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Paulo Madjarof Filho
Muitos autores
destacam o peso da decisão tomada por Freud em abandonar a hipnose,
tornando-se esta desde então alvo de críticas diversas, especialmente dos
afeiçoados à psicanálise ortodoxa. Em defesa de sua teoria, Freud atribuía
à terapia por meio da hipnose, uma atividade cosmética que servia para
encobrir os sintomas e fortalecer os recalcamentos, inibindo assim,
segundo ele, os processos desencadeadores dos sintomas.
Freud que
ficou sem utilizar a hipnose na prática clínica desde 1896, se distanciou
dos progressos observados pelos que o sucederam, muito deles
psicanalistas, como o próprio Milton Erickson – considerado por muitos o
tutor da hipnose moderna. Valorizou o notável pai da psicanálise as
premissas científicas baseadas na experimentação, através da qual, com o
decorrer dos anos e com os avanços científicos e tecnológicos, tornou-se o
fator resgatador da hipnose como importante instrumento para cientistas e
profissionais da saúde.
Diferente da
hipnose sugestiva e impositiva praticada por Bernheim, de quem Freud foi
aluno e amigo, outros modelos que valorizavam a utilização dos recursos do
paciente se desenvolveram, permeando os acessos aos conteúdos
inconscientes e destacando novos meios de intervenção e terapia.
Passado mais
de um século, observamos que as premissas apregoadas por Freud sobre o
princípio científico da experimentação enaltecem e valorizam a hipnose ao
mesmo tempo que coloca em cheque o método psicanalítico da livre
associação, que não tem resistido incólume aos avanços da neurociência e
da psicologia social. Algumas pessoas acusam a psicanálise de falta de
solidez científica e também de cientificismo e rigidez para lidar com o
comportamento humano. Em verdade Freud contribuiu substancialmente com sua
teoria e, talvez antevendo a insustentabilidade de alguns pontos de sua
construção teórica, preconizou a utilização futura de substâncias químicas
na intervenção de problemas mentais.
O que pareceu
um desserviço à hipnose que, após manifestação de Freud ficou relegada à
exploração de muitos, dentre os quais alguns inescrupulosos que a
exploraram em espetáculos públicos ao seu bel prazer, tornou-se ao longo
do tempo um importante ponto de desvendamento e desafio para a ciência e
credulidade pública, que, parafraseando Freud, refere-se mais a cirurgia
reparadora do que a efêmera cosmética.
O fato é que a
hipnose vive um momento especial de ascensão em várias partes do mundo,
com um aumento qualitativo da produção científica e literária, onde os
livros sobre o tema ocupam cada vez menos a prateleira do
“místico” para ocuparem cada vez mais a prateleira do “científico”. Em
alguns países como a Inglaterra, Espanha, França e EUA, centros
especializados de ensino e pesquisa se desenvolvem a cada ano gerando
milhares de publicações
que credibilizam e elevam o status deste valioso instrumento de
intervenção terapêutica.
Consultar: www.bireme.br e www.apa.org/divisions/div30/ |