HISTÓRIA DA HIPNOSE

(estudo comparativo entre diferentes autores)

 

por Paulo Madjarof Filho (out/2000)

 

ERA PRÉ-CIENTÍFICA (Antes de Mesmer)

 

-          Brinca-se que a hipnose está presente desde a origem do homem, quando Deus , após colocar Adão em sono profundo, retira-lhe uma costela (LIVRO: Hip. médica e odontológica);

 

-          Chiron (928 A.C.)  ensinou hipnose à Esculápio que fazia uso no tratamento de seus doentes. Os gregos realizavam peregrinações a Epidaurus onde se encontrava o templo do deus da medicina. Utilizavam a hipnose na evocação dos expedientes de cura (Dissertação: Mello);

 

-          No Egito havia os Templos do Sono onde se aplicavam aos pacientes sugestões terapêuticas enquanto dormiam. Um papiro de 3000 anos traz informações sobre condutas hipnóticas não muito diferente da que conhecemos. Gravuras da época mostram sacerdotes-médicos no ato de indução (LIVRO: O hipnotismo);

 

-          Sabe-se na mitologia grega que Medusa fascinava homens para mantê-los à sua mercê (LIVRO: Psicoterapia e estados de transe);

 

-          Na bíblia encontram-se referências sobre o possível uso de métodos hipnóticos, como por exemplo a imposição das mãos para a obtenção de cura (LIVRO: Hip. médica e odontológica);

 

-          Na Idade Média (noite de 1000 anos – inquisição) o “toque real” ou cura divina também indicavam o uso de hipnose, quando indivíduos ao toque de uma figura sagrada eram induzidos ao transe (LIVRO: Hip. médica e odontológica);

 

-          Entre os filósofos, sábios e lideres religiosos que se dedicaram ao estudo do hipnotismo, figuram Avicena (Séc. X) e Paracelso (Séc. XVI -1529). Avicena postulava que a imaginação humana possuía poderes e força e conseguia, tão somente pela imaginação, atuar diretamente sobre o funcionamento corporal, pelas palavras, pela vontade e persuasão. Afirmava que muitos padecimentos poderiam ser curados. Parcelso foi perseguido por acreditar na imaginação e na fé (Dissertação: Mello e LIVRO: O Hipnotismo);

 

-          Padre Gassner (final do séc. XVIII), na Alemanha do Sul, realizava curas espetaculares, sob o pretexto, aos olhos da igreja, de realizar exorcismo. Era teatral e utilizava roupas pretas, um crucifixo e comandos em latim (relatos de um médico ao observar o atendimento de uma jovem, indicam a teatralidade e os métodos do padre);

 

-          A hipnose moderna teve sua origem na feitiçaria e encantamentos tal qual a química teve sua origem na alquimia (Dissertação: Mello)

 

ERA DO MAGNETIMO ANIMAL (Mesmer)

 

(referências: Paulo de Mello)

Franz Anton Mesmer (1734-1815) Nasceu em Baden na Alemanha;

 

-          Estudou em Viena onde doutorou-se com a tese Planetarium influxu (1766), onde demonstrava a influência magnética dos planetas sobre os seres humanos;

 

 

-          A notoriedade de suas curas fizeram com que o rei Luís XVI nomeasse uma comissão formada pelos cientistas Benjamin Franklin, Lavoisier, Guilhotin, e Jussieu, entre outros. Apuraram que não haviam magnetismo envolvido nas curas e que as curas se processavam pela força da imaginação de seus pacientes.

 

(Referência: Osmard Andrade Faria –Coleção Primeiros Passos)

Franz Anton Mesmer (1734-1815) Nasceu em Viena, na Áustria;

 

-          Utilizava o magnetismo dos imãs para curas diversas sem levar em conta a influência do componente pessoal e os estados de receptividade dos próprios pacientes, sensíveis ao fator sugestivo. A crença no poder de imantação e nos pretigiosos divulgadores, já eram bastante suficiente para que gozassem de prestigio terapêutico;

 

-          Terminou por atribuir a si mesmo qualidade magnéticas em face de crescente sucesso que obtinha;

 

-          Notabilizou-se por curar iminente personalidade da sociedade vienense, Srta. Oesterlin, onde a medicina tradicional havia falhado. Escreve o seu primeiro trabalho;

 

-          Torna-se rico e popular e o nome magnetismo animal é substituído por mesmerismo;

 

-          Atendia multidões e realizava milagres;

 

