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Hipnose
e Obesidade
por Paulo Madjarof Filho
Resumo
A
hipnose tem se mostrado um eficiente recurso auxiliar terapêutico
nas diferentes áreas da saúde. Este trabalho apresenta as
observações e os resultados sobre as mudanças nos hábitos
alimentares de um paciente do sexo feminino, após a realização de
quinze sessões de hipnose sendo as dez primeiras com freqüência
diária e as cinco restantes com semanais. Utilizou-se como método de
hipnose a técnica Ericksoniana de levitação braquial atingindo-se o
nível sonambúlico de hipnose, conforme a Escala Torres Norry -
modificada por Passos. Por solicitação da paciente, enfatizou-se
durante os transes hipnóticos a ampliação de seu autocontrole quanto
aos excessos alimentares, especialmente em relação aos doces. A
observação e o acompanhamento se deram pelos relatos das
modificações dos hábitos alimentares experimentado pela paciente e,
também, pelos registros de controle de aferição de seu peso a cada
sessão. Observou-se lenta, porém progressiva, diminuição de peso a
partir da quinta sessão. Os resultados apresentados mostraram-se
especialmente significativos para este caso, dada a susceptibilidade
hipnótica da paciente e a respondência ao processo terapêutico,
sugerindo a relação do controle da ansiedade como um fator de
regulação alimentar.
1. Introdução
1.1. Obesidade
1.1.1. Conceitos de Obesidade
1.2. Hipnose
2. Desenvolvimento
2.1. A História de Ana
2.2. Proposta Terapêutica
2.3. Análise das
Sessões
2.4. Análise de Resultados
3. Bibliografias
Anexo I - Teste de Susceptibilidade de
Entrecruzamento das Mãos
Anexo II – Procedimento de Levitação de Braço
Anexo III - Escala de Aprofundamento Hipnótico
1. Introdução
O
entendimento do comportamento alimentar sob o enfoque
psicossomático, cujo os distúrbios de ordem psíquica e emocional
interferem no equilíbrio metabólico, foi justificado pelo uso da
hipnose com a finalidade de redução de peso, sobretudo pelo
equilíbrio e o controle no ato de comer.
A
hipnoterapia foi orientada especialmente para uma paciente do sexo
feminino de 40 anos de idade cuja respondência à hipnose se deu em
nível sonambúlico. Realizamos sugestões específicas como: a
aprendizagem do auto-relaxamento (como fator diminuidor de
ansiedade), crescente autocontrole, encorajamento da pratica de
exercícios físicos, fortalecimento de auto-estima e motivação, que
segundo Fonseca, durante o transe hipnótico, age despertando ou
aumentando a vontade de caminhar em uma dada direção (Fonseca,
1998).
A
paciente em sua primeira visita ao consultório, falou da
insatisfação com sua auto-imagem e de seu desejo de emagrecer. Disse
ainda que ao se sentir ansiosa descontrolava-se e comia de modo
compulsivo. Identificou a origem de sua ansiedade na ociosidade de
seu dia-a-dia, relacionando a um sentimento de vazio e
solidão.
A
utilização da hipnose como instrumento rebaixador de ansiedade foi
relatado por Fonseca (1998) em sua dissertação de mestrado e não se
mostrava para nós, nas questões de obesidade e autocontrole, como
algo novo, no entanto, desta feita, optamos pelo acompanhamento e o
registro científico/metodológico.
Após
a anamnése e a verificação da susceptibilidade hipnótica, propusemos
à paciente a voluntariedade para este trabalho metodológico, que foi
prontamente aceito. Providenciamos os recursos necessários e
agendamos a primeira sessão, conforme relataremos adiante.
Um
levantamento realizado na BIREME
apontou 67 trabalhos realizados relacionando hipnose e obesidade. O
desenvolvimento de pesquisas com essa finalidade investigativa
corroboram com a premissa das causas psicossomáticas em alguns casos
de obesidade, como também valorizam a hipnose como instrumento
terapêutico.
No
trabalho com portadores de distúrbios digestivos, Alexander concluiu
que os sentimentos influenciam diretamente as funções corporais,
sendo que o contrário também é observado, ou seja, mudanças
corporais influenciando a parte psíquica (apud Martins, 1986).
Sobre a ansiedade, Spielberger descreve ansiedade como traço e
estado de personalidade, referindo-se a última como uma tensão de
manifestação temporária que deixa de ocorrer com o desaparecimento
dos fatores desencadeantes (Spielberger, 1981).
