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HISTÓRIA DA HIPNOSE
(estudo comparativo entre diferentes autores)
por Paulo Madjarof
Filho (out/2000)
ERA PRÉ-CIENTÍFICA (Antes de Mesmer)
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Brinca-se que a hipnose está presente desde a origem do homem,
quando Deus , após colocar Adão em sono profundo, retira-lhe uma
costela (LIVRO: Hip. médica e odontológica);
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Chiron (928 A.C.)
ensinou hipnose à Esculápio que fazia uso no tratamento de seus
doentes. Os gregos realizavam peregrinações a Epidaurus onde se
encontrava o templo do deus da medicina. Utilizavam a hipnose na
evocação dos expedientes de cura (Dissertação: Mello);
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No
Egito havia os Templos do Sono onde se aplicavam aos pacientes
sugestões terapêuticas enquanto dormiam. Um papiro de 3000 anos traz
informações sobre condutas hipnóticas não muito diferente da que
conhecemos. Gravuras da época mostram sacerdotes-médicos no ato de
indução (LIVRO: O hipnotismo);
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Sabe-se na mitologia grega que Medusa fascinava homens para
mantê-los à sua mercê (LIVRO: Psicoterapia e estados de transe);
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Na
bíblia encontram-se referências sobre o possível uso de métodos
hipnóticos, como por exemplo a imposição das mãos para a obtenção de
cura (LIVRO: Hip. médica e odontológica);
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Na
Idade Média (noite de 1000 anos – inquisição) o “toque real” ou cura
divina também indicavam o uso de hipnose, quando indivíduos ao toque
de uma figura sagrada eram induzidos ao transe (LIVRO: Hip. médica e
odontológica);
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Entre
os filósofos, sábios e lideres religiosos que se dedicaram ao estudo
do hipnotismo, figuram Avicena (Séc. X) e Paracelso (Séc. XVI
-1529). Avicena postulava que a imaginação humana possuía poderes e
força e conseguia, tão somente pela imaginação, atuar diretamente
sobre o funcionamento corporal, pelas palavras, pela vontade e
persuasão. Afirmava que muitos padecimentos poderiam ser curados.
Parcelso foi perseguido por acreditar na imaginação e na fé
(Dissertação: Mello e LIVRO: O Hipnotismo);
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Padre
Gassner (final do séc. XVIII), na Alemanha do Sul, realizava curas
espetaculares, sob o pretexto, aos olhos da igreja, de realizar
exorcismo. Era teatral e utilizava roupas pretas, um crucifixo e
comandos em latim (relatos de um médico ao observar o atendimento de
uma jovem, indicam a teatralidade e os métodos do padre);
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A
hipnose moderna teve sua origem na feitiçaria e encantamentos tal
qual a química teve sua origem na alquimia (Dissertação: Mello)
ERA DO MAGNETIMO ANIMAL (Mesmer)
(referências: Paulo de Mello)
Franz Anton Mesmer (1734-1815) Nasceu em Baden na Alemanha;
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Estudou em Viena onde doutorou-se com a tese Planetarium influxu
(1766), onde demonstrava a influência magnética dos planetas sobre
os seres humanos;
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A
notoriedade de suas curas fizeram com que o rei Luís XVI nomeasse
uma comissão formada pelos cientistas Benjamin Franklin, Lavoisier,
Guilhotin, e Jussieu, entre outros. Apuraram que não haviam
magnetismo envolvido nas curas e que as curas se processavam pela
força da imaginação de seus pacientes.
(Referência: Osmard Andrade Faria –Coleção Primeiros Passos)
Franz Anton Mesmer (1734-1815) Nasceu em Viena, na Áustria;
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Utilizava o magnetismo dos imãs para curas diversas sem levar em
conta a influência do componente pessoal e os estados de
receptividade dos próprios pacientes, sensíveis ao fator sugestivo.
A crença no poder de imantação e nos pretigiosos divulgadores, já
eram bastante suficiente para que gozassem de prestigio terapêutico;
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Terminou por atribuir a si mesmo qualidade magnéticas em face de
crescente sucesso que obtinha;
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Notabilizou-se por curar iminente personalidade da sociedade
vienense, Srta. Oesterlin, onde a medicina tradicional havia
falhado. Escreve o seu primeiro trabalho;
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Torna-se rico e popular e o nome magnetismo animal é substituído por
mesmerismo;
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Atendia multidões e realizava milagres;
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Mais
tarde, desfrutando de muito prestígio, trocando o imã por sua
presença, julgou-se um depositário das forças magnéticas universais.
