MATRIX

Cida Borges

São 23:56 horas e faz mais ou menos meia hora que eu terminei de assistir MATRIX, e tenho quase certeza de que algum tempo atrás eu já tinha assistido a este filme.

 

Eu estava aqui deitada tentando dormir, mas a minha cabeça continua ligada e não consigo conciliar o sono. Então resolvi escrever algumas coisas sobre o que pude compreender do filme.

Bem, o filme é verdadeiramente inteligente, intrigante, estimulante e com um imenso potencial de possibilidades que de forma alguma podem ser descartadas.

 

De imediato posso dizer que no meu entendimento, ele poderia ter sido muito mais abrangente e coerente no que se refere à projeção do corpo mental.

 

Porém, para mim, fica claro que ele foi apresentado de forma figurativa, limitando as ações dentro do nosso limite de entendimento humano, mas em hipótese alguma ele se perdeu no objetivo da intenção.

 

A busca do personagem Neo, seria a tua, a minha e a de milhares de outras pessoas que observam, questionam e não sabem ainda o que procuram, porém sabemos que existe algo além do visível, atingível ou palpável e que de uma forma direta ou indireta influencia nas nossas vidas.

 

Desviando a atenção das fantasias necessárias para produzir o efeito esperado e prender a atenção do telespectador, fica clara a determinação dele em encontrar uma resposta.

 

O seu trabalho de dia e a sua obstinação noturna, sempre segundo a minha interpretação,  faz com que ele esgote os limites das suas descobertas e comece a buscar recursos em fontes externas, ou ele encontrou um emaranhado de informações que, para podermos entender toda esta complexidade, foi necessário criar personagens representando seus estágios de pensamentos de forma que pudessem mostrar a evolução da sua integração com o conhecimento.

 

Não importando qual das duas alternativas possa ser a mais acertada, a mensagem é inquestionável: podemos tudo o que queremos, desde que queiramos de verdade.

 

Mesmo sendo um hacker e recebendo grandes somas em dinheiro por trabalhos considerados fora da lei, ele não se deixou corromper quando foi necessário optar entre uma vida “socialmente correta” e a busca pela verdade que ele acreditava poder encontrar.

 

Muito interessante à parte em que ele procura pelo Morfeus e este afirma que estava procurando por ele há muito tempo, o significado para mim é de que quando você busca o conhecimento, inevitavelmente o encontrará e a beleza está na luz que nasce deste encontro.

 

Interessante, também, a sutileza do autor/diretor em colocar a moça como fio condutor deste encontro, o que para mim mostra que são vários os caminhos que te levam a ele (conhecimento) e que, para dele se apossar, não é necessário deixar de viver e interagir. Sugerindo, talvez, que devemos eliminar os preconceitos e não desprezar qualquer tipo de ajuda no sentido de acrescentar.

 

De repente, se nos deixarmos seduzir pelos caminhos dos “prazeres”, tão nossos conhecidos, poderemos até ter o conhecimento, mas jamais seremos “o conhecimento”. Esta mensagem ficou representada pelo personagem do .... (não consegui me lembrar o nome), quando traiu a todos pelo desejo de vivenciar no total ou em parte as falsas regalias que proporciona os sete pecados capitais.

 

Voltando ao personagem do “escolhido”, podemos posteriormente discutir sobre vários aspectos e todos muito interessantes, mas vou tentar passar de uma forma geral o que pude aprender com ele.

 

Maravilhosa a idéia do barco com o operador, pois deixa claro que a nossa mente está preparada para qualquer emergência, basta acionarmos os neurônios e acelerarmos a adrenalina e um condutor irá fazendo a programação de forma a nos orientar para as portas de entrada ou saída.

 

A situação dos corpos inertes, com um tipo de objeto pontiagudo enorme enfiado nas cabeças, mostrando que podemos estar mentalmente aonde quisermos e o nosso corpo físico continua conectado com a vida, apesar da grosseria da representação, foi fantástica.

 

Neste particular, a figura do operador foi especialmente importante. Para mim, era a mente dizendo: estou em atividade externa, mas com o controle absoluto sobre tudo.

 

Em vista da necessidade de expressão, não vou criticar o comportamento dos corpos projetados mentalmente. É lógico que não precisariam utilizar automóveis ou helicópteros para se movimentar, tão pouco, ficariam literalmente presos em espaços físicos e nem seria possível que sangrassem quando atingidos.

