PRESENTE

Por Paulo Madjarof Filho

 

Mais do que o tempo verbal, “presente” é a representação material-concreta de uma intenção, um sentimento – que não necessariamente de carinho. É a manifestação comportamental de um pensamento, uma emoção.

 

Em suas expectativas, o presenteador idealiza a receptividade e a repercussão em relação ao presente oferecido, de acordo com suas ambições: conquistar afeto, ser promovido, ser perdoado, construir uma imagem positiva, demonstrar poder, comprar confiança, controlar, atender uma obrigação, etc.

 

O presente pode também comportar uma intenção escusa ou mesmo destrutiva, aniquiladora – ou seria o mal disfarçado na forma de presente? (os troianos que o digam!). Neste caso, nem sempre pode se afirmar: “a intenção é o que vale”.

 

Algumas pessoas constrangem-se ao ser objeto do presenteador, outras, ao contrário, se comprazem. Uns fazem questão e se sentem confortáveis ao presentear, enquanto alguns lamentam e evitam. Muitas vezes, retribuir o presente recebido indica apenas uma compensação, uma equivalência; “o empate do jogo”.

 

O presenteador se posiciona em relação à intenção e o caráter de seu presente, especialmente pela ligação que tem com o presenteado. Se esta for de natureza profissional, por exemplo, as intenções agregadas ao presente são intencionalmente interesseiras. No caso, valoriza aspectos que presumem, pelo menos, o não-desagrado.

 

Quando o presente é de natureza afetiva, há o esmero nos detalhes, como prova de dedicação e de atenção, de que se importa com a outra pessoa. O perfume do cartão e as palavras escritas, a embalagem dedicada, e, se for algo de uso pessoal, o número certo, a cor de preferência, a grife preferida.

 

E você, gosta de presentear ou ser presenteado? Independente de sua resposta, pense honestamente sobre o último presente que você ofereceu a alguém e sobre o último presente que você recebeu. Qual as verdadeiras intenções contidas? Pense nisso!

 
 
 
 
 

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