MUNDO ORIGINAL (?)

por Paulo Madjarof Filho

Por vezes me pego pensando como reagiria a espécie humana se fosse criada distante dos valores e padrões sociais vigentes.

 

Convido-o a soltar a sua imaginação e me acompanhar nesta viajem...

 

Imagine por exemplo, um outro planeta similar ao planeta Terra que ofereça as condições necessárias e ideais para a manutenção da vida – as mesmas condições experimentadas por nós, tudo igual. Imagine então que vários “filhotes humanos” – machos e fêmeas, fossem deixados para a observação de suas ações e reações, sem a interferência cultural dos modelos sociais conhecidos – Uma espécie de “Big Brother”, uma novela real, acompanhada por você minuto-a-minuto, hora-a-hora, dia-a-dia, ano-a-ano.

 

Apenas imagine!

 

A grande maioria dessa população atingindo a idade adulta, brancos e negros, homens e mulheres, um grande e indistinto exército de humanos. Solte a sua imaginação e repercuta as seguintes questões:

Como se comportariam na fase adulta?

Como se comunicariam?

Será que se apaixonariam?

Fariam sexo apenas por prazer?

Seriam monogâmicos?

Organizariam-se em comunidade?

Seriam racistas e preconceituosos?

Teriam cáries?

Matariam-se?

Seriam obesos?

Teriam gripe?

Respeitariam hierarquias? Quais?

Acreditariam num Deus? Cumpririam rituais?

Descobririam o fogo e a roda? Em quanto tempo? Ou fariam descobertas mais interessantes ainda desconhecida por nós?

Sobreviveriam além dos 30 anos?

 

Então, você que sequer escolheu o seu próprio nome, que acredita que decide tudo por sua própria vontade, que diz que faz o que lhe der na telha, que sequer inventou tudo isso que te cerca – valores, normas e regras – Como você acha mesmo que esses seres não-socializados se comportariam de verdade?

 

Observe a sua volta e as condições em que você vive e me diga: Você faz e demonstra mesmo tudo aquilo que gostaria de fazer e demonstrar?

Convido-o a participar deste texto enviando a sua reflexão para o e-mail universopsic@uol.com.br 

 

O seu texto me fez viajar...

 

Interessantes as suas indagações e elas podem ser comentadas sobre alguns aspectos, mas deixando de lado o que poderia ser e o que eu gostaria que fosse, acredito que: O ser humano na idade adulta, independente da sua cor, seria como a grande maioria dos animais, lutaria pela sua sobrevivência, pois independentemente de que planeta possa habitar, os seus instintos são natos.

                 

Suas comunicações seriam apenas uns grunhidos que demonstrariam satisfação ou insatisfação, e com certeza eles se apaixonariam, pois a paixão também é instintiva.

 

Acredito que sim, que fariam sexo por necessidade física e conseqüentemente pelo prazer que ele causa, e não creio que seriam monogâmicos, pois para mim a monogamia é uma das regras criadas pela sociedade já consciente dos riscos de contágios das doenças e principalmente pelo sentimento de posse que um ser humano acredita ter sobre o outro.

 

A organização societária também é algo instintivo, a grande maioria das espécies se junta em grupos para defender seus territórios, seus alimentos e a sua própria espécie.

 

Matariam-se com certeza, teriam cáries e creio que não seriam obesos. A obesidade é a conseqüência da inatividade e esta está cada vez mais presente em nossa sociedade, conseqüência das facilidades de um mundo cada vez mais automatizado, que não seria o caso deles.

 

Sim acreditariam num Deus e este seria um “Ser” invisível e sim, cumpririam rituais.

 

Não saberei explicar o porquê, mas não creio que teriam gripe.

 

Respeitariam sim uma hierarquia, mas seria mais pela força do que pela inteligência.

 

Descobririam o fogo e a roda, pois levariam consigo o conhecimento que está na genética e talvez levasse bem menos tempo do que nós levamos.

 

Sim, com certeza eu acredito que viveriam muito mais de trinta anos, estes seres humanos se exercitariam naturalmente no seu dia-a-dia, não se intoxicariam com conservantes e afins, e principalmente não teriam o estresse que temos hoje, resultado das nossas múltiplas obrigações. 

 

E eu, este ser arrogante que sou, que não aceita ser menos que a imagem e semelhança de Deus e que me acho a “inteligência” entre as espécies, acredito que eles, respeitando as devidas proporções, se comportariam praticamente como nós nos comportamos, talvez apenas com menos hipocrisia, pois para que houvesse diferenciações comportamentais notáveis, teria que se mudar o ser humano e não o planeta que ele habita.

 

E não, eu não faço e nem demonstro tudo aquilo que eu gostaria de fazer ou demonstrar. O principal efeito das normas e regras em nossas vidas são os freios que nos são impostos desde o nosso nascimento e com isto nem chegamos a nos conhecer.

 

Aprendemos a conter o ódio, a disfarçar os sentimentos, a calar quando gostaríamos de gritar e a falar quando gostaríamos de calar. Aprendemos a sorrir quando a nossa vontade é chorar e a ficar quando a nossa vontade é fugir.

 

Se não tomarmos cuidado o nosso rebanho particular misto de emocional, sentimental e físico vai se tornando um emaranhado tamanho que conseqüentemente teremos um curto circuito.

 

Porém sem essas normas e regras comportamentais coletivas, cada um fazendo o que gostaria de fazer e demonstrando o que gostaria de demonstrar, causaria uma grande confusão e a convivência em sociedade seria totalmente impossível. E também isto os nossos filhotes humanos acabariam descobrindo.

comentário: Donna Crystal (17/09/2006)

 
 
 
 
 

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