|
Como vai a família?
Vânia Maria Marques Heidor
Diz o senso comum que vai
mal... Muito mal... Por quê? Ora, por quê! A família está se
desmantelando, desmanchando, diluindo. Já não se encontra uma
família bem estruturada como antigamente – pai, mãe e filhos, em
torno da mesa do jantar. O pai como provedor da casa, a mãe como
“rainha do lar”, submissa ao marido, assim como seus filhos.
Isto sim é Família... Inclusive, a relação mão-filho é o
referencial explicativo para o desenvolvimento emocional da
criança, segundo Freud. Daí alguns teóricos alegarem que o fator
responsável pela mudança de comportamento infantil e
delinqüência juvenil é a “inconsistente” família moderna, a qual
nos mostra uma mulher dividida entre o papel de mãe e de
profissional ativa.
Mas, alguma vez chegamos a
considerar que essa Família não passa de um modelo? Entre tantos
outros, esse é o modelo burguês, originário da Europa na Idade
Média, que passou a ditar as normas de interpretação das
inter-relações, nos fazendo crer que o diferente é o
“desestruturado” ou “incompleto”.
É importante aceitarmos o
fato de que a sociedade é dinâmica, portanto, suas instituições
estão sujeitas as mudanças que obedecem ao processo natural de
evolução. Esta evolução é percebida nos diferentes níveis, do
individual ao mundial, penetrando todas as esferas da vida
humana, como num sistema complexo de interdependência. Quem teve
a oportunidade de ler meu primeiro artigo sobre “Indivíduo”
poderá entender que o processo de tomada de consciência de si é
capaz de transformar o “entorno”, e, claro, incluem-se aí as
instituições sociais.
Digo que hoje o ser humano
precisará ser capaz de equilibrar três instâncias da relação
humana. Deverá observar o Um, o Dois e o Três. O que estou
dizendo? O momento do Um é a privacidade, a individualidade, a
intimidade, você consigo mesmo, numa reflexão profunda sobre
quem é você. O momento do Dois é o convívio do casal, com espaço
para a paixão, carinho e um belo bate-papo indispensável para o
processo de contínuo entendimento. E o momento do Três é a hora
da relação com a comunidade; é a vida social.
O
equilíbrio entre esses três momentos talvez seja uma boa dica
para a manutenção de um casamento saudável entre indivíduos
saudáveis.
|