Não se deu conta de sua influência e de suas palavras, capaz de
eliciar curas por sugestibilidade;
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Tanta
fama e prestígio atraiu a inveja de colegas menos populares que
tentavam denegri-lo;
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Aconteceu na pessoa de uma jovem, Maria Teresa Paradis, pianista
cega e protegida da imperatriz Maria Teresa. Esta era cega desde os
dois anos de idade e nem os melhores especialistas lhe puderam
devolver a visão. Por seu infortúnio recebia da imperatriz uma
polpuda pensão que muito agradava os seus pais. Encontra-se com
Mesmer e volta a enxergar. Reúnem-se catedráticos da Faculdade de
Medicina para entender o fracasso da medicina ortodoxa e o sucesso
do mesmerismo. Convencem os pais da jovem que a cura era ilusória e
alertam sobre o risco de perderem a pensão da imperatriz. Em
desacordo com seus pais, a jovem é esbofeteada e novamente perde a
visão, gerando grandes comentários;
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Uma
comissão o acusa de charlatanismo justificando que de fato a jovem
não havia se curado, conseguindo apenas distinguir as cores;
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Mesmer
muda-se para França onde recomeça com mais vigor. Tantos eram os que
lhe procuravam que Mesmer magnetizava árvores e muros onde as
pessoas ao tocarem, recebiam sua influência magnética;
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Em seu
consultório constroe um banco circular onde sentavam simultaneamente
cerca de 130 pessoas, bastando magnetizar uma para que todas
recebessem o seu fluído, ao som de música suave, reproduzindo os
mais impressionantes fenômenos de cura;
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Imitadores e charlatães fazem espalhar-se pela França uma onda de
bancos magnéticos, não tardando para que se manifestassem os
conselhos médicos exigindo providências das autoridades;
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Cria-se um conflito entre Mesmer e a classe médica que exigia
explicações científicas, na tentativa de desmascará-lo;
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Em
1785 Mesmer abandona a França mudando-se para a Suíça onde morreu em
1815;
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Mesmer
foi sem dúvida o personagem central da pré-história o hipnotismo.
Referência: (Psicoterapias e Estados de Transe –Lívio Pincherle)
Franz Friedrich Anton Mesmer
(1734-1815) Nasceu em Iznang na Alemanha e morreu em Meresburg na
Suíça;
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Dedica-se aos estudos da filosofia, teosofia música e astrologia,
indo mais tarde para Viena onde diploma-se em medicina, apresentando
a tese “de planetarium influxu” (1775);
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A tese
de Mesmer é inspirada em idéias filosóficas e teosóficas do século
XVI e XVII, em Paracelso, Van Helmont Fludd, Maxwell, Kircher, e
baseada em conceitos metafísicos-cosmológicos de Leibnitz, e físicos
de Galvani e Lavoisier;
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Acreditava na influência dos fluídos magnéticos emitido pelos astros
e captado pelo ferro magnético;
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Colocava os indivíduos ao redor de uma tina contendo água e limalha
de fero imantado. Segurando varetas os indivíduos recebiam através
delas e de suas mãos, a força magnética curadora;
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Seus
trabalhos foram apoiados pelo padre Hell (astrônomo da universidade
de Viena e astrólogo da corte de Maria Teresa);
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Alguns
como Gérin Ricard, em sua história do ocultismo, dizem que Hell
acusou Mesmer de lhe ter roubado seus processos;
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Casou-se com Anna Von Bosch, viuva de conselheiro prestigioso da
corte, encaminha-se para o sucesso com uma clientela de alto nível;
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Percebe que o ferro magnético torna-se desnecessário ao observar que
podia transmitir o fluído, ao que chamou de magnetismo humano;
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Introduziu-se tão bem na alta sociedade que os seus salões eram
freqüentados pela aristocracia;
-
Foi
malvisto por tratar uma jovem cega que, sob esse pretexto,
instalou-a em sua casa. Pelo fato de estar vivendo com Mesmer e a
possível perda da pensão, a mãe da jovem provocou uma cena e a
terapia não teve mais sucesso. Segundo alguns a jovem sofria de
amaurose histérica;
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Tenta
em vão introduzir suas descobertas na universidade;
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Sofre
perseguições após o insucesso com a Srta. Paradis e muda-se então
para Paris, onde ocorre sucessos de cura espetaculares e insucesso
científico;
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Seu
sucesso era tão grande que chegava a magnetizar árvores de seu
jardim onde os pobres pudessem aproveitá-las;
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Isso
gera um revolta na ciência oficial da época e o rei Luís XVI nomeia
uma comissão para analisar os métodos pouco ortodoxo. Todos, menos
Jussieu, consideram as curas fruto da sugestão;
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Ofereceu-se a Mesmer bom prêmio para que explicasse o mecanismo da
cura;
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Relato
da teoria em 1887, por Binet e Feré, constam a tentativa em 27
artigos um tanto confuso;
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Em
1784 seu prestígio entra em declínio e em 1789 explode a revolução
francesa, mudando-se Mesmer decepcionado para a Suíça (pelo
desinteresse das universidades ao seu trabalho);
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O
mesmerismo porém espalha-se pelo mundo;
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Ao
final da vida, na Suíça, dedica-se ao atendimento de pacientes
privados;
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Recusa-se em 1812 a ensinar suas técnicas na academia prussiana;
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Faleceu em 5 de março de 1815 em Moresburg, na Suíça.
