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MINHA ÓRBITA
por Donna Crystal
Como a Terra eu também sou um planeta inexplorado, desconhecido
e vivendo na superfície desconheço a caldeira que me ameaça a
cada segundo.
Por vezes, quando falta espaço no meu interior para conter as
emoções me comporto como um vulcão e derramo a minha lava. Se de
um lado eu me livro de toda a carga negativa e nervosa, por
outro posso atingir as pessoas que me cercam e sem nenhuma
intenção, feri-las em seus sentimentos.
Outras vezes sou uma verdadeira cascata que se derrama em águas
contínuas, mostrando que ainda tenho alma e assim suavizar a
expressão dos meus sentimentos.
Sou também, como uma onda do mar que ganha força, se separa e se
agiganta, formando um imenso túnel vazio, para em seguida se
esparramar com estardalhaço.
Sou peixe, pássaro, animal irracional, vegetal, mineral e sou
uma fera contida, sendo educada a cada momento do meu dia. Sou o
pão que alimenta, o rio subterrâneo e a árvore frondosa.
Sou o fruto saboroso e a semente venenosa, sou a guerra e sou a
paz. Sou a estrela distante e a cadeira onde me sento.
Sou a filosofia com grandes verdades hoje, transmutadas em
mentiras amanhã.
Sou uma covarde confessa e uma heroína ocasional. Sou o planeta
estranho que circula numa órbita desconhecida, cercado de
estrelas por todos os lados e apagado na solidão do seu destino.
Os meus dias são curtos e as minhas horas são longas. Faço parte
de tudo e nada sou ou sou tudo e não faço parte de nada?
Quero visitar este planeta que sou eu e conhecer esta imensidão
escondida, ouvir o meu próprio grito expresso num simples
pensamento.
Quero calar a minha voz e ouvir o som do universo, pois ele fala
e fala, mas não consigo entender sua mensagem, pois são muitas
as vozes inúteis a me confundirem a audição e ela se perde num
sussurro.
Quero desprezar a inconstância da poeira, sair da superfície e
penetrar o solo para fazer a integração total. Buscar o
conhecimento do “tudo” mesmo que nada encontre.
Será que a minha procura se perde porque só tenho pegado os
atalhos? Preciso encontrar a estrada principal sem temer o
tráfego, tenho que encontrar o meu objetivo antes que encontre o
meu fim. |