-          Mais tarde, desfrutando de muito prestígio, trocando o imã por sua presença, julgou-se um depositário das forças magnéticas universais. Não se deu conta de sua influência e de suas palavras, capaz de eliciar curas por sugestibilidade;

 

-          Tanta fama e prestígio atraiu a inveja de colegas menos populares que tentavam denegri-lo;

 

-          Aconteceu na pessoa de uma jovem, Maria Teresa Paradis, pianista cega e protegida da imperatriz Maria Teresa. Esta era cega desde os dois anos de idade e nem os melhores especialistas lhe puderam devolver a visão. Por seu infortúnio recebia da imperatriz uma polpuda pensão que muito agradava os seus pais. Encontra-se com Mesmer e volta a enxergar. Reúnem-se catedráticos da Faculdade de Medicina para entender o fracasso da medicina ortodoxa e o sucesso do mesmerismo. Convencem os pais da jovem que a cura era ilusória e alertam sobre o risco de perderem a pensão da imperatriz. Em desacordo com seus pais, a jovem é esbofeteada e novamente perde a visão, gerando grandes comentários;

 

-          Uma comissão o acusa de charlatanismo justificando que de fato a jovem não havia se curado, conseguindo apenas distinguir as cores;

 

-          Mesmer muda-se para França onde recomeça com mais vigor. Tantos eram os que lhe procuravam que Mesmer magnetizava árvores e muros onde as pessoas ao tocarem, recebiam sua influência magnética;

 

-          Em seu consultório constroe um banco circular onde sentavam simultaneamente cerca de 130 pessoas, bastando magnetizar uma para que todas recebessem o seu fluído, ao som de música suave, reproduzindo os mais impressionantes fenômenos de cura;

 

-          Imitadores e charlatães fazem espalhar-se pela França uma onda de bancos magnéticos, não tardando para que se manifestassem os conselhos médicos exigindo providências das autoridades;

 

-          Cria-se um conflito entre Mesmer e a classe médica que exigia explicações científicas, na tentativa de desmascará-lo;

 

-          Em 1785 Mesmer abandona a França mudando-se para a Suíça onde morreu em 1815;

 

-          Mesmer foi sem dúvida o personagem central da pré-história o hipnotismo.

 

Referência: (Psicoterapias e Estados de Transe –Lívio Pincherle)

Franz Friedrich Anton Mesmer (1734-1815) Nasceu em Iznang na Alemanha e morreu em Meresburg na Suíça;

 

-          Dedica-se aos estudos da filosofia, teosofia música e astrologia, indo mais tarde para Viena onde diploma-se em medicina, apresentando a tese “de planetarium influxu” (1775);

 

-          A tese de Mesmer é inspirada em idéias filosóficas e teosóficas do século XVI e XVII, em Paracelso, Van Helmont Fludd, Maxwell, Kircher, e baseada em conceitos metafísicos-cosmológicos de Leibnitz, e físicos de Galvani e Lavoisier;

 

-          Acreditava na influência dos fluídos magnéticos emitido pelos astros e captado pelo ferro magnético;

 

-          Colocava os indivíduos ao redor de uma tina contendo água e limalha de fero imantado. Segurando varetas os indivíduos recebiam através delas e de suas mãos, a força magnética curadora;

 

-          Seus trabalhos foram apoiados pelo padre Hell (astrônomo da universidade de Viena e astrólogo da corte de Maria Teresa);

 

-          Alguns como Gérin Ricard, em sua história do ocultismo, dizem que Hell acusou Mesmer de lhe ter roubado seus processos;

 

-          Casou-se com Anna Von Bosch, viuva de conselheiro prestigioso da corte, encaminha-se para o sucesso com uma clientela de alto nível;

 

-          Percebe que o ferro magnético torna-se desnecessário ao observar que podia transmitir o fluído, ao que chamou de magnetismo humano;

 

-          Introduziu-se tão bem na alta sociedade que os seus salões eram freqüentados pela aristocracia;

 

-          Foi malvisto por tratar uma jovem cega que, sob esse pretexto, instalou-a em sua casa. Pelo fato de estar vivendo com Mesmer e a possível perda da pensão, a mãe da jovem provocou uma cena e a terapia não teve mais sucesso. Segundo alguns a jovem sofria de amaurose histérica;

 

-          Tenta em vão introduzir suas descobertas na universidade;

 

-          Sofre perseguições após o insucesso com a Srta. Paradis e muda-se então para Paris, onde ocorre sucessos de cura espetaculares e insucesso científico;

 

