio, consciente de estar pisando a terra,
respirando o ar, ordenando tarefas, levantando meu corpo,
movimentando os meus membros, fotografando e ordenando as
imagens que serão arquivadas, vinculadas com aquilo que estou
ouvindo no exato momento em que estou interagindo dentro do
meu tempo e do tempo dos outros, e tudo simultaneamente é algo
estonteante, lindo e perfeito.
Resumindo, o Deus que habita em mim
instalou-se na minha mente, talvez isto explique a sua total
irreverência, jamais se permitindo a prisão corpórea, que
cerceia os movimentos físicos, ao contrário, quanto mais
consciente mais livre para voar.