Referência: (Hipnose Médica e Odontológica –Milton Erickson)
Franz Mesmer trabalhava com o sacerdote
jesuíta Maximilian Hell que era astrônomo real em Viena, onde usavam
imãs no tratamento de vários casos de histeria;
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Hell
atribui a cura as propriedades físicas do imã e Mesmer acreditava na
redistribuição de algum tipo de fluído (magnetismo animal);
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Posteriormente observou o padre Gassner curando pela imposição das
mãos sobre o corpo da paciente;
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O
bispo ao qual Gassner era subordinado proibiu imediatamente aquele
método;
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Mesmer
aprimora a técnica de Gassner, que parecia científica, inclusive por
coincidir com a descoberta da eletricidade e alguns avanços na
astronomia;
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Pressionado mudou-se para Paris em 1778 onde desenvolve um “box”
guarnecido com fios de ferro e imã, altamente curador;
-
Por
causar animosidade entre o seus colegas é investigado por uma
comissão designada pelo rei (Franklin, Guilhotin, Lavoisier, Jussieu
entre outros). Descobriram que as pessoas sensíveis ao magnetismo e
capazes de experimentar reações convulsivas quando tocadas por
pedaços de madeiras, indiferenciavam as árvores magnetizadas, a
menos que vissem acontecer a magnetização ou se alguém lhe dissesse
que havia sido feita;
-
A
comissão conclui que os efeitos atribuídos ao magnetismo eram
resultados da imaginação dos pacientes, denunciando então Mesmer por
fraude;
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Mesmo
desacreditado, Mesmer tornou-se responsável pelas bases da
psiquiatria dinâmica moderna e suas pesquisas permitiram um melhor
entendimento das relações entre sugestão hipnótica e psicoterapia.
Referência: (O Hipnotismo- Karl Weissmam)
Franz Anton Mesmer (XXX-1815) Morreu na Áustria;
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Estudou num convento ingressando posteriormente em colégio jesuíta,
em Dilligen;
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Interessado em física, matemática e astrologia, ingressou na
faculdade de medicina em Viena onde defende a tese “Le Planetarium
Influx”
-
Procura demonstrar com esse trabalho a causa de doenças e as curas;
-
Anteriormente outros filósofos dedicaram-se a essa teoria: Kepler
(autor do horóscopo de Wallestein), São Tomás de Aquino (dizia que
certos objetos como os de arte e vestimenta, deviam suas qualidades
aos influxos misteriosos dos astros;
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A
demonstração de que a explicação demonológica de Gassner e o Influxo
Astral de Mesmer apresentam afinidades ideológicas, foi o interesse
do padre Hell, um jesuíta professor da universidade de Viena e
astrólogo da corte de Maria Teresa;
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As
pesquisas de Hell e Mesmer e as curas através dos imãs foi espalhado
rapidamente pela imprensa;
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O
fluído era uma espécie de corrente elétrica que se aplicava a parte
enferma do paciente, que entrava em crise caracterizada por
convulsões, sem o que não seria curado;
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Em
princípio Mesmer usava varas de metal para depois usar apenas a
imposição das mãos e os passes magnéticos (expediente usado em
épocas imemoriais);
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Recorreu a magnetização indireta onde as pessoas (entre 30 a 40),
sentavam-se em torno de uma espécie de tina circular com garrafas
magnetizadas de onde saiam varetas metálicas que seguravam. O
recinto escurecido, as músicas suaves e a ocorrência de convulsões
terapêuticas.
