SOLIDÃO II

por Donna Crystal

 

Olho-me no espelho e sei, que sou só,

Compartilho momentos e gargalho ao vento,

Mas, por mais que eu negue continuo sendo só.

Retalho a minha colcha, misturo os pedaços e

Acrescento outros tantos. Refaço a colcha e,

Apesar de linda, as emendas aparecem.

 

Nela envolvo meu corpo e tento que faça sentido,

Na minha eterna espera por você, mas sei que o

Momento passou e de alguma forma o perdi e sem

O seu sorriso, definitivamente, estou ainda mais só.

 

Revejo o arquivo e encontro as suas lembranças,

Palavras suaves e sorrisos envolventes.

Encontro também os seus recuos nos exatos

Momentos em que mais uma palavra seria fatal.

A dor da saudade me maltrata e tento esquecer.

 

Mas como esquecer, se nas suas lembranças é

Que consigo viver? Reabro outra pasta e te vejo

Chegando elegante, cheiroso e lindamente tímido.

O rubor no seu rosto me encanta ainda mais e a

Vontade de amá-lo se apodera de mim.

 

Fecho os meus olhos e viajo contigo, seguro na sua

Mão e livres corremos pelos campos e praias.

Juntos desafiamos o vento, a chuva, o sol e o tempo.

Jogamos a corda e puxamos uma estrela e, nestas

Brincadeiras, voltamos a ser meninos traquinos.

 

Apenas reabro os meus olhos e o sonho acabou,

No vazio do meu quarto o frio me assola e o sorriso

Se apaga, busco alento nas lágrimas que rolam e mais

Uma vez eu me encontro com a solidão de um dia,

Uma noite, uma vida e talvez da própria eternidade.

 

 
 
 
 

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