HOMOSSEXUALIDADE

Por Paulo Madjarof Filho

 

Ainda hoje as sociedades humanas mostram-se ambivalentes em suas atitudes em relação à homossexualidade, desde a bandeira apológica empunhada por entusiastas liberais da livre expressão sexual, a repudiosa agressividade homofóbica dos defensores idealistas da boa moral e costumes, a expressão homossexual envolve setores constituídos da sociedade, que manifestam-se e anseiam em avalizar sua livre expressão ou condená-la, de acordo com os valores de quem a defende.

 

O CRP (Conselho Regional de Psicologia) de São Paulo em seu Jornal de publicação trimestral lembrou na edição janeiro-março deste ano (2007), que o psicólogo não deve tratar a homossexualidade como distúrbio, baseando-se na Resolução do CFP No 01/99 de que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão. De fato foi apenas uma ratificação do que definiu a OMS (Organização Mundial da Saúde), na intenção de inibir praticas preconceituosas por profissionais de psicologia de diferentes partes do mundo.

 

Alguns historiadores afirmam que o termo homossexualidade é uma invenção recente (termo criado em 1869, por Karoly Maria Kertbeny) para afirmar uma forma de amor que existe desde os primórdios da humanidade. Como a heterossexualidade, a homossexualidade evidencia-se mais a partir da puberdade e define-se pela atração física, emocional, estética e espiritual entre os seres do mesmo sexo, constituindo-se como prática legítima de afeto.

 

Independente da opção sexual e de seus fatores de definição, a sociedade contemporânea vive, ao meu ver, um momento peculiar que se evidencia nos relatos e observações clínicas. Refiro-me a livre-sexualidade (termo improvisado por mim para definir a expressão sexual independente de escolha, pressuposto, modelo, natureza e desejo). Beijar outra pessoa, expressar afeto, sentir e dar prazer, independente da identidade nominalmente sexual, mas como uma expressão genuína e naturalmente humana. Se a voz é grossa ou não, se há pêlos ou não, se possui membro ou não, se usa saias ou não. O pressuposto é ser humano e desejar dar e receber afeto. Basta!

 

Modismo? Expressão contrária às regras instituídas ou liberdade natural das emoções e desejos? Independente das respostas, vivemos um momento histórico de transformação que será lembrado pelas gerações futuras com uma fase de transição fundamental da espécie humana. Não nos cabe classificar como acerto ou erro até que possamos aferir os resultados dessa transformação, atributo exclusivo da geração futura, entretanto podemos pressupor que seus efeitos mudarão inexoravelmente o comportamento das gerações futuras.

 
 
 
 
 

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