DONNA CRYSTAL – A CIDA BORGES MUDOU DE NOME

(A SENSIBILIDADE CONTINUA A MESMA...)

por Paulo Madjarof Filho

Quem se habituou ao mundo cibernético, apesar do seu pouco tempo de existência, sabe que a Internet é o “Mundo sem Fronteiras” – a verdadeira “Terra de Ninguém”. Não discrimina as produções. É um espaço aberto para manifestação de toda ordem, cuja hierarquia é determinada mais pelo conteúdo do que pela forma. Não se discrimina a idade, o sexo, o grau acadêmico, a linguagem, o poder econômico. Todos viajam de primeira classe – ou de terceira, se desejarem. A Internet é o verdadeiro espaço democrático, onde não é preciso justificar as escolhas. Pode-se ir, num único clique, do submundo das perversões ao acervo cultural da humanidade, do ateísmo convicto ao fanatismo inconseqüente, da prisão solitária a liberdade naturalista.

 

A exemplo da descoberta da prensa de tipos por Gutemberg no século XV, que permitiu a popularização do conhecimento e o acesso à cultura universal, a Internet revoluciona a cultura e estabelece novos padrões de comunicação. Surge uma nova linguagem entre os jovens usuários, um novo idioma; o idioma dos ícones e símbolos, das palavras abreviadas e das frases curtas, das imagens trabalhadas e dos gráficos coloridos, dos dedos ágeis e de corpos pesados, do amor virtual e do prazer solitário.

 

Nesses tempos, é impossível se pensar em educação formal sem Internet. Google, Altavista, Cadê, são ferramentas imprescindíveis para a realização de qualquer trabalho acadêmico. Ainda mais. Para o conserto e manutenção da casa e do automóvel, para a busca de especialização e nova colocação profissional, para a auto-descoberta e a espiritualização plena, para compras em geral como livros, alimentos, eletrodomésticos, remédios, etc. Ainda não se pode cortar o cabelo pela Internet!

 

A Internet também abriga homônimos: Joãos, Marias, Josés, Paulos e Cidas. E assim, reconhecemos as mesmas produções por diferentes autores – mesmos nomes, diferentes caras (?). Mas a Internet não tem cara, nem silhueta, não é gorda nem magra, não tem cor, é surda. Desconhece sabores, não tem sotaque, é multilingual. Emociona, não sente.

 

E por isso a Cida Borges se tornou Donna Crystal...

 
 
 
 

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