FURACÃO

Donna Crystal 

Uma brisa suave balança as ondas do mar e tudo é paz e tranqüilidade, mas de repente se intensifica e vai se transformando num imenso furacão.

 

Ganha força e se desloca em velocidades assustadoras, varrendo, lavando e destruindo tudo por onde passa.

 

Assim é a natureza em sua forma de agir, quando precisa alcançar seus objetivos, não poupa nada ou ninguém, destrói do verme ao homem sem distinção ou piedade, simplesmente iguala tudo.

 

Culpada ou inocente? Nem uma coisa nem outra, por mais que nos pareça agressiva e ofensiva, apenas cumpre o seu curso natural.

 

Nada na natureza é intencional e talvez tenhamos dificuldade em assimilar esta idéia. É a lei dos movimentos em formação ou a formação em seus movimentos.

 

Talvez tudo esteja previsto desde a formação dos planetas e nós é que estamos ocupando seu caminho, mas o que importa é que não existe a quem culpar, após cada tragédia só nos resta recomeçar.

 

Fico imaginando quantos poetas, músicos, compositores, escritores, cientistas, foram embora junto com as suas obras e pesquisas e o quanto ficamos mais pobres com a ausência deles.

 

Porém se pararmos e questionarmos sobre o que aprendemos com todas as reações devastadoras da natureza, chegaremos a conclusão óbvia: O amor coletivo.

 

Sim, nestes momentos trágicos onde contabilizamos a morte de milhares de seres humanos, nos unimos em solidariedade e buscamos ajudar com todo o amor dos nossos corações, independente de raça, classe ou credo.

 

Fico pensando na força desta união e concluo que infelizmente só agimos como irmãos em momentos extremos, se agíssemos assim naturalmente as desigualdades sociais seriam bem menores e o mundo melhor habitado.

 

Mas, felizmente, ao menos nestes momentos deixamos que emoção e razão se juntem na medida certa para compartilharmos o pouco ou muito que “temos” com as vítimas diretas das tragédias, nem que seja com um simples pensamento de ternura e piedade para com todos.

 

Então eu me pergunto: Será realmente para habitarmos este mundo é que fomos criados? Para vivermos nos equilibrando sobre a superfície de um planeta cuja força da gravidade nos chama para baixo o tempo todo?

 

Fomos criados para passar gerações após gerações temendo fatores naturais inerentes à natureza? Nem o chão em que pisamos nos pertence, uma vez que por qualquer razão somos varridos?

 

Este planeta é o nosso paraíso ou o nosso inferno? Ou será que ainda depende de onde estamos no momento em que estamos? E isto seria privilégio ou castigo?

 

Se a grande maioria, consciente ou inconsciente vem destruindo este planeta desde que a história nos dá notícia da nossa existência, podemos encarar como uma disputa inconsciente, do tipo eu não te respeito porque você não me enxerga?

 

Vivemos implorando a um pequeno pedaço do universo que nos acolha, quando ele vive querendo nos expulsar? Somos os mendigos do cosmo? Até quando?

 

Chegará o momento em que a matéria que abriga os nossos espíritos será tão sutil que poderemos habitar qualquer planeta sem sofrermos as suas conseqüências naturais?

 

Existirão lugares onde planetas e espíritos evoluam simultaneamente sem necessidade de destruição?

 

Porque será que independente de tantas incertezas nos aferra tanto a idéia de continuarmos aqui? Por que tanto medo da morte física? Será que já a conhecemos o bastante e por isso tememos lugares ainda piores?

 

Somos filhos queridos de um PAI maior, ou indigentes largados e esquecidos numa encruzilhada qualquer de um universo incomensurável e sem memória?

 

Nestes momentos eu me pergunto se o ódio e o amor são criações nossas ou heranças de outras dimensões? Afinal, o que somos, o que fazemos aqui e para onde exatamente estamos caminhando?

 

E, especialmente eu gostaria de saber: Já fomos ou seremos “vento” um dia?

 

 

Cida Borges

24/09/05

22:10hs

 
 
 
 

Fale Conosco