-          Seu sucesso era tão grande que chegava a magnetizar árvores de seu jardim onde os pobres pudessem aproveitá-las;

 

-          Isso gera um revolta na ciência oficial da época e o rei Luís XVI nomeia uma comissão para analisar os métodos pouco ortodoxo. Todos, menos Jussieu, consideram as curas fruto da sugestão;

 

-          Ofereceu-se a Mesmer bom prêmio  para que explicasse o mecanismo da cura;

 

-          Relato da teoria em 1887, por Binet e Feré, constam a tentativa em 27 artigos um tanto confuso;

 

-          Em 1784 seu prestígio entra em declínio e em 1789 explode a revolução francesa, mudando-se Mesmer decepcionado para a Suíça (pelo desinteresse das universidades ao seu trabalho);

 

-          O mesmerismo porém espalha-se pelo mundo;

 

-          Ao final da vida, na Suíça, dedica-se ao atendimento de pacientes privados;

 

-          Recusa-se em 1812 a ensinar suas técnicas na academia prussiana;

 

-          Faleceu em 5 de março de 1815 em Moresburg, na Suíça.

 

Referência: (Hipnose Médica e Odontológica –Milton Erickson)

Franz Mesmer trabalhava com o sacerdote jesuíta Maximilian Hell que era astrônomo real em Viena, onde usavam imãs no tratamento de vários casos de histeria;

 

-          Hell atribui a cura as propriedades físicas do imã e Mesmer acreditava na redistribuição de algum tipo de fluído (magnetismo animal);

 

-          Posteriormente observou o padre Gassner curando pela imposição das mãos sobre o corpo da paciente;

 

-          O bispo ao qual Gassner era subordinado proibiu imediatamente aquele método;

 

-          Mesmer aprimora a técnica de Gassner, que parecia científica, inclusive por coincidir com a descoberta da eletricidade e alguns avanços na astronomia;

 

-          Pressionado mudou-se para Paris em 1778 onde desenvolve um “box” guarnecido com fios de ferro e imã, altamente curador;

 

-          Por causar animosidade entre o seus colegas é investigado por uma comissão designada pelo rei (Franklin, Guilhotin, Lavoisier, Jussieu entre outros). Descobriram que as pessoas sensíveis ao magnetismo e capazes de experimentar reações convulsivas quando tocadas por pedaços de madeiras, indiferenciavam as árvores magnetizadas, a menos que vissem acontecer a magnetização ou se alguém lhe dissesse que havia sido feita;

 

-          A comissão conclui que os efeitos atribuídos ao magnetismo eram resultados da imaginação dos pacientes, denunciando então Mesmer por fraude;

 

-          Mesmo desacreditado, Mesmer tornou-se responsável pelas bases da psiquiatria dinâmica moderna e suas pesquisas permitiram um melhor entendimento das relações entre sugestão hipnótica e psicoterapia.

 

Referência: (O Hipnotismo- Karl Weissmam)

Franz Anton Mesmer (XXX-1815) Morreu na Áustria;

 

-          Estudou num convento ingressando posteriormente em colégio jesuíta, em Dilligen;

 

-          Interessado em física, matemática e astrologia, ingressou na faculdade de medicina em Viena onde defende a tese “Le Planetarium Influx”

 

-          Procura demonstrar com esse trabalho a causa de doenças e as curas;

 

-          Anteriormente outros filósofos dedicaram-se a essa teoria: Kepler (autor do horóscopo de Wallestein), São Tomás de Aquino (dizia que certos objetos como os de arte e vestimenta, deviam suas qualidades aos influxos misteriosos dos astros;

 

-          A demonstração de que a explicação demonológica de Gassner e o Influxo Astral de Mesmer apresentam afinidades ideológicas, foi o interesse do padre Hell, um jesuíta professor da universidade de Viena e astrólogo da corte de Maria Teresa;

 

-          As pesquisas de Hell e Mesmer e as curas através dos imãs foi espalhado rapidamente pela imprensa;

 

-          O fluído era uma espécie de corrente elétrica que se aplicava a parte enferma do paciente, que entrava em crise caracterizada por convulsões, sem o que não seria curado;

 

-          Em princípio Mesmer usava varas de metal para depois usar apenas a imposição das mãos e os passes magnéticos (expediente usado em épocas imemoriais);

 

-          Recorreu a magnetização indireta onde as pessoas (entre 30 a 40), sentavam-se em torno de uma espécie de tina circular com garrafas magnetizadas de onde saiam varetas metálicas que seguravam. O recinto escurecido, as músicas suaves e a ocorrência de convulsões terapêuticas.

