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LIMITANDO O MEU SER
por
Donna Crystal
Reabro a cortina do tempo em
forma de pensamento. Reconheço o chão que eu piso, o corpo que
me sustenta e a alma que me levanta.
O medo vira realidade e esta
possui seu peso, o frio que se instala e o silêncio que me
define.
E este desce os montes,
ultrapassa as colinas, percorre os meus jardins, adentra a minha
casa e se instala em minha voz. Um rio nasce em meus olhos,
desce pelo meu rosto e molha todas as notas, a música deixa o ar
e fecha-se ao som do piano.
Cavalguei mundos a fora e não
saí do lugar, busquei flores, colhi espinhos, joguei pétalas ao
luar e ouvi soar o sino.
Um grito rasga o silêncio e
só eu sei a sua origem. A flecha atinge o alvo e não define o
meu destino, abro o peito, espero o fim, mas o veneno é sutil,
queima, arde e não destrói.
Cravo as unhas nas
lembranças, destruo e reconstruo com um olhar, um gemido, um
suspiro e sem sorrisos.
Não lamento e me agüento. O
que é meu, só me pertence e se falo o vento leva, pras ruínas,
para os mares e só não alcança onde quero.
Fico aquém, mas vou além na
procura dos meus passos, encontro os ossos dos ancestrais, as
lendas, os contos, verdades que são mentiras, mentiras que são
verdades e não sei de onde vim.
Bato às portas, viro as
costas, lavo as roupas e seco os pés, estendo os braços, alcanço
o infinito do finito que sou eu.
Salvo a baleia e mato o
homem. Faço poesia e aplico o veneno, ergo a criança e empurro o
velho, curo feridas e machuco os corações.
Ergo os braços e toco as
estrelas, abaixo as mãos e não alcanço os meus pés, fecho os
olhos pra escuridão e encontro a claridade, me assusto e os
reabro e o momento se foi.
Saio a correr sentindo ao
vento e encontro a tempestade, empurro as ondas, abro caminho e
traspasso a dimensão. A poeira se assenta, a casa ganha
contorno, o pequeno se faz grande e o grande se esvaiu.
Passo as mãos pelos cabelos,
aliso a minha roupa, atendo ao telefone, sigo a rota e a rotina,
deste meu mundo pequeno. |