“LOUCURA

 Cida Borges

Existe um lado frio, amedrontador, paralisador e perverso em nossa mente. Bastam poucos pensamentos desarmonizados para alimentar e fazer jorrar suas ordens, aniquilando nossas vontades, predominando sobre nossas atitudes. É um lado grotesco, assustador e dominador.

 

Parece que se infiltra como raízes, alastrando, abrindo espaços, conduzindo pensamentos, destruindo e devorando nossa razão.

 

Alimenta-se do negro, obscuro, maquiavélico e cresce desmesuradamente. Tolhe nossas vontades, toma conta do nosso eu, escurece os nossos olhos e nos leva à loucura.

 

Tem uma força arrasadora, domina e atrai com a rapidez de um relâmpago, cria armadilhas e crava suas lanças. Destrói a nossa vida, causa-nos cegueira, diminui nossos horizontes e nos arremessa ao nada.Vomita suas entranhas maculando nossas vidas, cria sombras, deixa nódoas, abraça a tormenta e nos joga ao medo.

 

Suas armas são poderosas pois alimentam-se das nossas fraquezas, encontram afinidades em nosso intimo, juntam-se, criam forças, sugam nossas energias, reduzem-nos ao bagaço e nos conduzem à demência. Ela é ardilosa, tolhe, nega evidências, desmoraliza, arquiteta planos, visa o enfraquecimento e efetiva a nossa autodestruição.

 

Nossas verdades viram mentiras, nossas crenças, em descrença e nossa luz....escuridão.

 

Tomar cuidado parece fácil, mas seus domínios se agigantam e se concretizam. Medo, fúria, desespero, culpa, ódio,vingança, encolhimento e viramos sombra de nos mesmos.

 

Dizem que o fio que separa a razão da loucura é mais fino que uma linha. Eu digo que é um túnel, vazio, úmido, frio, escuro do tipo cavernoso. Devemos evitar ao máximo adentrá-lo; uma vez iniciada a caminhada, dificilmente acharemos o caminho da volta.

 

Encontramos sua pegadas no desamor, na desilusão, na miséria, na dor, na doença, no abandono e, principalmente, no medo. Está no vinco de cada rosto que sofre e em toda dor da desilusão. No choro desesperado e, principalmente, no pranto sem lágrimas, seco, doído, olhos vidrados, sem alma nem coração.

 

O momento mais delicado é o da escolha, quando você definitivamente se encontra na boca do túnel. Quando terá que optar em adentrá-lo ou virar-lhe as costas e encarar o brilho da luz. Ela pode ser tão forte que parece ferir nossos olhos, mas acostumando-se a ela, envolvendo-se e se misturando ao seu brilho, nos reenergizamos. Quanto mais o mundo nos conduzir ao túnel, mais fortemente devemos nos agarrar a ela. É a única forma de nos  mantermos felizes, aquecidos e iluminados dentro da nossa  natural mas...  positiva loucura.

 
 
 
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