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HIPNOTISMO E ESPIRITISMO
Pesquisa Sobre os Fenômenos Hipnóticos e Espiríticos
CÉSAR LOMBROSO
Traduzido do original italiano sob o titulo:
“FENOMENI IPNOTICI E SPIRITICI”
Por Carlos Imbassahy
Lake – 1960
Donna Crystal
RESENHA
César Lombroso, cientista
renomado em sua época, nos deixa claro neste livro, HIPNOTISMO E
ESPIRITISMO, que por longos anos a sua posição era totalmente cética
e contrária aos assuntos relacionados ao espírito. Defendeu durante
quase toda a sua vida científica a tese de que toda força era uma
propriedade da matéria, e a alma, uma emanação do cérebro.
Recusava-se, inclusive, em assistir às experiências espiríticas
(famosas sessões espíritas tão em voga na Europa do século XVIIII),
por tratar-se de uma teoria repudiada e considerada ridícula.
Na primeira parte, tratando-se do hipnotismo, veremos seus estudos
como neuropatologista, acompanhando seus pacientes epilépticos ou
hipnótico-histéricos em plena crise. Vemos, também, como fora
obrigado a constatar uma imensa série de fenômenos psíquicos sem
qualquer explicação segura e admitir que mais pertenciam ao mundo
oculto que ao fisiológico.
Já na segunda parte, após
uma rápida explicação sobre a sua posição adversa aos fenômenos
espiríticos, acabou por aceitar presenciar em um albergue em Nápoles
uma experiência só com a médium Eusápia em pleno dia. Após ver
soerguerem-se pesadíssimos objetos, resolveu ocupar-se do assunto.
O livro, conseqüência de um trabalho sério do autor com ajuda de
seus colegas, os professores Marzorati, Ochorowiz, Imoda, Richet e
Vesme, aos quais ele dedica seus agradecimentos, procura esclarecer
que, quando as explicações não encontram eco no mundo científico,
faz-se necessário deixar de lado as idéias pré-concebidas, cheias de
preconceitos, e explorar novos caminhos, tanto no que tange os
fenômenos apresentados pela mente quanto os apresentados pelo
espírito.
Inicialmente saberemos de
dois jovens, filhos de pessoas saudáveis e inteligentes, que nas
proximidades da puberdade e em conseqüência de um crescimento
demasiado, sofrem de perturbações pulmonares. A irmã deles, também
na puberdade, cresce repentinamente 15 cms e, aos primeiros sintomas
menstruais, apresenta graves sintomas histéricos no estômago, que
perduram por dois meses, sendo que, ao terceiro mês, começou a ter
acessos de convulsão histérica e hiperestesia.
Seguiram-se outros tantos sintomas significativos até começarem a
apresentar-se os fenômenos considerados extraordinários pelo autor.
Inicialmente o sonambulismo, durante os quais notava-se grandes
mudanças comportamentais, e em seguida a transposição dos sentidos.
Seguiram-se, depois, os fenômenos de profetismo e lucidez. Previa
com atendecedência de 15/16 dias o dia e a hora em que daria seus
acessos, indicando, inclusive, o metal que os devia fazer cessar.
Estes fenômenos não eram únicos. Casos semelhantes são acompanhados
e apresentados por Petetin, Carmagnola, Despine, Frank, Dr. Anganoa,
Preyer, Berger e Heidenhain, sem chegarem, de fato, a uma explicação
científica.
Há relatos de casos de transmissão do pensamento, premonições em
histéricos e epilépticos, lucidez e profecia no sonho (estudo de
Myers), fenômenos físicos e psíquicos dos hipnóticos, desdobrando os
resultados das investigações quanto à memória, escrita, vontade,
inteligência, dinanometria, psicômetro, sensibilidade tátil,
temperatura e remédios, terminando por expor casos de polarização e
despolarização psíquica.
Nesta primeira parte, não
encontramos nenhuma alusão ao espiritismo. Verificamos, sim, a
grande diferenciação dos resultados obtidos com o tratamento dos
pacientes não hipnotizados e hipnotizados.
Entrando na segunda parte, vamos inicialmente conhecer algumas
circunstâncias da vida da médium EUSÁPIA PALADINO, pois será com ela
as experiências mediúnicas acompanhadas pelo Professor Lombroso e
seus colegas.
