O VERDADEIRO EU OCULTO EM CADA UM

Luis César Spatari Gonzales

Não somos o que realmente deveríamos ser, somos produto de um meio social, internalizamos os padrões culturais que nos são transmitidos, e isso impede o nosso desenvolvimento psíquico. Não há reflexões e questionamentos, com isso a passividade se faz presente O mundo nos acorrenta e nos guia da forma como acha satisfatório. Quando nos libertamos das correntes, nos tornamos capazes de chegar a um verdadeiro Eu, conhecendo a si próprio, desejos e comportamentos. Para isso passamos pelo processo de individuação, descrito por Jung.

Através desse processo é possível atingir um novo centro psíquico, o self, ou seja, si mesmo. Porém esse conceito é muitas vezes mal entendido, pois individuação não é sinônimo de perfeição ou individualismo, mas sim a busca para se tornar um ser completo, e para isso temos que aceitar a convivência com situações inerentes a vivência, sejam boas ou más.

Muitos nascem e morrem sem saber quem verdadeiramente são por serem enganados por si mesmos, acreditando serem humanos que beiram a perfeição. Para isso, aparentam ser da forma como esperam que sejam ou como desejam ser. Essa falsa aparência Jung classificou de persona. Esse tipo de defesa é tão dominante que o ego pode identificar-se com ela e fundir-se, criando uma “casca” protetora. Externamente, esta pode aparentar ser algo que lhe satisfaz, porém é um ser frágil internamente. E quanto mais a persona se identifica com esse ser criado, mais dolorosa é a separação entre eles.

Mas a persona é apenas um passo no processo de individuação, também se atinge o self no contato com a sombra, a anima e animus, que são conteúdos inconscientes. Todos os conflitos vivido pelo consciente e inconsciente faz com que os fragmentos sejam juntados e relacionados. O homem torna-se um ser completo.

Dessa forma, podemos ver que a habitualidade faz com que nos tornemos pessoas diferentes do que somos em nossa essência. O cotidiano vivido por todos impede a reflexão sobre quem são, e assim passam a vida toda sendo aquilo que não são.

Quando as pessoas se libertam de suas habitualidades, elas podem tornar-se verdadeiras e conhecer quem realmente são, mas para isso é necessário caminhar pelo processo de individuação, que é árduo, porém gratificante, pois poderá saber quem é verdadeiramente.

 
 
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