-
Por
pressões de círculos médicos de Viena para que abandonassem sua
prática terapêutica, mudou-se para Paris;
-
As
curas assumiram em Paris proporções maiores do que em Viena e Mesmer
gozava de prestígio na alta aristocracia onde o mesmerismo
tornava-se moda;
-
Mais
uma vez a medicina ortodoxa persegue Mesmer e em 1784 o rei Luís XVI
insta uma comissão para apurar o mesmerismo, formado por nomes de
expressão com Lavoisier, Franklin e Bailly. Estes submetem-se as
sessões de mesmerização sem que experimentassem convulsões, fluidos,
etc. Seriam classificados hoje como insuscetíveis. Mesmer e o
mesmerismo foi classificado de embuste, fraude, farsa;
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Oficialmente desacreditado, Mesmer abandona Paris. Vive sob nome
suposto na Inglaterra, voltando posteriormente a Áustria onde morre
em 1815;
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Mesmer
não mereceu essa degradação porque era sincero em suas convicções.
Não reconheceu a natureza do fenômeno hipnótico que soube
desencadear espetacularmente;
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Ainda
hoje há os que confundem magnetismo e hipnotismo.
ERA DO SONAMBULISMO (Pós Mesmer)
Referência: (O Hipnotismo – Karl Wiessmann)
Marquês de Puységur
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Continuou os métodos do mestre até que ao hipnotizar um camponês de
nome Victor, que sofria de afecção pulmonar, observou um estado sono
e repouso. O paciente falou durante o transe utilizando uma
linguagem polida (diferente da habitual), o que o Marquês não
hesitou de chamar de sonambulismo artificial;
-
Observando a transcendência do fenômeno hipnótico, passa a
explorá-lo sistematicamente;
-
Passa
a sugerir, ao contrário das crises nervosas, convulsões histéricas,
prantos e desmaios, uma condição de paz e repouso, ausência de dor e
um estado pós hipnótico agradável;
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Embora
ainda utilizasse o passe magnético na indução do transe, Puységur
deu um impulso decisivo ao hipnotismo científico;
-
Observou casos de indiscutíveis de clarividência e telepatia o que
gerou o insurgimento de muitos autores contemporâneos sem desmerecer
sua importância.
Referência: (Psicoterapias e Estados de Transe –Lívio Pincherle)
Armand Chastened –
Conde de Puységur
-
Da
alta nobreza, respeitado e de comportamento impecável, utilizava a
mesmerização para a cura dos aldeões;
-
Certo
dia, ao magnetizar um empregado (Victor Race), Este entra num transe
diferente (sem as convulsões). Cai num sono profundo e começa a
falar numa linguagem culta. Diz que está nos braços da Virgem, faz
premonições e ao acordar sente-se sem asma e sem dor. Diagnosticou e
prescreveu durante o sono sobre sua patologia;
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O
conde impressiona-se com o sono plácido (diferente do transe agitado
do mesmerismo) e passa a dedicar-se mais ao estudo desse fenômeno;
-
Pela
irregularidade destes processos, Puységur cai em descrédito,
especialmente perante a academia, que em 1831, apesar de comprovar
alguns fatos, rejeita o relatório Husson;
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A
confusão dos fenômenos parapsicológicos com a hipnose pura (até
hoje!), atrasou a aceitação da hipnose pela medicina.
Referência: (Coleção Primeiros Passos)
Marquês Armand Marie Jacques
Chastenet de Puységur
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Ao
tratar um subordinado com o magnetismo (Victor Race), surpreendeu-se
com a ausência de convulsões, apresentado o mesmo um sono profundo e
tranqüilo. Victor inicia neste estado, uma conversa com Puységur e o
deixa estupefato, com o linguajar sofisticado, incompatível com o
paciente;
-
Disse
Victor que se sentia sem dor e como se estivesse flutuando nos
braços da Virgem em maravilhoso sonho. Em outras sessões passa a
descrever fatos que estavam ocorrendo a distância;
-
Faltou
a Puységur conter os mistificadores e logo outras pessoas viviam e
simulavam em diferentes pairagens e o descrédito passa a minar o seu
trabalho;
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Envolve-se no assunto a academia de medicina e controvertidos
relatórios são apresentados para a avaliação e estudo;
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É
oferecido prêmio em dinheiro ao primeiro sonambúlico que conseguisse
ver através de corpos opacos, dando o caso por encerrado;
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Puységur foi o primeiro a obter sonambulismo hipnótico e observar
fenômenos, ditos na ocasião, metapsíquicos, hoje psi ou paranormais.