 

-          Por pressões de círculos médicos de Viena para que abandonassem sua prática terapêutica, mudou-se para Paris;

 

-          As curas assumiram em Paris proporções maiores do que em Viena e Mesmer gozava de prestígio na alta aristocracia onde o mesmerismo tornava-se moda;

 

-          Mais uma vez a medicina ortodoxa persegue Mesmer e em 1784 o rei Luís XVI insta uma comissão para apurar o mesmerismo, formado por nomes de expressão com Lavoisier, Franklin e Bailly. Estes submetem-se as sessões de mesmerização sem que experimentassem convulsões, fluidos, etc. Seriam classificados hoje como insuscetíveis. Mesmer e o mesmerismo foi classificado de embuste, fraude, farsa;

 

-          Oficialmente desacreditado, Mesmer abandona Paris. Vive sob nome suposto na Inglaterra, voltando posteriormente a Áustria onde morre em 1815;

 

-          Mesmer não mereceu essa degradação porque era sincero em suas convicções. Não reconheceu a natureza do fenômeno hipnótico que soube desencadear espetacularmente;

 

-          Ainda hoje há os que confundem magnetismo e hipnotismo.

 

 

 

ERA DO SONAMBULISMO (Pós Mesmer)

 

Referência: (O Hipnotismo – Karl Wiessmann)

Marquês de Puységur

-          Continuou os métodos do mestre até que ao hipnotizar um camponês de nome Victor, que sofria de afecção pulmonar, observou um estado sono e repouso. O paciente falou durante o transe utilizando uma linguagem polida (diferente da habitual), o que o Marquês não hesitou de chamar de sonambulismo artificial;

 

-          Observando a transcendência do fenômeno hipnótico, passa a explorá-lo sistematicamente;

 

-          Passa a sugerir, ao contrário das crises nervosas, convulsões histéricas, prantos e desmaios, uma condição de paz e repouso, ausência de dor e um estado pós hipnótico agradável;

 

-          Embora ainda utilizasse o passe magnético na indução do transe, Puységur deu um impulso decisivo ao hipnotismo científico;

 

-          Observou casos de indiscutíveis de clarividência e telepatia o que gerou o insurgimento de muitos autores contemporâneos sem desmerecer sua importância.

 

Referência: (Psicoterapias e Estados de Transe –Lívio Pincherle)

Armand Chastened – Conde de Puységur

-          Da alta nobreza, respeitado e de comportamento impecável, utilizava a mesmerização para a cura dos aldeões;

 

-          Certo dia, ao magnetizar um empregado (Victor Race), Este entra num transe diferente (sem as convulsões). Cai num sono profundo e começa a falar numa linguagem culta. Diz que está nos braços da Virgem, faz premonições e ao acordar sente-se sem asma e sem dor. Diagnosticou e prescreveu durante o sono sobre sua patologia;

 

-          O conde impressiona-se com o sono plácido (diferente do transe agitado do mesmerismo) e passa a dedicar-se mais ao estudo desse fenômeno;

 

-          Pela irregularidade destes processos, Puységur cai em descrédito, especialmente perante a academia, que em 1831, apesar de comprovar alguns fatos, rejeita o relatório Husson;

 

-          A confusão dos fenômenos parapsicológicos com a hipnose pura (até hoje!), atrasou a aceitação da hipnose pela medicina.

 

Referência: (Coleção Primeiros Passos)

Marquês Armand Marie Jacques Chastenet de Puységur

-          Ao tratar um subordinado com o magnetismo (Victor Race), surpreendeu-se com a ausência de convulsões, apresentado o mesmo um sono profundo e tranqüilo. Victor inicia neste estado, uma conversa com Puységur e o deixa estupefato, com o linguajar sofisticado, incompatível com o paciente;

 

-          Disse Victor que se sentia sem dor e como se estivesse flutuando nos braços da Virgem em maravilhoso sonho. Em outras sessões passa a descrever fatos que estavam ocorrendo a distância;

 

-          Faltou a Puységur conter os mistificadores e logo outras pessoas viviam e simulavam em diferentes pairagens e o descrédito passa a minar o seu trabalho;

 

-          Envolve-se no assunto a academia de medicina e controvertidos relatórios são apresentados para a avaliação e estudo;

 

-          É oferecido prêmio em dinheiro ao primeiro sonambúlico que conseguisse ver através de corpos opacos, dando o caso por encerrado;

 

-          Puységur foi o primeiro a obter sonambulismo hipnótico e observar fenômenos, ditos na ocasião, metapsíquicos, hoje psi ou paranormais.

