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Sociedade: A Grande Massa Falida
por Rosana Madjarof
O que poderíamos entender por uma
sociedade justa? Poderíamos dizer que uma sociedade justa é aquela que
vela pelos seus filhos mais necessitados, contribuindo com os recursos
necessários e oferecendo-lhes as condições para que tenham uma vida digna
e plena, pois, desde os tempos mais remotos o povo sofria com o terror da
fome, da miséria, dos abusos de poder, dos preconceitos raciais e sociais,
das guerras, das revoluções que, na sua maioria, só beneficiava os donos
do poder etc. Com a conquista dos Direitos Humanos, após a Revolução
Francesa em 1789, vemos que a hediondez e a perversidade governamental
cederam lugar à Liberdade, Fraternidade e Igualdade.
Infelizmente, vemos que o nosso país,
apesar de ser considerado um país subdesenvolvido, literalmente, é um país
em pleno desenvolvimento, e, mesmo tentando evoluir-se num desenvolvimento
sustentável, não está conseguindo um desenvolvimento de ordem progressiva,
e sim, um desenvolvimento em prolda miséria, da injustiça social,
do analfabetismo, do crime, da violência, da corrupção e das doenças que,
diariamente, matam crianças, jovens e idosos.
Será que podemos crer num futuro
promissor? É certo que o progresso existe e está ao nosso lado e, para a
maioria das pessoas ele ficará eternamente ao lado, isto é, do lado de
fora de suas vidas, pois, com certeza, a maioria dessas pessoas não terá
acesso a este artigo e, muito menos, à Internet, pois seus recursos para
adentrar à grande rede são ínfimos.
No entanto, ainda hoje, permanecem várias
condições equivalentes àquelas que alguns filósofos da Revolução tentaram
reverter, e, para cujo desiderato alguns deles deram o sangue e a vida,
sonhando com o dia em que todos os seres humanos pudessem usufruir, no
mínimo, de alimentos, moradia, educação, trabalho, saúde, diversão etc.,
mas, que ainda hoje, lhes são negados.
Estamos vivenciando uma época de
discussão e grandes avanços tecnológicos, onde se houve falar sobre
clonagem, genoma humano, alimentos transgênicos e ciberespaço. Mas como é
que nosso país, um lugar cheio de riquezas, consegue ser um palco de
tantos atrasos?
Mesmo diante de tantas propostas
governamentais, presenciamos uma grande estrutura nas retas paralelas,
obliquas e perpendiculares de nossa existência, que são aqueles indivíduos
que fazem suas próprias leis. É a chamada lei do mais forte ou a lei do
morro, onde traficantes atuam deliberadamente com a cobertura de
mascarados que se escondem atrás do poder.
Hoje, para que você possa ser
reconhecido, é necessário possuir vários itens de consumo que, na
realidade, não passam de parâmetros importados de países mais ricos que
não possuem nosso índice de miséria e injustiça social. Basta acionarmos o
controle remoto de nosso televisor e pronto! As novelas e as propagandas
nos mostram os belos carrões importados, aparelhos de som e imagem de
última geração, clínicas e academias para que se possa ter um corpo
“sarado” e, muitas vezes “bombado”, e muitas outras coisas pelas quais
iremos ser julgados bem ou mal, isto é, seremos recebidos dentro desta
sociedade fragmentada simplesmente por termos ou fazermos aquilo que nos é
apresentado através da mídia.
Com todo esse aparato de ilusões, vemos
que nosso povo, a cada dia, torna-se mais sofrido, mais triste e
desiludido da vida. E é por esse mesmo motivo, que presenciamos nossos
jovens, que seriam o futuro da nossa Nação, roubando, matando e
estuprando, com o simples intuito de fazerem parte dessa massa falida que
é o nosso país. Será que conseguiremos reverter essa situação?
Diante do
exposto acima, e acreditando num mundo melhor, penso que este seria o
momento mais certo e mais oportuno, para podermos repensar o grande
filósofo Tomas More, que ao criar sua ilha Utopia, sonhava com uma
sociedade ideal, onde haveria justiça e igualdade para todos os cidadãos.
Será que, tal qual o grande filósofo, viveremos em eterno estado utópico? |