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HIPNOSE E REGRESSÃO DE IDADE
Por Paulo
Madjarof Filho
A
máquina do tempo, inventada e reinventada tantas vezes nas
produções cinematográficas, tornou-se a grande obsessão do homem
moderno. Da recriação do período jurássico através dos recursos
computacionais às excursões para o futuro. Novas cidades,
diferentes dimensões, outros mundos.
Os
físicos modernos se debruçam sobre modelos teóricos e hipotizam
a respeito de viagens através do tempo. Se toda essa discussão,
por enquanto, permeia apenas o campo da ficção e das hipóteses
teóricas, no campo do psiquismo humano a coisa se mostra um
tanto diferente, a começar pela própria atemporalidade mental.
Basta referimo-nos a fatos sofridos no passado e... sofremos
novamente.
De fato
esta flexibilidade mental-temporal é a razão principal das
angústias humanas; lamentação (o que foi) e
preocupação (o que será).
Então,
são falsas ou verdadeiras as experiências relatadas sob transe
hipnótico? Alguns pesquisadores provaram que a regressão de
idade acontece também numa instância fisiológica.
Em 1896
o fisiólogo Joseph Babinski relacionou o desaparecimento do
reflexo cutâneo plantar normal à disfunção das vias piramidais
(o teste de Babinski só é verificável a partir de alguns meses
de idade, já que o bebê não apresenta o reflexo plantar).
Conforme relatos encontrados na literatura sobre hipnose, numa
regressão induzida à tenra idade, o teste de Babinski
apresenta-se negativo, demonstrando que o indivíduo regride
também fisiologicamente, acessando uma instância arcaica de sua
neurologia.
Um
individuo regredido hipnóticamente é capaz de acessar os
“arquivos” cujos caminhos foram esquecidos no transcurso do
tempo. Tal fato pode ser comprovado ao observamos pela primeira
vez uma fotografia de nossa infância e, imediatamente,
reconstituirmos os fatos associados com certa naturalidade: “puxa,
lembro-me agora desta camisa de estampa laranja que ganhei de
minha madrinha”; “tirei esta foto no terreno onde é a
casa do Seu Juca”; “lembro-me agora que nesta época eu
tinha um triciclo vermelho”. O fato é que a fotografia
serviu apenas para eliciar o registro a muito esquecido.
É
importante que se diga que na regressão induzida hipnóticamente
o acesso ao período não acontece pela força da vontade ou
curiosidade – e esse processo é uma incógnita, mas sim por
relações pertinentes aos aspectos relacionados às experiências e
necessidades atuais de um indivíduo. Sob esta perspectiva,
muitos teóricos interpretam os sonhos. Mesmo que esses refiram
aos arquivos de toda uma existência, emerge apenas aquilo que se
relacione ao momento do sonhador, possível razão de conflito,
como algo não resolvido, compreendido.
Segundo
Pincherle, uma hipnose regressiva pode ser usada para regressão
de curto prazo, para melhorar a memória de determinados detalhes
parcialmente esquecidos ou para regredir a fases traumáticas da
infância, do parto, da gravidez e, em certos casos, para voltar
a supostas “vidas anteriores”.
Sem
dúvida a regressão de idade é um fenômeno intrigante que desafia
a compreensão lógica-racional e nos coloca à margem de nosso
núcleo – objeto de estudo de filósofos, antropólogos,
psicólogos, enfim, toda ciência que tem o homem como foco
central. As perguntas que não calam: “de onde vim? Por que
estou estou? e para onde vou?”. |