 

Referência: (O Hipnotismo –Karl Weissmann)

Padre José Custódio de Faria (monge português mais conhecido por Abade Faria) Nasceu em Goa, nas Índias Portuguesas;

 

-          Tornou-se conhecido mais pela obra de Alexandre Dumas (O conde de Monte Cristo)), cujo o personagem –Abade Faria- , foi o seu próprio pai, muitas vezes gerando confusão com ele próprio;

 

-          Em plena Revolução, conhece o Marquês de Puységur e entrega-se ao estudo do hipnotismo;

 

-          Adiantou-se a Puységur cientificamente em muitos pontos;

 

-          Foi o primeiro a lançar a doutrina da sugestão –Seu método já era praticamente o nosso;

 

-          O primeiro a demonstrar que a hipnose não era sinônimo de sono;

 

-          Recomendava o relaxamento muscular e ordenava ao “sujet”: DURMA;

 

-          Foi o primeiro hipnotista na acepção científica da palavra;

 

-          O primeiro a reconhecer o lado subjetivo do fenômeno em toda sua extensão;

 

-          O primeiro a propagar que a hipnose se produzia e se explicava em função do “sujet”, e não era devido a nenhuma influência magnética do hipnotizador;

 

-          Embora tenha desmistificado a hipnose, Padre Faria era um tanto teatral. Chamava a atenção pela sua extravagância, aparatos e vestimentas;

 

-          Era popular em Paris, freqüentando salões da nobreza e da alta sociedade parisiense.

 

Referência: (Paulo de Mello)

Padre José Custódio de Faria

-          Perigrinou por mais de 20 anos pelo Oriente utilizando a hipnose;

 

-          Conclui que não há poder na hipnose pelo hipnoindutor e que tal poder estava localizado no hipnotizado;

 

-          Permitiu um grande salto para a hipnose.

 

 

Referência: (Psicoterapias e Estados de transe- Lívio Pincherle)

John Elliotson (1791-1868)

-          Em 1837 este médico inglês conhece o Barão de Du potet e com ele aprende mesmerismo e o introduz na escola onde é professor (University, College Hospital);

 

-          Tanto é o interesse dos alunos que acaba dando aula em um teatro alugado, uma vez que na enfermaria não havia espaço suficiente –“A teatralidade sempre atrai ódios”;

 

-          Tornou-se conhecido por introduzir o estetoscópio e o iodêto de potássio;

 

-          É atacado pelo uso do mesmerismo pela revista “The Lancet”;

 

-          Defende-se afirmando que a universidade existe para a pesquisa da verdade que é muito mais importante que os interesses de uma escola;

 

-          Grande pressão o faz abandonar a cátedra para fundar a revista Zoist com Esdaile (outro perseguido) e Spencer, onde publicam os resultados das cirurgias sob anestesia hipnótica e a terapia mesmérica;

 

-          Funda em Londres o “Mesmeric Hospital”.

 

Referência: (O Hipnotismo)

Dr. John Elliotson

-          Primeiro a utilizar a hipnose no tratamento da histeria;

 

-          Introduziu o estetoscópio como também o método de exame de pulmão e coração;

 

-          Fundou em Londres o “Mesmeric Hospital”;

 

-          Seus feitos terapêuticos difundiu-se por toda a Europa, inclusive a América.

 

ERA DO HIPNOTISMO

Referência: (O Hipnotismo –Karl Weissmann)

Dr. James Braid

-          Assiste uma demonstração do famoso magnetizador suiço Lafontaine em espetáculo público;

-           

-          Aceitou o fenômeno somente quando assistiu pela segunda vez, no entanto rejeitou a teoria;

 

-          Evitou a pecha de charlatanismo buscando uma causa física para o mesmerismo;

 

-          Observando Lafontaine, concluiu que a fascinação ocular e o cansaço sensorial provocavam o transe;

 

-          Obteve êxito quando em sua casa com sua esposa , empregado e amigo, pediu que fixassassem um gargalo de vaso, hipnotizando-os;

 

-          Propõe a indução do transe por um agente físico;

 

-          Descreveu como um sono nervoso e deu o nome de hipnotismo;

 

-          Quando mais tarde entendeu que a hipnose não passava pelo sono, a palavra hipnotismo já havia se consagrado;

 

-          Em 1843 publica o seu livro: Neuroypnoly, or the rationale of nervous sleep, no qual expõe os seus métodos no tratamento de doenças nervosas;

 

-          Menos atacado que seus antecessores, porém não escapou das campanhas maliciosas da classe médica. Faz maior sucesso na França;

 

-          É considerado o pai do hipnotismo moderno.

