SOMBRAS

Donna Crystal

Observo  o balançar das folhas, acompanho as figuras  que se formam com as sombras e dou asas à minha imaginação.

 

Formo seres imaginários, que vão desde anjos até dragões, e ainda faço com que vivenciem  uma estória  no pequeno período em que o sol permitiu que eles existissem.

 

Faço, inevitavelmente, um paralelo com a vida e não consigo deixar de questionar se não somos também assim, seres imaginários criados por uma mente poderosa, brincalhona e muitas vezes até cruel.

 

Dentro deste cenário, pensamos que temos uma família, um trabalho, amor, alegria, sofrimento, sabedoria , etc...

 

Porém, tudo se acaba ou se transforma. Nossa família se transforma, mudamos de emprego, trocamos nossos amores e assim sucessivamente. Nada é eterno.

 

Penso algumas vezes,  que somente a seqüência dos  dias e das  noites  seria eterna, para em seguida  me conscientizar que também isto só é eterno diante da minha estreita e ignorante visão. Todo o  “ser”  mortal tende a achar eterno  o que sobrevive a ele.

 

E o que sentimos, como é que fica diante de tudo isto?  Talvez os sentimentos seriam os únicos a se perpetuarem, uma vez que se transformam em energia e esta transcende. Porém, o mundo de hoje exige que administremos cada vez mais  as nossas emoções e  controlar as emoções é matar os sentimentos.

 

Com os sentimentos mortos, como vamos transcender? 

 

Gostaria de entender esta mente que nos  criou e saber se de fato temos algum objetivo para alcançar ou se estamos apenas  vivenciando como sombras, uma estória inventada por ela,  num curto espaço de tempo permitido pela posição da luz sol.

 
 
 
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