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Nem Corpo, Nem Mente:
Corpomente
por Paulo Madjarof Filho
A
tecnologia e o conhecimento humano evolui de modo espantoso, e o
homem, cada dia mais, se torna dependente de suas criações. Os
sistemas de comunicação facilitam o desenvolvimento e quebram as
fronteiras físicas para um novo mundo, que, embora não seja
sentido através de nossos sentidos, permeia nossa atmosfera e
envolve a cada um de modo indistinto, sem relevar os aspectos
étnicos, religiosos, partidários e raciais. Acredita-se que são
mais de 10 mil ondas por cm². Imagine que se fizermos uma pilha
de telefones celulares e discarmos o número de apenas um, ele
soará imediatamente. Não vemos, não ouvimos e nem sentimos, no
entanto não podemos negar a evidência que, mesmo sem haver uma
conexão física perceptível, o telefone toca.
A
dicotomia cartesiana que ainda prevalece e norteia o
desenvolvimento científico nos dá a dimensão de uma ciência
evoluída e um homem fragmentado, cujo psiquismo e as faculdades
mentais pertencem a uma dimensão irreal, porque não pode ser
tocada, manipulada e experimentada fisicamente. A doença e os
modos patologizantes, medidos sob aspectos concretos de um
organismo vivo e palpável, reforçam as polaridades de uma
ciência concreta/racional, formulada em pensamentos conduzidos
exclusivamente por respostas pré-concebidas.
Imaginem que para se fazer um bolo é preciso misturar certos
ingredientes como a farinha, os ovos, o fermento e o leite. O
bolo pronto, deixa de ser farinha, ovos, fermento e leite, no
entanto é tudo isso e algo mais: agora também é bolo. Mesmo que
ao experimentar um bolo você não dimensione os seus
ingredientes, não poderá furtar-se diante da evidência concreta
de seu conteúdo.
Ora, se cremos, porque usufruímos e avaliamos os
efeitos, por que não pensar no potencial físicomental em
sua totalidade e como capacidade inerente ao homem em suas
diferentes dimensões? Não estará o homem vivendo sob uma
hipnose coletiva e não seria o chamado estado de hipnose
a condição real do viver humano? |