Eusápia nasceu em Murge em 1854. Aos oito anos viu seu pai ser
assassinado por bandidos, foi muito maltratada pela avó e, em
seguida, abandonada na rua, vindo a ser recolhida quase por
caridade, conforme relata o autor.
Desde a infância teve aparições medianímicas e alucinações que se
manifestavam como era comum naquele período: pancadas nos móveis,
tinha suas roupas rasgadas e, à noite, via fantasmas.
Seus fenômenos espiríticos começaram a ser conhecidos em 1863,
quando numa sessão em Londres, um espírito de nome John informou a
Damiani que em Nápoles havia uma grande médium de nome Eusápia e que
esta fôra sua filha.
Desde então, foram feitos verdadeiros aprendizados medianímicos e
que, segundo nos informa, para descrevê-los seria necessário um
enorme volume.
Porém, o Professor Lombroso se propôs a descrever somente 17 sessões
que haviam sido realizadas em Milão, em 1892, com Aksakof, Richet,
Giorgio Finzi, Ermacora, Broffério, Gerosa, Schiaparelli, Du-Prel e
com ele próprio, resumidas por Finzi.
Todas as precauções e providências eram tomadas no sentido de
evitarem fraudes: visitavam a médium, trocavam suas roupas,
amarravam ou seguravam suas mãos e seus pés e dispunham a luz
elétrica sobre a mesa de forma que pudessem dela se utilizar sempre
que necessário.
Observaram o aparecimento dos fenômenos em praticamente toda a sua
diversidade. Houve levitação e levantamento de dois lados da mesa
sob as mãos da médium. Um dos lados estava ligado a um dinamômetro
que registrava as oscilações de peso. Não se obteve, porém, o
levantamento total da mesa sem qualquer contato.
Todos os experimentos feitos foram medidos, pesados, fotografados, e
compreende-se que foram exaustivamente questionados. Concluíram que
não era possível qualquer levitação com a médium isolada do chão e
que a levitação só acontecia quando a barra da saia tocava a perna
da mesa mais próxima.
Durante a experiência, o rosto de Eusápia contorcia-se, as maõs se
contraíam e ela gemia, parecendo sofrer. Registra-se que isto se
dava sempre que estava por acontecer algum dos fenômenos.
Resumiu-se, então, seis
classes destes fenômenos, somando 44 ordens de manifestações, que
foram desde oscilações, movimentos e levantação das mesinhas, até
movimento dos objetos apenas tocados pelas mãos da médium,
movimentos e ondulações das cortinas do gabinete e das roupas da
médium, transportes de objetos, deslocamentos das cadeiras dos
fiscalizadores, movimento de origem mecânica à distância (entrada em
ação de instrumentos musicais distantes de Eusápia), levantamento da
médium no ar, radiações da cabeça e do corpo da médium, rumores de
mãos e pés, sons vocais humanos, sinais misteriosos traçados à
distância, toques, apalpamentos e apertos de mãos invisíveis
(interessante observar que em todas as menções a este fenômeno, as
partes tocadas: cabeça, mãos, ombros e braços, são descritos como
parecerem pedaços ou fragmentos de uma criatura em formação, jamais
parecem ser pessoas inteiras), aparições, entre outros
Quando estudada clinicamente, Eusápia apresentou poucas
anormalidades e todos os resultados estão detalhadamente descritos.
Os fenômenos hipnóticos nela eram freqüentes. Arullani, só com o
passar da mão em sua fronte, podia hipnotizá-la. Porém, Morselli
notou o contrário: ela era mais fácil de ser magnetizada do que
hipnotizada, sendo que, em começo de transe, tinha todas as
características do histerismo: amnésia, personificação de John King,
atitudes passionais, alucinações, etc.
Em fim de transe, quando sucediam os fenômenos mais importantes,
tinha muita sede, entrava em verdadeiras convulsões e gritava como
se estivesse em trabalho de parto. Em seguida, caía em sono profundo
e da fenda do parietal se lhe evaporava um fluido quente sensível ao
tato.
Encerrado o resumo com os estudos sobre as sessões de Eusápia,
passamos para um vasto material, abrangendo as mais diversas
condições e influências dos médiuns: reações físicas, capacidade
intelectual, menção a quatro ou mais dimensões, etc.
Este material, rico para a época em que fora escrito, visa mostrar a
espiritualidade agindo entre povos selvagens, ignorantes, comuns e
intelectualizados.
