HIPNOTISMO NO BRASIL
Paulo Madjarof Filho
Os conhecimentos de hipnotismo no
Brasil não datam de uma época precisa. No entanto, desde os
primórdios de nossa colonização já eram conhecidas, entre indígenas,
negros africanos e seus descendentes, práticas hipnóticas usadas em
diversos processos de cura. No início do século XX, no Brasil, o
hipnotismo passou a ser apanágio dos hipnotizadores de palco. Poucos
médicos e dentistas tinham coragem suficiente para enfrentar o
preconceito popular que, na época era contrário ao hipnotismo. Tanto
era o preconceito que médicos e dentistas que se atrevessem a usar
essa terapêutica perdiam parte de sua clientela. Tal situação
continuou até pouco tempo no Brasil. A história da hipnologia no
Brasil têm duas épocas: antes e depois de Torres Norry.
CRONOLOGIA
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Leopoldo Gamard
(1832)
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Comunica a Sociedade Médica do RJ sobre o magnetismo animal
de Mesmer. Nomeou-se Cuissard para estudar e relacionar o assunto e
o relatório foi rejeitado sob o pretexto de tratar-se de
mistificações, que poderia comprometer a boa reputação da Sociedade
Médica.
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Gustave Jerôme
(1853) – Escreve o
primeiro livro de hipnotismo publicado no Brasil.
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José Maurício Nunes
Garcia (1857) - apresenta
trabalhos sobre hipnotismo na Faculdade de Medicina do RJ.
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Fundou-se
no RJ (1861) –A sociedade de Propaganda do Magnetismo,
propondo-se a edição de um jornal chamado O Magnetismo; Na
época de sua fundação foi enviado a Dom Pedro II a petição para
aprovação dos estatutos. Esta petição foi respondida um ano depois,
em 1862, pelo conselho de estado composto por: José Antônio Pimenta
Bueno, Marquês de Olinda e Visconde de Sapucaí, com a seguinte
restrição: “que as experiências magnéticas e aplicação do
magnetismo, como meio terapêutico não fossem senão por médico
completamente reconhecido”.
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Melo Moraes (1876)
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Publica um trabalho sobre o assunto “Memória sobre o fluído
universal ou éter”.
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Érico Coelho (1887) Médico e um dos
principais divulgadores e estudiosos do hipnotismo do século passado
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Foi o período de maior difusão do hipnotismo iniciando-se a
pratica da neuro-hipnologia;
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Foi apresentado a Academia Brasileira de Medicina uma
observação clínica sobre o uso do hipnotismo e suas aplicações
terapêuticas;
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Surgiram polêmicas, ambição, inveja e intriga, afim de
obscurecer o esplendor do hipnotismo.
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Francisco Fajardo,
discípulo de Érico Coelho, defende a tese inaugural sobre
hipnotismo, em 1888;
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Nessa mesma época, em SP, os médicos Domingos Jaguaribe e
Franco da Rocha, dedicam-se ao uso dessa terapêutica. Jaguaribe
visitou Salpetrière tendo lições com Charcot a respeito da histeria
e hipnotismo. Fundou o Instituto Jaguaribe em SP onde aplicava as
técnicas de hipnotismo e fisioterapia
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Ferreira de
Magalhães (1891)
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Apresentou sua tese de doutoramento intitulada Hypnotismo à
Faculdade da Bahia
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Henrique Batista
(1894)
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Comunica a Academia de Medicina a cura de paraplegia por
intermédio do hipnotismo;
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Alcântara Machado (1895)
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Apresentou uma tese em 1895: “Ensaio médico legal sobre o
hipnotismo” com o qual concorreu ao lugar de lente substituto de
Medicina Legal da Faculdade de Direito de SP;
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Francisco Fajardo (1896)
–assistente da Clínica Propedêutica da Faculdade de Medicina do RJ
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Publicou o livro Tratado de Hipnotismo, merecendo os maiores
elogios do meio científico nacional e mundial.
No Brasil, após um pequeno período de desinteresse
no início do século, a hipnose ganha força após a Primeira Guerra
Mundial, em 1918
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Augusto Ribeiro da Silva (1900)
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Teve sua dissertação aprovada pela Faculdade de Medicina da
Bahia, sob o titulo: Hypnotismo sob o ponto de vista médico-legal.
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Medeiros de Albuquerque (1919)
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Publica o livro Hypnotismo, com repercussão
internacional.
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Medeiros de Albuquerque (1920)
–Advogado da Academia Brasileira de Letras
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Publica uma obra sob o título: Hipnotismo , onde
procurou escrever tudo que se sabia sobre hipnotismo até então.
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Almeida Junior (1948)
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Em seu livro “Lições sobre Medicina Legal”, no capítulo sobre
psicologia forense, cita sugestão e hipnotismo;
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José Torres Norry (1956) –
Argentino
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Com seus doutos ensinamentos, através dos cursos realizados
no Brasil, assentou definitivamente as bases científicas da hipnose,
criando, ao mesmo tempo, uma fase áurea no emprego da hipnose na
Medicina e na Odontologia;
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David Akstein, Castro Monteiro e
Fernando Negrão Prado (pós Torres Norry)
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Incumbiram-se de difundir a hipnose no RJ patrocinando os
primeiros de cursos;
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Enzo Azzi, Álvaro Badra e Antonio
Carlos Pacheco e Silva (pós Torres Norry)
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Foram os principais difusores da hipnose em São Paulo
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Antonio Carlos de Moraes Passos e
Oscar Farina (1961)
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Publicam o livro Aspectos Atuais da Hipnologia (que foi
reconhecido e premiado internacionalmente);
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Moraes Passos defende em 1974 sua tese de doutoramento sob o
titulo Hipniatria: técnicas e aplicações em
fobias, na
Universidade Federal de São Paulo.
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