Este
trabalho nos permitiu confirmar a eficácia da hipnose no tratamento
de distúrbios psicossomáticos através do acompanhamento e da análise
dos resultados de uma paciente, cuja resposta ao processo
terapêutico mostrou-se satisfatória, ensejando a realização de novas
pesquisas para um grupo ampliado de sujeitos.
1.1. Obesidade
Segundo Martins, os problemas de imagem corporal, mais precisamente
a discrepância entre a auto-imagem e a imagem ideal, bem como os
estereótipos sociais sobre a beleza feminina, determina uma baixa
auto-estima e uma avaliação de si próprio distorcida (Martins,
1986).
Numa
abordagem social da obesidade na sociedade contemporânea, Sichieri
aponta que não se trata apenas do homem doente, mas também o
excluído do imaginário popular de uma estética socializada. Ainda,
que a prevalência crescente reforça, em nossos dias, toda uma
popularização banalizada da própria obesidade. Pondera Sichieri que
ao obeso e aos que têm medo de se tornarem obesos, dirige-se toda
uma indústria de alimentos, equipamentos, vestuário, que tenta
reordenar hábitos, independente da apreensão da causalidade da
obesidade (Sichieri, 1998).
Em
particular, no tratamento da obesidade, não há padrões
universalmente aceitos que definam o sucesso terapêutico, a começar
pela própria dificuldade de seu entendimento científico e a
definição de gordura em excesso no corpo humano, e o modo de
medi-la.
Segundo Sichieri, em estudos laboratoriais, para medidas
individuais, a densiometria é a medida de escolha para a avaliação
de gordura, interessando especialmente o percentual de gordura, e
não a gordura total. Sichieri ainda ressalta a importância do
percentual de gordura pela relativização do padrão fenotípico do que
é ser obeso (Sichieri, 1998).
Segundo Gasparini, a obesidade por hiperfagia é caracterizada pelos
obesos que comem muito, em quantidade ou em qualidade (alimentos
muito calóricos - neste grupo estão incluídos os populares
beliscadores). Nem sempre a hiperfagia depende apenas de um
autocontrole. Além dos mecanismos psíquicos envolvidos como a
depressão, a ansiedade, a angustia, e a carência afetiva, estão
sendo cada vez mais descritas alterações orgânicas condicionantes de
hiperfagia como as alterações no centro da saciedade, hipotâlamicas
e alterações de alguns hormônios gastrointestinais (Gasparini,
2000).
Torna-se necessário então definir o percentual que caracterizaria a
obesidade, e neste caso, o índice de massa corporal (IMC), pela
facilidade da medida e sua difusão, apresentou-se favoravelmente às
intenções de nosso trabalho. O IMC é a relação de peso (Kg) dividido
pela altura (m²) e, segundo Sichieri, têm alta correlação com as
medidas de gordura corpórea (Sichieri et al., 1993).
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu como sobrepeso valores de
IMC acima de 25 Kg/m² (OMS, 1995).
No
Brasil, em levantamento do Ministério da Saúde referente ao ano de
1993, demonstrou-se que cerca de 15% da população adulta já se
encontra com sobrepeso, e 6,8% com obesidade (Sichieri, 1998).
Estudos realizados sobre a obesidade na população brasileira apontam
uma relevante diminuição da prevalência da desnutrição nos últimos
vinte anos, em comparação ao notável aumento dos casos de obesidade
(Sichieri., 1998).
1.1.1. Conceitos de Obesidade
Segundo Paiva, um dos principais critérios para definição de
obesidade corresponde ao excesso de gordura corpórea (Paiva, 1966).
Para
Sichieri a obesidade caracteriza-se pelo desequilíbrio entre consumo
alimentar e gasto energético. Sempre que o consumo é maior do que o
gasto ocorre depósito na forma de gordura e o excesso de gordura
caracterizaria a obesidade (Sichieri, 1998)
Outra referencia é a relação da obesidade com o excesso de peso
corporal (Amaro et al., 1979)
De
acordo com as tabelas da Metropolitan Insurance Life Company (Nova
York, EUA), uma pessoa é considerada obesa quando seu peso for no
mínimo 20% maior do que o considerado ideal para sua altura (Gasparini,
2000).
Outra forma de classificar a obesidade é pelo peso, que reflete, não
necessariamente (a musculatura também pesa), o excesso de gordura.
Os critérios utilizados para medir o tecido adiposo são variados.