 

Referência: (Psicoterapias e Estados de transe –Lívio Pincherle)

James Braid (1795-1860) Cirurgião Escocês

-          Fala em sono nervoso que mais tarde chama de neuro-hipnótico;

 

-          Devemos a Braid a visão mais científica do hipnotismo que define como: “Um estado particular do sistema nervoso determinado por algumas manobras artificiais”.

 

-          Nesta época a hipnose era utilizada como anestésico;

 

-          Braid realizou mais de 1000 cirurgias com anestesia hipnótica;

 

-          Comete o erro de ligar a hipnose a teoria frenológica de Gall onde o toque em certas regiões cranianas ativariam determinadas faculdades e estados mentais.

 

 

Referência: (Hipnose Médica e Odontológica)

 James Braid

-          Ao perceber o equivoco do nome hipnose tenta mudar para monoideísmo (concentração sobre uma idéia), sem sucesso.

 

 

Referência: (Psicoterapias e Estados de Transe)

Jean Martin Charcot (1825-1893) Neuro-psiquiatra de Salpetrière

-          Ainda fala das forças de magnetos aplicados;

 

-          Afirma que a força do hipnotizador atinge somente as histéricas;

 

-          Exibe a hipnose no auditório (de forma teatral) onde as pacientes previamente preparadas, entram ao som de um gongo;

 

-          Estudou o fenômeno hipnótico com Richet;

 

-          Definiu o fenômeno hipnótico como uma neurose artificial com três estados: Catalepsia-Letargia-Sonambulismo;

 

-          Seu trabalho é mal dirigido e dizem que jamais foi visto hipnotizando um paciente;

 

-          Devemos a Charcot a hipnose científica introduzida no ambiente universitário;

 

-          Suas teorias não resistem às críticas dos dias atuais:

-          Os 3 estados não obrigatórios (Catalepsia-Letargia-Sonambulismo);

-          Hipnose não é patologia;

-          As contraturas musculares e a anestesia em hipnose não decorrem de pressões sobre determinados pontos ao longo do nervo periférico;

-          A letargia não depende da excitabilidade neuro-muscular

 

Referência: (Psicoterapias e Estados de Transe)

Ambroise Auguste Liébeault da Escola de Nancy estuda hipnotismo sem muito alarde

-          Escreve um livro (De La Suggestion) que em muitos anos vendeu um único exemplar;

 

-          Discorda frontalmente de Charcot por conseguir hipnotizar enfermeiras e colegas que não são histéricas;

 

-          Une-se a Bernhein nos estudos da hipnose.

 

 

Bernheim

-          propõe a lei do ideodinamismo explicando que uma idéia pode tornar-se sensação ou neutralizá-la. “Nada está no intelecto se antes não estivera nos sentidos e nada está nos sentidos se antes não estivera no intelecto”.

 

-          Nega a relação proposta por Charcot de hipnose com histeria e a existência de pontos hipnógenos.

 

Sigmund Freud (1856-1939)

-          Responsável pelo afastamento da hipnose da terapia psiquiátrica por mais de 60 anos;

 

-          Em 1882, Breuer apresenta a Freud um caso de uma paciente histérica de 20 anos em Viena, que não conseguia beber água;

 

-          A partir deste caso Freud teoriza que traumas psíquicos foram guardados fora da memória normal, criando comportamentos simbólicos;

 

-          Decide ir a Salpetrière estudar hipnose com Charcot (que não se mostrava um mestre adequado);

 

-          Sente que não é capaz de hipnotizar sonambulicamente todos os seus pacientes e procura nova forma então de tratá-los: Interpretação de comportamento simbólicos, livre associação e análise dos sonhos;

 

-          Na teoria psicanálitica a hipnose é vista como uma submissão masoquista erótica por parte do hipnotizador.

 

Referência: (Psicoterapias e Estados de Transe)

Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936), Na Rússia

-          Estuda um novo conceito: reflexo-condicionado;

 

-          Cria uma interpretação fisiológica para a hipnose;

 

EVENTOS

1o Congresso Mundial de Hipnose ocorre em Paris em 1889, onde estão presentes os principais nomes da medicina (Charcot, Richet, Forel, Babinski, Freud, Willian James, Bernhein Liebeault, entre outros).

 
 
 
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