|
O VENTO
por Donna Crystal
Sempre
gostei de analisar o vento. Devo ter uma afinidade muito
estreita com ele. Acho-o extremamente misterioso por ser em
alguns momentos docemente uma brisa, em outros, muito mais
perceptível, pode chegar a ser absolutamente agressivo e
arrasador.
Quando
observo os grandes tufões que normalmente acontecem nos Estados
Unidos, vejo a destruição deixada para trás e, como todos,
lamento pelas vidas, porém, só pelas vidas. A parte material não
me causa nenhum sentimento pesaroso, pois com certeza será
reconstruída.
Nestas
ocasiões fico a imaginar a quem o vento estará obedecendo, de
quem teria recebido ordens tão urgentes e imperiosas que o
impulsiona a se concentrar em tamanha proporção em um único
lugar, como se os ventos de vários quilômetros atendessem a esta
mesma determinação, para lá se dirigissem sem pestanejar e
porque agir com tamanha fúria.
Acho
simplesmente aterrorizador e lindo a velocidade que ele vai
desenvolvendo, o pânico que causa e nada ou ninguém consegue
detê-lo. A ordem deve ser obedecida custe o que custar, cause o
que causar. Coisa alguma o impedirá de alcançar o seu objetivo.
Objetivo... Qual seria? Trazer, deixar, ou talvez levar uma
mensagem de tamanha importância, que nem sequer paramos para
analisar, mas, com a mais absoluta segurança, a ordem foi dada e
por “alguém” de muita importância no contexto cósmico mundial.
Aí, estou
andando desinteressadamente pela rua, cabeça longe, coração
carente, vida sem objetivo, vivendo por viver..., de repente
ele toca o meu rosto, desarruma os meus cabelos, se envolve
completamente no meu corpo, obrigando-me a senti-lo, como se
quisesse me dizer; olha, preste atenção, estou aqui e te faço
companhia.
Você não
está só, estou sempre passando ao seu redor, perceba-me por
favor, afinal corri tanto, comecei com tanta fúria, tive tanta
pressa, causei tantas perdas, destruí grandes edifícios e
embarcações, fui perdendo forças pelo longo caminho que
percorri, deixei pedaços de mim mesmo para trás, pois sabia que
se me atrasasse apenas por um segundo não te encontraria mais
aqui e todo este empenho foi apenas e tão somente para
acariciá-la por esta fração de segundos. Portanto, por favor,
retribua-me com um sorriso e um pouquinho desta imensa energia
que existe dentro do seu peito e que você não sabe o que fazer
com ela.
Não é um
buraco aberto que arde no seu coração, mas o acúmulo de
sentimentos reprimidos por pensamentos desencontrados e medo,
muito medo de doar-se e perder o “ser” amado.
Este
sufocar te consome, tortura, magoa, deprime, adoece, entristece
e acaba por fazê-la tão infeliz, quase a ponto de nem perceber o
esforço que fiz para possuí-la por um momento.
Aprenda
comigo, sou a sua mais suave e direta lição: mesmo que tenha de
começar como eu, um tufão, ter tanta pressa para alcançar quem
você ama, que se preciso for, agite seus mares, destrua suas
cadeias, deixe suas pegadas, livre-se das suas armaduras e mesmo
que vá deixando pedaços de si mesma pelo caminho, vale a pena
passar por tudo apenas por um toque que perpetue este momento de
carinho.
Solte suas
amarras, aumente o seu mundo, participe diretamente da vida, ou
melhor, faça a vida acontecer, mude tudo, se preciso for, mas,
por favor, ao retornar, quero atenção, sorriso, amor, alegria e
felicidade a transbordar de sua aura, pois é esta energia que
quero espalhar por todos os lugares que preciso visitar.
Afinal sou
o VENTO, preciso continuar e a minha leveza depende do seu
sentir e pensar que somados darão apenas um resultado: AMAR,
independente do seu querer. Sua vida vai continuar e a sua maior
urgência é fazê-la melhorar. |