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RELÓGIO
por Berenice Ribeiro Martins
A minha frente tem um
relógio. Posso descrevê-lo de várias formas; pela sua utilidade,
sua materialidade e até mesmo pela sua insignificância em
relação aos grandes acontecimentos. Mas este tem um valor
estimativo que supera a era digital. Mergulho neste relógio e
vejo que meu corpo está cheio de relógios vivos, em cada célula.
Cada órgão é como se fosse um tipo de relógio desenvolvendo sua
função a cada minuto. Cada hora passada é vital para minha
existência. Brinco com as horas internas e rio com elas. Quantos
dias, quantos meses, quantas horas vou seguindo sem perceber. De
repente, posso reconhecer que estou viva e que é preciso dar
corda aos meus relógios internos para não pararem. |
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