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HIPNOSE
JOEL PRIORI MAIA *
1 –
MECANISMOS DA HIPNOSE
É um estado alterado de consciência produzido artificialmente e semelhante
ao sono mas que dele se diferencia fisiologicamente pelo aparecimento
espontâneo ou em resposta a um estímulo débil, monótono e persistente de
uma de série de fenômenos ( tais como: estreitamento da consciência,
alteração da memória, aumento da sugestibilidade, alterações motoras e
sensoriais , maior labilidade do sistema nervoso autônomo) e pelo
aparecimento de uma série de idéias e respostas diferentes das que se
produziriam se o paciente estivesse em sono ou vigília.
É um procedimento no qual o paciente
permanece entre a vigília e o sono, induzido através de uma estimulação
débil, rítmica, monótona e persistente,
Não é portanto um estado de sono, mas sim
intermediário entre o sono e a vigília, em que o paciente permanece calmo,
sereno e tranqüilo, sem a necessidade de perder a consciência ou dormir,
mas sensível às sugestões que lhes são feitas pelo hipnotizador. A hipnose
age tanto no campo fisiológico como emocional, o que possibilita ao
paciente obter resultados satisfatórios com o tratamento. Este se sente
apoiado a realizar metas e objetivos que seriam difíceis de atingir no seu
estado normal. Por essa razão, reduz o tempo de tratamento, sendo
considerada uma terapia breve, notadamente em psicologia e psiquiatria.
A partir do momento em que o paciente se
encontra no estado hipnótico, o papel desempenhado pelo profissional é o
de terapeuta voltado à sua melhora progressiva. O paciente sente-se mais
livre e disposto para resolver seus problemas.
2
– Como atua a hipnose em relação ao cérebro
Segundo autores mais recentes, a hipnose age através do hemisfério
cerebral direito que é artístico e criativo. A informação chega ao sistema
nervoso central transmitida pela palavra do profissional ( pronunciada de
forma cadenciada, monótona e repetitiva ). É processada no hemisfério
cerebral direito, onde a imagem visual universal, a apreciação estética, a
habilidade criativa e a orientação espacial são em grande número, em
contraposição com o sistema analítico e crítico do hemisfério cerebral
esquerdo.
3 – A
hipnose pode ser usada na prevenção de doenças?
Reduzindo as tensões (musculares,
orgânicas e emocionais), a hipnose é também utilizada na prevenção das
doenças, como por exemplo, na ansiedade decorrente do estresse, prevenindo
entre outras, a depressão, a somatização e doenças psicossomáticas.
4 – Quem
pode exercer hipnose no Brasil?
A hipnose não é um procedimento
alternativo de terapia, sendo seu emprego regulamentado pelos Conselhos
Federais de Medicina e Psicologia. Os Cirurgiões Dentistas também a
utilizam, por força de Lei.
Textos Legais
Cirurgiões Dentistas - Artigo 6.º da Lei n.º 5081 de 24/ 08 /
1966 - § I a IV.
Conselho Federal de Medicina – Parecer n.º 42/99 de 20 / 08 /
1999
Conselho Federal de Psicologia – Resolução n.º 013/00 de
dezembro de 2000
5 – A
hipnose pode ser utilizada para produzir danos ao paciente?
Nas mãos de um profissional competente e
bem orientado, a hipnose não produz danos de qualquer natureza ao
paciente. Por outro lado, não sendo sono, o paciente permanece em um tipo
de transe, vigilante e atento, mantendo suas características morais e
intelectuais durante o procedimento. Qualquer ato atentatório à sua
moralidade ou à sua pessoa é prontamente respondido com o retorno imediato
à vigília.
6 – Todo
mundo pode ser hipnotizado? Há pessoas que resistem à técnica?
Sabemos que cerca de 95% da população é
hipnotizável em algum grau.
Existem etapas de aprofundamento da
hipnose que se iniciam na esfera muscular, prosseguem pela sensorial e
atingem a afetiva-emocional. Quanto mais profunda for a etapa atingida
pelo paciente durante o procedimento, maior o seu benefício terapêutico.
Porém é importante ressaltar que qualquer que seja a etapa que ele atinge,
os resultados são mais eficientes do que os que se obtém em vigília
(acordado) pois a hipnose produz um relaxamento físico e mental que já se
evidencia nas etapas superficiais e que aumenta a medida que ocorre o
aprofundamento do transe.
7 – Quais os
avanços da Ciência nos estudos sobre hipnose e quais as perspectivas dessa
técnica ser utilizada e hospitais e clínicas?
Apesar de ser utilizada há milhares de
anos, a hipnose atual é um procedimento científico de eficácia comprovada,
sendo aplicada por médicos, dentistas e psicólogos de mais de 70 países,
entre os quais Alemanha, Argentina, Austrália, Canadá, Chile, China,
Escandinávia, Estados Unidos, França, Holanda, Inglaterra, Israel,
Itália, Japão, México, Rússia, Singapura, Suécia e Suiça.
É recomendada pela Organização Mundial de
Saúde, como a melhor técnica operacional de terapia no tratamento das
moléstias psiquiátricas e psicossomáticas.
No Brasil, podemos citar a Sociedade
Brasileira de Hipnose que conta com inúmeras federadas estaduais, em sua
maioria filiadas à The International Society of Hypnosis, sediada na
Austrália e constituinte da The World Federation for Mental Health,
organização não governamental que assessora a Organização das Nações
Unidas.
A primeira sociedade científica que se tem
noticia no Brasil foi a instalada pelo Imperador D. Pedro II em 23 de maio
de 1887 sob a denominação de Sociedade do Magnetismo Animal e do Jury
Magnético do Rio de Janeiro.
A Sociedade de Hipnose Médica de São Paulo
foi fundada em 23 de maio de 1963 e é sucessora da Divisão Nacional do
Brasil da The International Society for Clinical and Experimental Hypnosis
fundada em 1962.
Grande parte dos hospitais brasileiros têm
em seus corpos clínicos profissionais habilitados para o exercício da
hipnose.
Quais os
principais receios dos pacientes em relação à hipnose?
São geralmente produzidos pela
desinformação e dizem respeito ao medo de morrer durante o transe, o que
não ocorre, de se submeter ao poder de uma outra pessoa, de relatar fatos
e acontecimentos que mantém como segredo,
Na hipnose não há qualquer submissão ao
hipnotizador e o paciente executa os atos que consente ou quer praticar a
seu pedido, podendo negar-se a tal procedimento. Da mesma forma, relata
apenas o que achar conveniente durante a terapia psicológica ou
psiquiátrica.
É muito comum o paciente questionar o
profissional sobre o que ocorreria se algo acontecesse ao hipnotizador,
enquanto ele estivesse em transe. A resposta é nada, pois faltando
o estímulo indutor da hipnose que é produzido pelo hipnotizador, o
paciente superficializa o transe e simplesmente acorda.
É um procedimento sem ações colaterais ou
deletérias, desde que aplicada por profissional competente e bem
orientado. Todavia, não é panacéia universal e como todo o tratamento tem
seus riscos e limitações, indicações e contra-indicações.
* Joel Priori Maia, médico psiquiatra, CRM 13781,
formado pela Escola Paulista de Medicina
( UNIFESP ) . Presidente da Sociedade de Hipnose Médica
de São Paulo, Vice-Presidente da
Sociedade Brasileira de Hipnose. Membro da The
International Society of Hypnosis e Associação
Brasileira de Psiquiatria. |