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Não somos o que realmente deveríamos
ser, somos produto de um meio social, internalizamos os padrões culturais
que nos são transmitidos, e isso impede o nosso desenvolvimento psíquico.
Não há reflexões e questionamentos, com isso a passividade se faz presente
O mundo nos acorrenta e nos guia da forma como acha satisfatório. Quando
nos libertamos das correntes, nos tornamos capazes de chegar a um
verdadeiro Eu, conhecendo a si próprio, desejos e comportamentos. Para
isso passamos pelo processo de individuação, descrito por Jung.
Através desse processo é possível
atingir um novo centro psíquico, o self, ou seja, si mesmo. Porém esse
conceito é muitas vezes mal entendido, pois individuação não é sinônimo de
perfeição ou individualismo, mas sim a busca para se tornar um ser
completo, e para isso temos que aceitar a convivência com situações
inerentes a vivência, sejam boas ou más.
Muitos nascem e morrem sem saber quem
verdadeiramente são por serem enganados por si mesmos, acreditando serem
humanos que beiram a perfeição. Para isso, aparentam ser da forma como
esperam que sejam ou como desejam ser. Essa falsa aparência Jung
classificou de persona. Esse tipo de defesa é tão dominante que o
ego pode identificar-se com ela e fundir-se, criando uma “casca”
protetora. Externamente, esta pode aparentar ser algo que lhe satisfaz,
porém é um ser frágil internamente. E quanto mais a persona se
identifica com esse ser criado, mais dolorosa é a separação entre eles.
Mas a persona é apenas um passo no
processo de individuação, também se atinge o self no contato com a
sombra, a anima e animus, que são conteúdos
inconscientes. Todos os conflitos vivido pelo consciente e inconsciente
faz com que os fragmentos sejam juntados e relacionados. O homem torna-se
um ser completo.
Dessa forma, podemos ver que a
habitualidade faz com que nos tornemos pessoas diferentes do que somos em
nossa essência. O cotidiano vivido por todos impede a reflexão sobre quem
são, e assim passam a vida toda sendo aquilo que não são.
Quando as pessoas se libertam de suas
habitualidades, elas podem tornar-se verdadeiras e conhecer quem realmente
são, mas para isso é necessário caminhar pelo processo de individuação,
que é árduo, porém gratificante, pois poderá saber quem é verdadeiramente. |