“UM MUNDO DE NADA”

Donna Crystal

Chuva, frio, calor, neblina, relógios que marcam o tempo, que determinam o velho desde o momento do nascimento.

O barulho dos automóveis protestando contra a pressa dos seus condutores e estes que correm o tempo todo sem jamais chegar a lugar algum.

O vento correndo livre, tocando tudo por onde passa e rindo sorrateiro qual menino sapeca e cheio de graça.

As nossas frágeis construções erguidas quais monumentos suntuosos voltados pro “céu” e com os seus dias contados.

Sorriso, lágrimas, saudade, adeuses e um imenso desejo intraduzível em palavras, oprimindo o peito, apertando a garganta à certeza do nada.

Música e perfume ainda no ar, mas a magia se foi, levada pelos passos de quem se demora em voltar.

O mesmo sol que aquece o corpo, marca os olhos de quem já se esqueceu de tanto esperar.

O amor e o desamor convivendo lado a lado numa disputa silenciosa, porém implacável.

O desencanto de hoje cedendo lugar à esperança do amanhã, que em nada ou quase nada mudará ou acrescentará.

Mães que choram, filhos que matam, almas torturadas vivendo num mundo que só existe na imaginação de cada um.

Abundância de pensamentos e precariedade de realizações traduzidos em decepções e desenganos, causando as doenças de um povo perdido.

Os olhos humanos que só compreendem linhas retas desconhecendo o côncavo e o convexo, alimentam as mentes com informações truncadas limitando a visão a uma única dimensão, dificultando as “viagens” que resultariam num conhecimento maior, se é que ele existe.

Um abraço que dura tão pouco e a ausência, uma eternidade, a vida que é um suspiro e um suspiro que vale uma vida.

Este é o homem que só se satisfaz quando realiza o prazer de vivenciar os cinco sentidos, mas que não sabe de onde veio, o que faz aqui e nem pra onde vai, que corre a esmo em busca de “muito” sem jamais encontrar.

 
 
 
 

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