 

Mas estes são apenas detalhes ou, então, eu não tive capacidade suficiente para entender a mensagem.

 

A interação das duas mentes quando o “escolhido” estava em treinamento (lutando), fica somente na intenção de ser comentada, pois não existem palavras que possam definir fielmente aquela cena.

 

“A colher não existe é você quem entorta” ou “Não tem problema quanto ao vaso, pedirei aos meninos que o juntem novamente”, significando: olhe além, não se limite e enxergará a verdadeira extensão do seu potencial e, não se distraia e nem se deixe influenciar por conversas, que você jamais se desviará do caminho que te conduzirá à realização dos seus objetivos. Mas, mesmo que isto venha acontecer e você possa se machucar, levante a cabeça, recomece com sabedoria, aprenda com seus erros e inevitavelmente logrará sucesso, a vida por si só se recompõe.

 

“Você não é o escolhido” e “você ouviu apenas o que precisava ter ouvido”, me fez entender que não há a menor necessidade de ser alguém fora do normal, para ser especial, só o que precisamos é ter objetivos, trabalhar com, determinação, organização, estrutura, disciplina e principalmente esquecermos tudo o que nos foi transmitido durante toda a vida, tipo: você não pode, não consegue, vai cair, se machucar, se molhar, ficar doente, etc...

 

Ao conseguirmos nos livrar de todas estas “ciladas” destrutivas acumuladas e temidas, nada ou ninguém nos deterá.

 

Isto é apenas um mínimo do que podemos tirar destes ensinamentos, podemos dissertar sobre eles em vários aspectos e ainda assim não os esgotaremos.

 

Ah! Ia me esquecendo de algo que de imediato me chocou e depois entendi perfeitamente a intenção. Foi a simplicidade, o comum e até o vulgar do local chamado “oráculo” e da mulher que representava “a sabedoria”.

 

Pelo menos a minha expectativa aguardava encontrar algo místico, cheio de objetos esotéricos, tais como cristais, incensos, sóis, estrelas, etc..., e para culminar, alguém devidamente paramentado representando “o/a mestre/a”.

 

O que vem de encontro àquilo que acredito,  nem sempre as grandes sabedorias estão nos grandes mestres e sim em pessoas simples e comuns, sugerindo que devemos procurá-las nos livros sim, mas jamais esquecer de ouvir a sabedoria natural que trazemos conosco, sem que saibamos explicar onde ou quando a adquirimos. Talvez para tentar eu entraria com a reencarnação, mas prometo não fazer isto neste momento.

 

O telefone utilizado como meio de “transporte” dos corpos projetados mentalmente, significaria: Seja inteligente sem perder a prudência, quando o perigo for maior que a sua capacidade momentânea, afaste-se imediatamente. Volte ao seu domínio, equilibre-se, observe o problema com a devida distância e conseqüentemente encontrará as soluções até então desconhecidas.

 

Por fim, algo que muito me intrigou foi: ao combatermos um sistema que consideramos o limitador da raça humana, quando provamos que todos estão sendo manipulados por máquinas, com objetivos escusos, seria correto utilizarmos deste mesmo sistema ao necessitarmos de “máquinas” para programarmos as nossas mentes, possibilitando ampliarmos o nosso campo de entendimento e de lutas?

 

Ainda, atingindo tal estágio de conhecimento, haveria necessidade de utilizarmos, armas de guerra e lutas corporais para alcançar a liberdade e a paz?

 

Será que para conseguirmos mudar um sistema ou lograr sucesso nas nossas intenções, não somos capazes de pensar em nada além de guerra com sangue escorrendo e as mortes se sucedendo?

 

Nem pense que com isto não estou tirando o melhor do filme, apenas sempre me intrigou esta necessidade que o “homem” tem de guerrear. Sejam quais forem os objetivos, parece que a única solução sempre foi e continuará sendo por muito tempo ainda, esta maldita fixação por guerra, sangue, destruição e morte.

 

Talvez por esta razão, tenho feito com que cada dia mais o meu mundo interior anseie, procure, encontre e vivencie o equilíbrio e a paz. Juro que ainda nesta vida eu conseguirei ser assim.

 

Só mais um detalhe. Há necessidade de sermos tão absolutamente carrancudos, isentos de sorrisos e demonstrações de afeto, para mostrar que temos o domínio da razão?

 
 
 
 
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