Referência: (O Hipnotismo –Karl Weissmann)
Padre José Custódio de Faria (monge
português mais conhecido por Abade Faria) Nasceu em Goa, nas Índias
Portuguesas;
-
Tornou-se conhecido mais pela obra de Alexandre Dumas (O conde de
Monte Cristo)), cujo o personagem –Abade Faria- , foi o seu próprio
pai, muitas vezes gerando confusão com ele próprio;
-
Em
plena Revolução, conhece o Marquês de Puységur e entrega-se ao
estudo do hipnotismo;
-
Adiantou-se a Puységur cientificamente em muitos pontos;
-
Foi o
primeiro a lançar a doutrina da sugestão –Seu método já era
praticamente o nosso;
-
O
primeiro a demonstrar que a hipnose não era sinônimo de sono;
-
Recomendava o relaxamento muscular e ordenava ao “sujet”: DURMA;
-
Foi o
primeiro hipnotista na acepção científica da palavra;
-
O
primeiro a reconhecer o lado subjetivo do fenômeno em toda sua
extensão;
-
O
primeiro a propagar que a hipnose se produzia e se explicava em
função do “sujet”, e não era devido a nenhuma influência magnética
do hipnotizador;
-
Embora
tenha desmistificado a hipnose, Padre Faria era um tanto teatral.
Chamava a atenção pela sua extravagância, aparatos e vestimentas;
-
Era
popular em Paris, freqüentando salões da nobreza e da alta sociedade
parisiense.
Referência: (Paulo de Mello)
Padre José Custódio de Faria
-
Perigrinou por mais de 20 anos pelo Oriente utilizando a hipnose;
-
Conclui que não há poder na hipnose pelo hipnoindutor e que tal
poder estava localizado no hipnotizado;
-
Permitiu um grande salto para a hipnose.
Referência: (Psicoterapias e Estados de transe- Lívio Pincherle)
John Elliotson (1791-1868)
-
Em
1837 este médico inglês conhece o Barão de Du potet e com ele
aprende mesmerismo e o introduz na escola onde é professor (University,
College Hospital);
-
Tanto
é o interesse dos alunos que acaba dando aula em um teatro alugado,
uma vez que na enfermaria não havia espaço suficiente –“A
teatralidade sempre atrai ódios”;
-
Tornou-se conhecido por introduzir o estetoscópio e o iodêto de
potássio;
-
É
atacado pelo uso do mesmerismo pela revista “The Lancet”;
-
Defende-se afirmando que a universidade existe para a pesquisa da
verdade que é muito mais importante que os interesses de uma escola;
-
Grande
pressão o faz abandonar a cátedra para fundar a revista Zoist com
Esdaile (outro perseguido) e Spencer, onde publicam os resultados
das cirurgias sob anestesia hipnótica e a terapia mesmérica;
-
Funda
em Londres o “Mesmeric Hospital”.
Referência: (O Hipnotismo)
Dr. John Elliotson
-
Primeiro a utilizar a hipnose no tratamento da histeria;
-
Introduziu o estetoscópio como também o método de exame de pulmão e
coração;
-
Fundou
em Londres o “Mesmeric Hospital”;
-
Seus
feitos terapêuticos difundiu-se por toda a Europa, inclusive a
América.
ERA DO HIPNOTISMO
Referência: (O Hipnotismo –Karl Weissmann)
Dr. James Braid
-
Assiste uma demonstração do famoso magnetizador suiço Lafontaine em
espetáculo público;
-
-
Aceitou o fenômeno somente quando assistiu pela segunda vez, no
entanto rejeitou a teoria;
-
Evitou
a pecha de charlatanismo buscando uma causa física para o mesmerismo;
-
Observando Lafontaine, concluiu que a fascinação ocular e o cansaço
sensorial provocavam o transe;
-
Obteve
êxito quando em sua casa com sua esposa , empregado e amigo, pediu
que fixassassem um gargalo de vaso, hipnotizando-os;
-
Propõe
a indução do transe por um agente físico;
-
Descreveu como um sono nervoso e deu o nome de hipnotismo;
-
Quando
mais tarde entendeu que a hipnose não passava pelo sono, a palavra
hipnotismo já havia se consagrado;
-
Em
1843 publica o seu livro: Neuroypnoly, or the rationale of nervous
sleep, no qual expõe os seus métodos no tratamento de doenças
nervosas;
-
Menos
atacado que seus antecessores, porém não escapou das campanhas
maliciosas da classe médica. Faz maior sucesso na França;
-
É
considerado o pai do hipnotismo moderno.