Vamos encontrar relatos de várias aparições de fantasmas visto por
médiuns, não médiuns e percebidas por animais em vários lugares ao
mesmo tempo, influência destes fantasmas interferindo diretamente na
vida das pessoas, identificação comprovada de vários destes
fantasmas e fotografias transcendentais conseguidas por célebres
fotógrafos (quase todos suspeitados por fraudes. Porém, apesar de
processos intentados contra eles, as fotografias se espalhavam cada
vez mais).
Houve, também, casos de formação de esculturas em parafina por
médiuns ignorantes da arte. Este trabalho se dava com tanta
perfeição, que o escultor O’Briem, após examinar a escultura de uma
mão, não hesitou em afirmar que, “ “entre os escultores de fama,
talvez se encontrasse um em cem capaz de modelar semelhante mão com
todos os seus detalhes, e que ainda correria o risco de falhar”.
Nota-se a crença nos espíritos dos mortos mesmo entre os selvagens,
mostrando que em todos os povos acredita-se na existência de algo
invisível que sobrevive à morte do corpo. Em populações selvagens
totalmente atéias, onde achavam que a alma seria como uma folha de
papel em branco, acreditava-se que os mortos deixavam atrás de si
uma sombra geralmente maléfica. Outros acreditavam que as almas
habitavam os ares. Temos ainda os que temiam tanto a vingança dos
espíritos, que os homicídios lhes era desconhecido.
Encontramos, ainda, um apanhado de material descrevendo sobre as
experiências com os fenômenos apresentados pelos faquires,
feiticeiros, magos, adivinhadores e todas as formas de adivinhações,
tais como astrologia, cartomancia, piromancia, aeromancia, geomancia,
entre outras.
Entre os bárbaros,
acrescenta: “se passarmos dos selvagens aos bárbaros de qualquer
idade, vamos repetir mais ou menos as mesmas coisas”
Chega-se, então, na crença popular moderna, onde, por exemplo,
camponeses sicilianos adoravam as almas dos condenados, acreditando
que eles ficavam ao lado dos fracos contra os ladrões noturnos.
Havia também os que acreditavam que os espíritos voltavam à terra
para socorrer os vivos ou até que vinham para se vingar de seus
inimigos.
Dentro do contexto, algumas observações interessantes:
“Desdenha-se a crença do povo e dos selvagens. Mas se eles não
possuem os processos dos sábios, a sua cultura, sua inteligência,
suprem-nos por uma experiência secular, cujos resultados acumulados
acabam por se tornar, em muitos casos, superiores aos dos maiores
gênios científicos. Foi assim com a influência da lua e dos meteoros
na mente humana, com a hereditariedade mórbida, com o contágio da
tuberculose, primeiramente reconhecida pelas multidões ignorantes,
enquanto os cientistas como ainda agora, (as Academias existem para
alguma coisa) davam gostosas gargalhadas”.
“Em regra, parece que os espíritos têm grande desejo de se fazerem
conhecer pelos vivos”.
Embora cite a religião cristã como talvez a maior em fenômenos
espiríticos, o autor tocou apenas de leve sobre os fenômenos de cura
produzidos por JESUS, e fez uma breve referência sobre Allan Kardec.
Poucas vezes durante as narrações dos fenômenos espiríticos tivemos
as suas opiniões pessoais. Observamos sempre a sua preocupação em
considerar a possibilidade da fraude e o mesmo rigor em ponderar
sobre a veracidade dos acontecimentos em relação ao espiritismo.
Porém, no epílogo, ele se mostra mais liberado, faz suas
considerações mantendo o paralelo entre o explicável pela ciência e
o inexplicável, que poderia ser atribuído ao fator espirítico.
O mais importante extraído deste conteúdo é a coragem destes homens,
que deixaram suas arrogâncias científicas, de explicações prontas e
desprovidas de qualquer estudo conclusivo, e foram pesquisar onde os
fatos realmente aconteciam. Com suas mentes abertas para a verdade,
não se importaram com os prováveis comentários depreciativos do
mundo acadêmico.
O chamamento é bem claro: paremos de gargalhar do conhecimento do
povo, sentados em nossa confortável “ignorância”, e nos juntemos a
ele para estudar, descobrindo o que de concreto existe e
desmistificando o que for necessário.
O progresso em qualquer segmento só acontece quando grandes homens
utilizam os resultados obtidos apenas como alicerce para
impulsioná-los a novas investidas, não se importando com o
reconhecimento, mas preocupados com o resultado do verdadeiro
conhecimento.
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