FALSAS MEMÓRIAS
Paulo Madjarof
Filho
Muitas de nossas recordações
são verdadeiras, no entanto algumas são uma mistura de fatos e
fantasias, e algumas são falsas recordações, que podem ser acessadas
depois de um tempo esquecidas, ou sem que se pense sobre.
Então, como podemos saber se
nossas recordações são verdadeiras?
As ordens profissionais são
concordantes: o único modo para distinguir entre as recordações
verdadeiras e as falsas está pela confirmação externa (fidedignidade
da informação).
O que pode causar a uma pessoa
que acredita sinceramente em algo que nunca aconteceu?
As evidências científicas
demonstram pelo fenômeno da sugestionabilidade, a influência na
crença de indivíduos que assentiram como verdadeiras algumas
recordações, e que posteriormente, reconheceram como falsas,
denotando os equívocos gerados pela susceptibilidade a uma idéia.
Devemos nos preocupar se alguém
tem uma falsa convicção sobre o passado?
Na maioria dos casos isso não
gera transtorno, porém, invariavelmente as falsas convicções causam
grande dano, não só para as pessoas que as têm, mas também para as
outras pessoas de seu convívio. Pode comprometer a crença de
familiares e de indivíduos inocentes.
O que são falsas recordações?
Por causa da natureza da
reconstrução de uma memória, algumas recordações podem ser torcidas
pela influência e incorporação de uma nova informação. Também ocorre
a distorção pela crença em algo imaginado, que não é baseado na
realidade histórica. São chamadas de falsas recordações,
pseudomemórias e memória de ilusão. Podem ser o resultado da
influência de fatores externos, como a opinião de uma autoridade ou
uma informação culturalmente repetida. Indivíduos com desejos
internos para agradar, melhorar ou ser aceito socialmente, podem ser
afetados facilmente por tal influencia.
Qual a controvérsia de investir
na recuperação de memória?
A principal controvérsia
consiste na precisão de credibilizar a estória contada por um
individuo adulto através de suas “recordações reprimidas” sobre a
experiência de abuso sexual na infância (décadas depois e sem
nenhuma confirmação externa para o evento relatado). A controvérsia
não é exatamente se as crianças sofrem abusos, já que este é um
problema social que merece nossa atenção. A controvérsia é se as
pessoas podem ou não se lembrar de abuso sexual passado.
Evidentemente há muitas razões para as pessoas lembrarem ou não de
algo: amnésia da infância, um trauma físico, drogas ou a própria
decadência natural das informações armazenadas. A controvérsia está
sobre a precisão das recordações reprimidas “recuperadas” de abuso.
As conseqüências dessas “recordações” afetam profundamente o senso
de justiça, a dinâmica da terapia, as famílias e a vida de pessoa.
(fonte: Spketical Inquirer (1995) 19 (2), pág. 20.) |