Referência: (Psicoterapias e Estados de transe –Lívio Pincherle)
James Braid (1795-1860) Cirurgião
Escocês
-
Fala
em sono nervoso que mais tarde chama de neuro-hipnótico;
-
Devemos a Braid a visão mais científica do hipnotismo que define
como: “Um estado particular do sistema nervoso determinado por
algumas manobras artificiais”.
-
Nesta
época a hipnose era utilizada como anestésico;
-
Braid
realizou mais de 1000 cirurgias com anestesia hipnótica;
-
Comete
o erro de ligar a hipnose a teoria frenológica de Gall onde o toque
em certas regiões cranianas ativariam determinadas faculdades e
estados mentais.
Referência: (Hipnose Médica e Odontológica)
James Braid
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Ao
perceber o equivoco do nome hipnose tenta mudar para monoideísmo
(concentração sobre uma idéia), sem sucesso.
Referência: (Psicoterapias e Estados de Transe)
Jean Martin Charcot (1825-1893)
Neuro-psiquiatra de Salpetrière
-
Ainda
fala das forças de magnetos aplicados;
-
Afirma
que a força do hipnotizador atinge somente as histéricas;
-
Exibe
a hipnose no auditório (de forma teatral) onde as pacientes
previamente preparadas, entram ao som de um gongo;
-
Estudou o fenômeno hipnótico com Richet;
-
Definiu o fenômeno hipnótico como uma neurose artificial com três
estados: Catalepsia-Letargia-Sonambulismo;
-
Seu
trabalho é mal dirigido e dizem que jamais foi visto hipnotizando um
paciente;
-
Devemos a Charcot a hipnose científica introduzida no ambiente
universitário;
-
Suas
teorias não resistem às críticas dos dias atuais:
-
Os 3
estados não obrigatórios (Catalepsia-Letargia-Sonambulismo);
-
Hipnose não é patologia;
-
As
contraturas musculares e a anestesia em hipnose não decorrem de
pressões sobre determinados pontos ao longo do nervo periférico;
-
A
letargia não depende da excitabilidade neuro-muscular
Referência:
(Psicoterapias e Estados de Transe)
Ambroise Auguste Liébeault da Escola de Nancy estuda hipnotismo sem
muito alarde
-
Escreve um livro (De La Suggestion) que em muitos anos vendeu um
único exemplar;
-
Discorda frontalmente de Charcot por conseguir hipnotizar
enfermeiras e colegas que não são histéricas;
-
Une-se
a Bernhein nos estudos da hipnose.
Bernheim
-
propõe
a lei do ideodinamismo explicando que uma idéia pode tornar-se
sensação ou neutralizá-la. “Nada está no intelecto se antes não
estivera nos sentidos e nada está nos sentidos se antes não estivera
no intelecto”.
-
Nega a
relação proposta por Charcot de hipnose com histeria e a existência
de pontos hipnógenos.
Sigmund Freud (1856-1939)
-
Responsável pelo afastamento da hipnose da terapia psiquiátrica por
mais de 60 anos;
-
Em
1882, Breuer apresenta a Freud um caso de uma paciente histérica de
20 anos em Viena, que não conseguia beber água;
-
A
partir deste caso Freud teoriza que traumas psíquicos foram
guardados fora da memória normal, criando comportamentos simbólicos;
-
Decide
ir a Salpetrière estudar hipnose com Charcot (que não se mostrava um
mestre adequado);
-
Sente
que não é capaz de hipnotizar sonambulicamente todos os seus
pacientes e procura nova forma então de tratá-los: Interpretação de
comportamento simbólicos, livre associação e análise dos sonhos;
-
Na
teoria psicanálitica a hipnose é vista como uma submissão masoquista
erótica por parte do hipnotizador.
Referência: (Psicoterapias e Estados de Transe)
Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936),
Na Rússia
-
Estuda
um novo conceito: reflexo-condicionado;
-
Cria
uma interpretação fisiológica para a hipnose;
EVENTOS
1o
Congresso Mundial de Hipnose ocorre em Paris em 1889, onde estão
presentes os principais nomes da medicina (Charcot, Richet, Forel,
Babinski, Freud, Willian James, Bernhein Liebeault, entre outros). |