Podemos citar a correlação do peso/altura (tabela do Metropolitan
Life InsuranceCompany), medidas de espessura de prega cutânea e o
índice de Quetelet ou Índice de Massa corpórea (IMC).
1.2. Hipnose
A hipnose, especialmente
no Brasil, sofreu durante muito tempo ações discriminatórias dos
meios científicos e associações de classe, salvo o trabalho de
homens notáveis, ícones da ciência descomprometida, permanece cada
vez mais viva em nossos dias.
Erickson em uma definição
operacional, propõe a visão da hipnose como uma susceptibilidade
ampliada para a sugestão, tendo como efeito uma alteração das
capacidades sensoriais e motoras para iniciar um comportamento
apropriado. Ainda, descreve a sugestibilidade como uma capacidade ou
a indicação da capacidade de uma pessoa de responder idéias (Erickson
et al., 1998).
Enfatiza Erickson que
muitas tentativas foram feitas na intenção de definir a hipnose, não
apenas quantos aos fenômenos envolvidos nela, mas também em termos
de seus possíveis mecanismos causais, sem, no entanto, até agora,
haver nenhuma definição que responda satisfatoriamente as perguntas
levantadas (Erickson et al., 1998).
Segundo Badra, a hipnose, em si, não é terapia. Decisiva é a
sugestão terapêutica que a acompanha, de modo claro ou implícito.
Confere acesso mais ágil ao inconsciente, facilita o manejo dos seus
processos e a abordagem dos seus conteúdos (Badra, 1987). Dá-se,
assim, uma potencialização da técnica psicoterápica usada, que age
mais direta e eficientemente. Os estados de consciência que se
apresentam durante o transe também podem surgir fora deste por
qualquer outra causa natural. São como efeitos colaterais, possíveis
em qualquer tratamento e o profissional deve estar capacitado a
resolvê-los.
Francisco Fajardo em seu Tratado de Hypnotismo, quando faz
referência à história da hipnose no Brasil, cita o trabalho de Mr.
Rostan, cuja observação demonstrou que as pessoas freqüentemente
magnetizadas tendem a emagrecer sensivelmente, justificando que a
excitação nervosa impressiona profundamente
a
nutrição (Fajardo, 1896).
Em nossa experiência
constatamos que o uso da hipnose, especificamente na psicoterapia
voltada ao controle alimentar, permitiu a ampliação e a
potencialização dos recursos individuais na direção dos objetivos do
cliente, tornando-os acessíveis.
2. Desenvolvimento
2.1. A História de Ana
A
intenção de mensurar a ação da hipnose em distúrbios de origem
psicossomáticos está presente em nossa conduta profissional e
invariavelmente temos obtido resultados motivadores, norteando nossa
percepção na direção metodológica/científica.
O
caso desta paciente, que em nosso relato daqui por diante trataremos
por Ana, mostrou-se interessante por diversos motivos. O primeiro e
talvez principal motivo, foi o fato de Ana nos procurar com uma
queixa direta e objetiva, quanto a sua intenção de recuperar sua
auto-estima através de sua auto-imagem, em sua percepção, um tanto
prejudicada. Nos chegou por indicação de uma amiga que obteve
sucesso com o processo terapêutico em hipnose.
Ana
mostrou-se uma pessoa esclarecida e ciente de seus potenciais, outro
motivo ancorador de nossa terapêutica, especialmente quando
reconheceu ter alcançado seu intento de emagrecer em outra ocasião,
quando alguém que muito estimava lhe fez apontamentos degradantes em
relação à sua aparência física. Contou que nessa ocasião, período
que estava separada e morava só com seu filho, lhe foi dito que se
tornara uma mulher gorda e desleixada, e que seria incapaz de
transformar tal situação. Disse que a princípio chorou muito, mas só
até, algumas horas depois, tomar consciência que podia sim
transformar a situação, conforme o fez. Emagreceu 8 quilos em um
único mês, com a ressalva de que não sofreu para fazê-lo, ao
contrário, sentindo-se vitoriosa. Reconhece-se incapaz hoje,
sozinha, de encontrar a força necessária para repetir a façanha.
Embora esta situação esteja se repetindo, ou seja, engordar e depois
desejar emagrecer, conta Ana que o seu peso é estável e que esses
momentos são momentos isolados. Reconhece que o aumento de peso no
primeiro caso deveu-se à instabilidade emocional vivida por sua
condição de separada conjugalmente e as novas necessidades que se
apresentavam em sua vida.
