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SUJEITO HIPNÓTICO
Paulo Madjarof Filho
Todo candidato a ser
hipnotizado tem uma expectativa específica, pessoal, a respeito
daquilo que lhe possa suceder. Essa representação interior, pode ser
clara ou mesmo inconsciente em sua maior parte, e funciona como uma
sugestão implícita, a realizar-se de modo espontâneo e inevitável. O
transe hipnótico em si, absolutamente natural e inofensivo, pode
fazer aflorar o que só espera a debilitação da censura habitual da
consciência, para que surja com suas características e sua força. Em
conseqüência disto, há quem ao ser hipnotizado corretamente,
declare, durante o próprio ato ou depois, que se sente “horrível”
e passe a resistir à outra proposta de indução hipnótica. Outros
experimentam o oposto.
A relação pode ser
tida como a espinha dorsal da vida psicológica. Só é possível
compreender a realidade psíquica do ser humano dentro do contexto em
que ele se acha. Daí o surgimento de um vínculo, positivo ou
negativo, entre o hipnotizado e hipnotizador. Cria-se entre ambos, o
que a psicanálise entende como “transferência” e
“contra-transferência”. Mais comum entre os hipnotistas em relação
ao vinculo, era o termo “rapport”. A relação de pessoa a
pessoa, no meio das vicissitudes humanas, é um aspecto irredutível
da vida. Embora com diferentes conteúdos e qualidades, não há como
fugir de que, por mais isolado que alguém esteja do convívio com seu
semelhante, este está sempre presente, de algum modo, no íntimo
daquele. Jean Paul Sartre escreveu: "O inferno é o outro". Qual
“outro”? O que está fora ou dentro do sujeito? Quanto mais alguém
puder harmonizar o que lhe afigura estranho ou inadmissível no
íntimo de si mesmo, tanto mais poderá conciliar-se com a realidade
da própria vida, jamais independente do próximo. Um dos efeitos e
valores inestimáveis das psicoterapias, que se criaram por
necessidade instrínseca do homem, é o fato de que, corrigindo e
ordenando o próprio interior, facilita o convívio, com seu inato
intercâmbio, essencial à própria existência.
A
natureza psicossomática do homem, em sua união indissolúvel de corpo
e mente, pode comparar-se a uma rodovia de mão dupla. Os desvios
imprudentes numa das pistas invadem a outra, a contra-mão, com seus
desastres indesejáveis mas, infelizmente, comuns. Um dos exemplos
corriqueiros da influência do psíquico sobre o somático é o fato,
nada raro, de alguém em momento de bom apetite, ao receber notícia
desagradável, sentir a fome desaparecer num instante.
Reciprocamente, quem estiver faminto, cansado, sonolento, pode não
ter disposição para as atividades normalmente preferidas. Após
refazer-se fisicamente, as condições psicológicas se tornam outras.
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