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O SENTIDO DA VIDA
Rosana Borges Poiani
Introdução:
Lidar com a morte não é nenhuma tarefa fácil. Há pessoas que
lidam com mais facilidade do que outras mas nem por isso essa tarefa é menos
sentida.
Trabalhei com um grupo de idosos onde a cada semana falávamos
do assunto, onde o objetivo do trabalho era sensibilizá-los para fatos da vida
que muitas vezes ficam esquecidos no dia a dia.
Eu precisava introduzir o assunto da “morte” pois ela faz parte
de qualquer existência, mas queria que a reflexão fosse discutida com
serenidade, visto que idosos pensam muito mais nisso do que jovens, e que a
discussão suscitasse vários assuntos como juventude, beleza, culto ao corpo
perfeito, saúde e busca pela longevidade.
Escrevi então uma pequena estória que intitulei de “O Sentido
da Vida.”
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Era uma vez ... uma princesa que
amava a sua beleza. Era muito vaidosa e tinha medo de envelhecer e morrer. A
morte para ela significava o fim da sua juventude e dos seus prazeres.
Um belo dia saiu de seu castelo e
foi passear na praia para contemplar o mar, pois achava que este, por ser
infinito, escondia muitos segredos.
Um dia num desses passeios
adormeceu em um rochedo e teve um sonho...
Sonhou que ao descer do rochedo
para a praia uma onda trouxe aos seus pés uma concha brilhante. Notou que
dentro dela havia algo, pegou o que estava dentro e percebeu que era um
manuscrito. O manuscrito dizia que existia uma cidade que prolongava a vida e
quem vivia nela tornava-se imortal. O caminho para esta cidade seria através
do deserto, após atravessar um rio.
A princesa sentindo-se muito
feliz voltou correndo ao castelo, recrutou alguns soldados para a viagem e
saiu em busca dos imortais.
A travessia do rio foi terrível,
pois monstros marinhos mataram muitos dos seus soldados.
Após a travessia encontraram o
deserto. Os dias de viagem foram árduos, pois as caminhadas tinham que ser
feitas à noite, devido ao forte sol e um calor insuportável durante o dia.
Uma noite após uma tempestade de
areia a princesa notou que estava sozinha. Não soube se os soldados a deixaram
ou se ficaram soterrados na areia.
Sozinha, mas feliz, continuou o
seu caminho pelo deserto.
Ao longe avistou a cidade.
Chorando de emoção pelo desejo de ver os imortais e pelo desejo de tornar-se
um deles, pois para ela isso significava que continuaria aproveitando a vida e
que seria bela para sempre. Assim continuou caminhando.
Ao chegar perto da cidade reparou
que os prédios e casas eram irregulares e feios. Foi andando pela cidade, viu
muitas pessoas doentes, mas ninguém cuidando deles, continuou andando...,
chegou numa praça onde não saia água da fonte, e as plantas estavam mal
cuidadas. Avistou um poço e dentro dele havia algumas pessoas dormindo,
continuou andando..., viu uma escada que sua subida parecia não ter fim, ao
lado uma descida que não dava a lugar algum.
Começo a chorar, pois não estava
gostando do que via, a cidade estava lhe dando medo!
Mais a frente encontrou um senhor
e resolveu conversar com ele. A princesa perguntou-lhe:
---- Senhor, me fale desta
cidade, como é a vida aqui?
---- Princesa, aqui os prédios e
casas não tem beleza, pois ninguém trabalha neles. Trabalhar para que, se tudo
é para sempre ?
---- Aqui ninguém cuida dos
doentes. Cuidar para que, se somos imortais ?
---- Aqui não há água, nem
comida. Beber e comer para que, se jamais morreremos ?
---- Aqui ninguém cuida da
natureza, pois não precisamos dela para viver.
---- Aqui, as pessoas que caem no
poço, ninguém as tira. Salvá-las do que e para que, se jamais morrerão ?
---- Aqui, as escadas não dão à
lugar nenhum, pois ir aonde e para que, se todos são imortais ?
---- Aqui o mundo é sem memória e
sem tempo !
A princesa começou a chorar e
ficou desesperada. Suas lágrimas a acordaram do sonho. Sentou-se no rochedo e
contemplou o mar ... o céu ... a areia ... e viu como tudo era lindo e vivo !
Voltou correndo ao castelo para
ver sua casa e seus familiares. Chegando lá foi direto conversar com seu avô.
A princesa perguntou-lhe:
---- Vovô, me fale sobre o
sentido da vida ...
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