PATINHO FEIO

por Sílvia Rodrigues

Amigas conversando:

- Seu cabelo ficou lindo!

Resp. - Mas, você não percebeu o quanto está ressecado?

- Você está linda!

Resp. - Que nada, já estou velha, olhe quantas rugas, estou acabada!

- Que roupa maravilhosa você está usando?

Resp.- É emprestada, você acha que teria dinheiro para comprar uma roupa assim?

 

Você já percebeu como existem pessoas que parecem nunca aceitar um elogio? Como se fossem uma espécie de depósito de características negativas?

Acredito que isso ocorra quando as pessoas não têm uma boa imagem de si mesmos, quando não se acham possuidoras de nenhum recurso interno para que possam se fazer amar. E, a partir daí passam a desvalorizar-se como pessoa. Nestas condições é inevitável que se sintam desconfortáveis e inadequados à frente a qualquer espécie de elogio.

Esta imagem de si mesmo, o que chamamos de autoconceito começa a ser construída na infância e está intimamente ligada à qualidade do relacionamento afetivo vivenciado em família.

Parece haver um consenso entre profissionais da área do desenvolvimento infantil, de que crianças acolhidas com amor, carinho e aceitação provavelmente construirão uma boa imagem de si mesmas. Entretanto, se são frutos de famílias desestruturadas, onde a rejeição e não aceitação são práticas comuns, estas tenderão a se sentirem desvalorizadas, indignas de serem amadas, desenvolvendo assim uma auto-imagem empobrecida, negativa e com sentimentos de menos valia.

É provável que você esteja se perguntando e até constatando que viveu assim, numa família onde não lhe deram o valor que precisava e que talvez seja este o motivo pelo qual sua auto-estima esteja tão baixa.

Acredito que exista sim esta possibilidade, pois muitas vezes, os próprios pais ou cuidadores não têm uma boa imagem de si mesmos, não conseguindo transmitir o que não têm. Em contrapartida, também podem não possuir conhecimentos suficientemente claros sobre os prejuízos que podem causar nos filhos ao colocarem rótulos como: “preguiçoso”, “lerdo”, “inútil”, ou fazendo comparações negativas entre irmãos. Na verdade, em sã consciência, nenhum pai ou mãe quer o pior ao seu filho, fazem o melhor que podem utilizando os recursos que disponibilizam naquele momento.

Por isso, é preciso cautela quando a questão é o autoconceito e auto-estima positivas, pois não podemos correr o risco de sermos simplistas e até fatalistas nos entregando ao um determinismo de que: AH! se não tive elogios suficientes na infância, serei sempre assim, marcado para sempre!

Enquanto crianças, não temos condições de avaliar e ponderar sobre as críticas recebidas, apenas acreditamos sem questionamentos naquilo que ouvimos dos nossos. Entretanto depois de adultos, temos condições e recursos suficientes para reavaliar uma crítica, analisar seus fundamentos e até a intenção da mesma. Portanto, podemos através delas redirecionar nossa postura diante da vida, aparar arestas e corrigir rumos. Recomeçar, esta é a palavra! O poder de superação está em todos nós, direcione este poder para o seu bem.

A partir de agora vamos pensar juntos em algumas atitudes que podem ajudá-lo a mudar sua maneira de se ver e de viver.

Neste momento de vida você mesmo controla sua auto-estima, ela não é um presente que se ganha quando criança e que se tem que carregá-lo pela vida toda. Busque a sua avaliação pessoal!

Ter metas e objetivos mais realistas é fundamental. Quanto mais irreal for o seu ideal comparado às suas reais possibilidades, maior será a sua decepção! Lembre-se, o tal patinho feio era apenas diferente, na verdade um cisne com exuberância e beleza próprias.

Fique atento ao que fala para si mesmo e de você para os outros, se é de forma negativa ou positiva. 

Aceite elogios! Por que só a crítica lhe parece verdadeira? Ninguém suporta ficar o tempo todo fazendo-o acreditar que merece aqueles elogios. Ao receber um elogio, respire fundo, coloque o elogio para dentro e simplesmente agradeça, não desmerecendo a opinião do outro a seu respeito.

Melhore o que pode ser melhorado, pequenos gestos podem gerar grandes mudanças positivas. Além disso, aceite o que não pode ser mudado, afinal, ninguém é perfeito! Mas, se você insistir em ressaltar apenas as suas deficiências perderá a noção do que tem de mais valioso. Enquanto colocar holofotes iluminando apenas o “patinho feio” fará com que os outros só o vejam desta forma. Lembre-se, o outro o vê assim como você se apresenta.

Afinal, de qual lado da história está?

Ainda guardando da infância aquele espelhinho distorcido que reflete a imagem do patinho feio ou está procurando trocá-lo por um outro que reflita a sua real imagem?

Tenho certeza de que você é capaz de perceber a importância de se desenvolver uma estima positiva de si mesmo e do quanto isso pode alterar para melhor os acontecimentos de sua vida.

Portanto, cabe a você: valorizar-se ou escancarar suas deficiências.

Você escolhe!

 
 
 
 

Fale Conosco