FLORES NO SERTÃO

   por Donna Crystal

 

Do verde nada restou...

Há muito haviam secado,

Os campos, os rios e os bichos,

Do verde nada restou.

 

Havia desolação, pobreza,

Tristeza, sede e dor,

Em meio a tanta tragédia,

Do verde nada restou.

 

E o tempo foi passando,

Nada de chuva, só sol,

Escaldante, até brilhante,

A maltratar nosso solo.

E providência? Nenhuma,

Do verde nada restou.

 

Depois de tanto sofrer,

Sem nenhuma esperança,

Foi embora o sertanejo

Continuar sua andança.

 

Depois de muito cansaço,

Sem alento e sem descanso,

Sua mágoa desabou,

Chorando de sede e fome.

Do verde nada restou.

 

Muitos anos se passaram,

Pro sertanejo sofrido,

Com tristeza infinita

Ao ser indagado responde:

Vim do norte, vim de longe,

Onde o povo esquecido

Olhando a sua paisagem

Tão triste tão ressequida,

Já não se lembra mais,

Que vive a vida sem vida.

 

Que a chuva não choveu,

Que o rio não encheu,,

Que o sonho acabou,

Ao constatar com dureza,

Do verde nada restou

 

Pra acalentar sua dor,

Fugindo à realidade,

Fecha os olhos e imagina,

Aquele solo tão seco com

Suas ramas verdinhas,

Todo coberto de flores.

 

E as flores viram frutos,

Que matam sede e fome.

E num sonhar a florir

O sertão foi colorir

Com a pureza do seu amor

 

Pois quem ama o sertão

Não consegue aceitar,

Que de tudo que sonhou,

Do verde nada restou.

 

 
 
 
 

Fale Conosco