No
momento presente as circunstâncias mostraram-se bastantes diferentes
já que o fato de engordar está ligado a outros fatores. Relata que
se afastou do serviço público onde exercia o cargo de professora do
ciclo básico de ensino. O afastamento justificou-se pela necessidade
de cuidar de seu filho mais novo que apresentava problemas de saúde,
exigindo-lhe dedicação. Resolveu, por decisão própria desligar-se do
trabalho para dedicar-se exclusivamente à sua família.
Pressentiu o equívoco de sua decisão alguns meses depois quando
percebeu que o tempo que antes lhe faltara para as tarefas, agora
sobrava em demasia. Percebia-se ansiosa pelas manhãs, quando os
filhos iam à escola e o marido ao trabalho, e comia de modo
compulsivo, especialmente biscoitos e chocolates acompanhado de
leite.
Ana
é uma mulher de 40 anos cuja aparência assemelha-se a uma jovem de
30, apesar de seus dois casamentos e três filhos. Casou-se pela
primeira vez com 18 anos quando teve o seu primeiro filho,
permanecendo casada por 8 anos com seu primeiro marido. Ficou menos
de dois anos separada e ainda divorciava-se quando conheceu o seu
atual marido, com quem teve mais dois filhos.
Demonstra satisfação em falar de seu segundo casamento, fato não
observado em relação ao seu primeiro relacionamento matrimonial. Em
suas poucas referências a este relacionamento, demonstrou certo
desconforto, definindo sua relação como resultado de um desejo
familiar e a sua vulnerabilidade a esta interferência. Disse que
sequer havia namorado ou mesmo trocado intimidades antes do
casamento, tornando sua núpcias um trauma. Reconhece hoje que ambos,
ela e seu ex-marido foram vítimas do despreparo e de certa
ingenuidade.
Ana
conta sobre a importância de seu segundo casamento no
desenvolvimento de sua maturidade e a menção ao seu segundo marido
é, invariavelmente, acompanhada de um sorriso. O descreve de um modo
positivo, como uma pessoa atenciosa e dedicada, especialmente aos
filhos, mostrando-se um ótimo pai. Diz que trata os filhos de um
modo indiscriminado e que procura atender-lhes sempre que pode, o
mesmo fazendo em relação a ela própria. Este relacionamento
completou dez anos no dia em que compareceu a entrevista.
Ana
justifica a sua busca pela terapia e o seu desejo de emagrecer ao
fato de querer mostrar-se atraente ao seu marido, que é cinco anos
mais jovem que ela. Refere-se positivamente a sua vida intima e se
diz sexualmente realizada. Disse que o marido jamais realizou
qualquer cobrança para que emagrecesse, porém, jocosamente, nota o
seu velado interesse, especialmente pela televisão, nas mulheres de
aparência esguia.
Falou dos filhos, cada um deles, apontando suas qualidades, numa
clara demonstração de seu afeto maternal.
2.2. Proposta Terapêutica
Após
a anamnése, realizamos um teste de susceptibilidade hipnótica do
entrecruzamento de mãos (Anexo I) ao qual respondeu positivamente.
Orientamos Ana, a partir do teste, para um aprofundamento do transe
hipnótico, cuja respondência mostrou-se muito satisfatória.
Identificamos pela Escala de Aprofundamento Hipnótico de Torres
Norry (Anexo III), tratar-se de um bom sujet
hipnótico. Ana experimentava um nível profundo de hipnose.
Considerando as diversas variáveis que ao nosso ver mostravam-se
favoráveis para uma descrição metodológica/científica do caso,
propusemos a Ana a gratuidade de seu atendimento pela cooperação em
nosso trabalho, obtendo sua pronta adesão.
Solicitamos que aguardasse nosso contato telefônico quando então
estaríamos agendando as sessões psicoterápicas, após um minucioso
estudo do procedimento terapêutico. Assim o fizemos, três dias após
a nossa entrevista.
Na primeira sessão
terapêutica ocupamo-nos em destrinçar nossa conduta metodológica.
Propusemos a freqüência diária durante dez dias consecutivos,
excetuando o domingo, e cinco sessões subseqüentes com freqüência
semanal.
A nossa opção ao
determinar o numero e a ordem de sessões, se deu especialmente
através da análise do relato da paciente baseado em sua primeira e
brusca experiência de emagrecimento, onde o apontamento sobre o seu
estado de aparência, estimulou sua reação quase instantânea para a
reversão do quadro. Para Pavlov, a palavra, graças a toda vida
anterior do homem adulto, está ligada com todos os estímulos
exteriores que chegam ao cérebro, podendo provocar as reações do
organismo que estão condicionadas por esse estímulo (Apud Badra,
1987).
