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SEXO E HIPNOTISMO
Por
Paulo Madjarof Filho
É comum nas palestras de
divulgação que realizamos sermos perguntados sobre o poder da
hipnose e a possibilidade de um indivíduo dizer ou fazer algo
sem desejar sob transe hipnótico. De fato alguns perguntam
porque temem e outros porque fantasiam. Não incomum, estas
questões estão ligadas ao medo da inviolabilidade dos domínios
pessoais e o desejo natural da autopreservação.
Também não é incomum nos
depararmos com anúncios na Internet que fazem publicidade sobre
o uso da hipnose como um poder de convencimento e sedução. Falam
sobre atrair a atenção de pessoas através de um “poder mágico”,
que “abate” os incautos e desavisados, tornando-os presa
fácil. Em geral essa publicidade é dirigida a pessoas
introvertidas ou com problemas adaptativos que buscam sexo e
sociabilidade.
Utilizam freqüentemente
nesses anúncios ilustrações de mulheres atraentes e sedutoras
absolutamente abandonada e entregue aos caprichos sexuais de um
homem – no caso, a figura do “poderoso hipnotizador”,
fazendo aflorar fantasias de subjugação de outrem aos próprios
caprichos, vaidades e perversões.
O apelo mexe com o imaginário
e a fantasia de poder e dominação psíquica, em especial com
pessoas desajustadas que alimentam o desejo secreto de controlar
a mente de alguém. Tal apelo compromete a credibilidade deste
valioso instrumento terapêutico e impede que muitas pessoas se
beneficiem pelo medo que sentem. Esta fantasia é muitas vezes
instigada pelos artistas hipnotizadores – os hipnotizadores de
palco, ou mesmo pelas produções hollyodianas que exploram as
emoções através do jogo de poder e controle.
Sobre esses temores, quero
ressaltar que todo indivíduo tem autonomia sobre suas ações,
sendo os seus desejos soberanos sobre sua vontade, ou seja,
àquilo que pode imaginar e realizar. Portanto, se um
hipnotizador mal-intencionado sugerir um comportamento amoral
para o indivíduo hipnotizado, este sairá automaticamente do
transe, o que só não acontecerá, se este for o desejo do
indivíduo hipnotizado. Tal situação pode ser comparada com “certos”
estados de alcoolismo que são comumente utilizados para
justificar atos inaceitáveis: “eu estava bêbado, não sabia o
que estava fazendo”. O álcool no exemplo citado é a
auto-autorização para transgredir – o que exime o indivíduo de
se justificar socialmente. |