ESTRELA ESCONDIDA

 por Donna Crystal

Deixe-me voar, quebrando os vínculos, liberando as travas, despregando os remendos, despindo a roupagem, calçando minhas asas e envolvendo o pescoço com o colar da liberdade.

 

Viajar no passado, entender o presente e melhorar o futuro. Passado, presente, futuro? Só o agora existe e já é o bastante.

 

Tudo passa tão rápido, um olhar já se perdeu, o suspiro escapou, o sorriso se transformou, o desejo acabou, a velhice se instalou e a morte chegou.

 

O tempo se comporta como o jovem adolescente, chega intenso, tem pressa, tudo precisa acontecer agora, não sabe esperar e não tem tempo para agradecer ou se lamentar.

 

O dia renasce com o raiar do sol, mas o tempo nasce e envelhece todas as vezes que respiro, não há um segundo a perder, pois a vida é tão curta quanto inexplicável.

 

Vou sair em busca da verdade, mesmo sabendo que só a entenderei quando já tiver conhecido todas as mentiras. E as respostas serão entendidas quando todas as perguntas já tiverem sido formuladas.

 

É interessante pensar que só sabemos o que é belo quando o feio já é nosso conhecido, mas o belo vira feio e o feio vira belo, dependendo apenas do ângulo que são vistos.

 

Devo admitir que não existe feiúra ou mentira, portanto o belo e a verdade, também só existem na nossa imaginação.

 

As estrelas existem? Talvez... Mas é difícil entender como se formam estes grandes vulcões espalhados pelo espaço, que passam bilhões de anos vomitando sua fúria, que vivem e morrem sozinhos e quem sabe se como nós, desconhecem porque existem.

 

Suas dimensões não são conhecidas pelo brilho que enxergamos, mas sim pela distância que se situam. O sol é uma das menores estrelas que estão espalhadas pelo firmamento, mas para nós é a maior pela proximidade que se apresenta.

 

Para se conhecer a maior delas basta, talvez, procurar a menor que os nossos olhos enxerguem, pois a sua distância deverá ser a maior.

 

Por maior que possa ser a utilidade do sol em nossas vidas, eu jamais gostaria de sê-lo. Em contra partida eu queria ser a menor estrelinha que os olhos humanos conseguem enxergar. Só assim eu poderia ser vista e admirada por alguém que já conhecera a todas as outras, mas que soube procurar o bastante para encontrar o brilho e o calor que nela existem.

 

Seria eu, portanto, uma estrela solitária? Não! Seria apenas como sou, alguém a espera do olhar sensível, determinado e gentil, que não se importa com a grandeza aparente, mas com a intensidade escondida na sutileza distante.

 
 
 
 

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