Baseamo-nos também nos
princípios psicológicos indicado por Erickson, que estabelece que
quando a atenção está espontaneamente concentrada numa idéia, essa
idéia tende a realizar-se (Erickson et al., 1998). O segundo
princípio é baseado na lei de efeito reverso de Emilie Coué, segundo
a qual, quando a vontade e a imaginação entram em conflito, a
imaginação sempre ganha (Coué, 1957).
Neste caso, planejamos
utilizar a própria imagem presente na história de Ana cujo resultado
foi transformador. Gorda e desleixada era algo que realmente
não queria representar para as pessoas que estimava, e muito menos
incompetente para transformar as situações adversas.
Erickson cita ainda o
terceiro princípio, a lei do efeito dominante, onde aprendemos que
ancorar uma emoção a uma sugestão, torna a sugestão mais efetiva,
reforçada pela freqüência (Erickson et al., 1998).
Propusemos a Ana o
controle de seu peso a cada sessão através da pesagem e o controle
de medidas. Providenciamos uma balança portátil digital e
estabelecemos a tomada de peso no início de cada sessão. Também uma
fita métrica onde pudemos determinar sua altura, procedimento
realizado exclusivamente na primeira sessão. A imagem da balança foi
utilizada como um fator motivador para o atendimento do objetivo.
Utilizamos como referencia
o cálculo do índice de massa corporal (IMC) onde o peso é dividido
pela altura elevado ao quadrado, segundo padrão internacional da OMS.
Enfatizamos à paciente, a
importância na observação dos procedimentos que, mais uma vez,
mostrou-se colaborativa, como o foi durante todo o processo
psicoterápico.
2.3. Análise das Sessões
De acordo com nossa
proposta terapêutica e enfoque científico, dedicamos os primeiros
vinte minutos de cada sessão de uma hora de duração, para as
manifestações de Ana que, invariavelmente, giraram em torno de suas
observações sobre a mudança de conduta em relação ao ato de comer,
como também ao positivamento de seu estado físico e psicológico.
Procedemos já no início da
primeira sessão a tomada das medidas de peso e altura de Ana,
obtendo os seguintes resultados: altura = 1,60 m e peso = 68 Kg. Na
conversão dos valores para o IMC, obtivemos o resultado de IMC =
26,6, o que indica, segundo a tabela a seguir, uma caracterização de
sobrepeso. (O IMC é obtido pela divisão
do peso em quilos pela altura ao quadrado (expressa em metros).
Podemos classificar o peso em categorias, de acordo com o IMC.)
|
CATEGORIA |
IMC |
|
variação
aceitável |
20 - 25 |
|
excesso de
peso |
25 - 30 |
|
obesidade |
30 - 40 |
|
obesidade
extrema |
maior 40 |
Ao observar a tabela Ana
sorri e comenta que se sentia melhor por não estar classificada na
outra categoria, referindo-se a ao índice de obesidade da tabela.
Ana mostrou-se mais
ansiosa do que a primeira vez em que veio ao consultório, fato
observado por ela mesma. Disse que antes de sair de casa havia
comido, sozinha, um pacote de biscoitos e uma barra chocolate, por
sentir-se bastante ansiosa. Contou que seu marido e seus filhos
apoiaram sua decisão de participar de nossa pesquisa e mostraram-se
curiosos quanto ao transe hipnótico. Prometeu-lhes contar toda a
experiência na intenção de satisfazer-lhes a curiosidade.
Propusemos a técnica de
levitação braquial de Erickson (Anexo II) sugerindo um transe
profundo, correspondido por Ana. Nas sessões subseqüentes os transes
foram conseguidos apenas pela evocação do signo-sinal.
Através de uma comunicação metafórica, realizamos sugestões
específicas como a aprendizagem do auto-relaxamento (como fator
diminuidor de ansiedade), crescente autocontrole, encorajamento da
pratica de exercícios físicos, fortalecimento de auto-estima e
motivação (Anexo II).
Ana
mostrava-se mais motivada a cada nova sessão, não somente pelos
apontamentos da balança, mas especialmente pelo estado de serenidade
que vinha apresentando. Disse que os filhos e o marido também
observaram o seu estado de espírito positivo.
