CONFLITOS DE UMA VIDA

 por Donna Crystal

 

Em dias tão longos, com pensamentos acelerados, me pergunto POR QUÊ? E os por quês não têm fim.

 

Hoje por exemplo, é um dia que tenho tamanha emoção em meu coração, que não sei como trabalhá-la ou distribuí-la, pois sequer sei identificá-la.

 

Apenas a pressão ou talvez a opressão, deixa-me desnorteada, pois quando não sabemos o que sentimos não sabemos como direcionar as emoções e o corpo sente esta guerra muda e sofre como se fosse uma panela de pressão fervendo, aumentando a temperatura, cozinhando as minhas entranhas numa seqüência sem fim.

 

Muitas vezes penso que tudo isto somado seria igual a um imenso amor que tenho guardado e não tenho com quem compartilhá-lo, outra acredito que vou armazenando tudo isto porquê jamais ousaria confessar nem a mim mesma que gostaria de amar doce e imensamente um alguém em minha vida.

 

Mas amar é amedrontador, apavorante é quando a gente mais se sente frágil e se expõe. Depender da existência de alguém para me doar e sentir a insegurança de não alcançá-lo, me faz fechar a tampa da panela com mais força, para sentir a segurança de jamais deixar que qualquer parte escape e me faça sofrer.

 

Outras vezes acho que é o contrário, esta pressão no meu peito é a total falta de sentimentos. É apenas um grande buraco aberto por mim mesma ao longo da minha vida e que ninguém jamais o preencherá, pois eu jamais permitiria que alguém chegasse tão próximo.

 

Uma grande distância deve sempre ser mantida, não quero conhecer novas dores.

 

Amar... Palavra estranha que pode significar tantas coisas ou simplesmente coisa nenhuma. As pessoas propagam tanto esta expressão e mediocremente não param para analisar na integra a extensão destas quatro letrinhas. Eu mesma por mais que me esforce não consigo entendê-la.

 

Apenas e tão somente eu sei que basta ousar encará-la e ela pode machucar, ferir e destruir. Basta que eu ame e as pedradas me atingem, as perdas acontecem e as reciprocidades não me convencem e não me preenchem.

 

Acredito que pos isto nascemos sós, vivemos sós e morremos sós, todos fingindo que vivemos em pares ou grupos, mas a realidade é que ninguém completa o vazio das nossas almas.

 

Meu corpo transborda de energias e as deixo sair como carros desgovernados sem saber para onde ou para quem direcioná-las. Por tudo isto dificilmente acontecem as trocas e finalmente localizamos o tal vazio como se fosse igual ao buraco negro existente no espaço.

 

Sempre me senti só, desde pequenininha o único espaço que eu consegui preencher foi com o nascimento da minha filha Luciana e até hoje ela traz calor ao meu coração e me impulsiona a continuar. Isto não deixa dúvidas, nem questionamentos, só pureza nos meus sentimentos.

 

Mas como mulher só faço viver um dia após o outro sem encontrar respostas para as perguntas mais básicas de uma vida.

 

Quando olho para as pessoas e as vejo conversando, sorrindo, confidenciando e se expondo, gostaria de saber se elas são assim mesmo ou também possuem este imenso buraco no peito que teima em queimar, separar e oprimir.

 

Mas precisamos seguir, pois não podemos simplesmente nos “desligar”. E a obrigatoriedade desta seqüência é que muitas vezes me faz sentir vontade de pedir: Socorro! Tirem-me daqui, me livrem de mim mesma e deixe a minha mente e o meu coração viverem em paz.

 
 
 
 
 

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