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F R A G I L I
D A D E
Donna
Crystal
É manhã, o sol brilha com toda a sua intensidade iluminando a ROCHA.
O tempo havia causado uma pequena rachadura, mas, era tão pequena que não
restavam mais preocupações, já tinha sido devidamente vedada.
É meio-dia o sol se esconde e a noite chega precocemente. Procuro a
claridade da lua, porém, esta desavisada continuou em sua rotina e não
apareceu. A escuridão parece total.
Olho ao meu lado e descubro que a ROCHA é de vidro e está oca, em apenas
alguns segundos ela se tornou totalmente fragilizada. Seus alicerces
sofreram um grande abalo, vejo o pavor estampado em seus olhos.
Susto, medo, dúvidas, incertezas, perplexidade, dó, solidariedade,
carinho, amor... são sentimentos que surgem e se misturam
desorganizadamente e de imediato não causam nenhum efeito.
Preciso desesperadamente encontrar uma forma de ajudar a preencher o oco
da ROCHA/VIDRO, ofereço o ombro, o colo e até a troca de lugar. Inútil,
não consigo enxergar o vidro onde havia a ROCHA e não vejo mais a ROCHA
porque agora é vidro. Perdi a referência.
Paro, penso e não me sinto com direito de ser frágil. Respiro
profundamente, olho para a ROCHA/VIDRO com o coração sangrando e com
serenidade no olhar, ela precisa acreditar que tudo vai passar.
A noite continua escura e quanto maior a minha tranqüilidade externa, pior
é a minha tempestade interna. Difícil organizar meus pensamentos.
Preciso tanto encontrar o olhar que me acalma, me organiza e me direciona
e só consigo ouvir sua voz. Procuro prolongar esta conversa mas a voz se
cala. Quero colo. Por favor não me deixe sozinha. Quase peço socorro e
outra vez eu me calo.
Olho pro céu buscando respostas e encontro o vazio. Lembro da voz e de
cada palavra pra encontrar forças e me tornar útil, me recomponho e
recomeço. Só posso colaborar não consigo transformar.
Passado o momento do impacto o sol volta a brilhar, mas, brilha devagar,
com cuidado para não cegar. Vamos nos acostumando novamente com a sua luz
e um novo horizonte parece surgir.
Vedaram as rachaduras, porém, elas continuam a existir. A ROCHA/VIDRO
jamais será ROCHA novamente e os nossos corações jamais dormirão com a
serenidade de antes.
HOMENS ROCHAS, HOMENS GIGANTES ou HOMENS DE AÇO não existem, são todos
feitos da mesma matéria e sujeitos ao mesmo equilíbrio/desequilíbrio.
Chego a conclusão que é melhor sentir profundamente do que saber
indefinidamente.
Já que somos
todos iguais, devo confessar que a noite se alonga e o sono não vem. Sinto
um nó na garganta e estou muito, muito e muito carente . |