As
pesagens em princípio não mostraram grandes alterações embora Ana
dava informações importantes sobre a mudança de sua conduta em
relação aos alimentos e ao ato de comer. Contou-nos que
surpreendeu-se consigo mesma quando comeu apenas a metade de um
quindim que o marido lhe trouxera, informando ser esse o doce que
mais gosta. Disse que havia jantado e que sobras ficaram no prato,
fato até então incomum, mesmo nos tempos em que se sentia magra:
“...apenas olhava para a comida e sentia que o que já havia comido
me bastava, e repentinamente me veio a lembrança de quando minha
mãe dizia que devemos comer toda a comida porque é preciso valorizar
as mãos que plantam o alimento, as mãos do lavrador. Pude entender
naquele momento porque relutava antes em deixar sobras, fato
vivenciado no momento atual de forma tranqüila e sem culpas, com uma
profunda mudança de significados...”.
2.4. Análise de Resultados
As otimistas manifestações
verbais de Ana mais a observação das pesagens nas sessões
subsequentes, demonstraram as transformações obtidas. Sua motivação
na observação dos resultados foram utilizada nas sugestões
posteriores como um estímulo adicional.
As pesagens foram anotadas
a cada sessão conforme demonstramos na tabela abaixo:
|
DATA |
SESSÃO |
ALTURA |
PESO |
IMC |
|
05/06/2000-seg |
1 |
1,60 mts |
68,000 kg |
26,6 |
|
06/06/2000-ter |
2 |
|
68,100 kg |
26,7 |
|
07/06/2000-qua |
3 |
|
67,600 kg |
26,4 |
|
08/06/2000-qui |
4 |
|
67,600 kg |
26,4 |
|
09/06/2000-sex |
5 |
|
67,500 kg |
26.3 |
|
10/06/2000-sab |
6 |
|
67,100 kg |
26,2 |
|
11/06/2000-dom |
- |
- |
- |
- |
|
12/06/2000-seg |
7 |
|
67.300 kg |
26,3 |
|
13/06/2000-ter |
8 |
|
66,900 kg |
26,1 |
|
14/06/2000-qua |
9 |
|
67,000 kg |
26,2 |
|
15/06/2000-qui |
10 |
|
66,900 kg |
26,1 |
|
21/06/2000-qua |
11 |
|
65,700 kg |
25,7 |
|
28/06/2000-qua |
12 |
|
64,700 kg |
25,3 |
|
05/07/2000-qua |
13 |
|
64,000 kg |
25,0 |
|
12/07/2000-qua |
14 |
|
62,800 kg |
24,6 |
|
19/07/2000-qua |
15 |
|
62,100 kg |
24,3 |
Os resultados apontados na
tabela demonstram a evolução obtida durante todo o processo, onde a
paciente conseguiu em 45 dias reduzir o seu peso em 5,900 kg. O
Índice de Massa Corporal (IMC) para efeito de cálculos, foi
arredondado por nós a partir da quarta casa, considerando os valores
abaixo de 5, igual aos valores apontados na terceira casa, e os
valores acima de 5 com o arredondamento para a casa seguinte.
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu como sobrepeso valores de
IMC acima de 25 Kg/m² , número ultrapassado por Ana em sua primeira
consulta, quando o resultado de seu IMC indicou 26,6. Em sua última
sessão, o IMC indicava 24,3, ficando portanto, na faixa aceitável
(entre 20 – 25) na tabela de IMC.
Ana
nos revelou as modificações de suas atitudes em relação ao ato de
comer como um fato automático. Confessou na última sessão que
tentara autotestar-se em relação aos doces. Tentou comer dois
quindins, fato até então natural, mas sentiu que o fazia sob certo
desconforto. Disse: “...é como se meu organismo passasse a
funcionar de um modo preciso, identificando minhas reais
necessidades de alimentação. Brinquei com esse “poder interno” mas
não pude vencê-lo. É como tomar água além do limite... não desce...”.
Pudemos através da análise dos resultados observar que a hipnose,
especialmente para esta paciente, mostrou-se um instrumento eficaz
no controle da ansiedade e na redução da massa corporal, ensejando a
realização de pesquisas mais amplas em grupos maiores de sujeitos.
3. Bibliografias
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Editora Harper & Row do Brasil Ltda, São Paulo
Anexo I - Teste de Susceptibilidade de Entrecruzamento das Mãos
Anexo II – Procedimento de Levitação de Braço
Anexo III - Escala de Aprofundamento Hipnótico
Centro Latino
Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde
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