CONFLITO

por Donna Crystal

 

Os dias passam e a vida acontece, horizontes se abrem e se fecham em velocidades assustadoras. As pessoas buscam freneticamente seus espaços garantindo um “bom” lugar ao sol.

 

Esta busca incessante traz o conhecimento, mas gera sabedoria? Os semblantes cada vez mais pesados e as rugas nas testas estariam clamando por ajuda?

 

Onde e como queremos chegar? Os utensílios e eletrodomésticos, os carros cada vez mais confortáveis e seguros, os aviões que percorrem espaços em tempos cada vez menores, a informática, o telefone, etc. que estão cada vez mais a nossa disposição, não deveriam facilitar as nossas vidas de forma que tivéssemos mais tempo para dedicar às nossas famílias, aos nossos amigos, a sociedade e principalmente a nós mesmos?

 

Estamos nos tornando escravos das máquinas e objetos que criamos? Quanto mais almejamos a liberdade dos nossos pensamentos mais os estamos limitando à “coisas”?

 

As noites de sono servem para que possamos descansar e repor as energias para o enfrentamento de um novo dia, libertar nossos espíritos dos corpos densos a percorrerem espaços inimagináveis ou para que a reprogramação da ansiedade pelo “ter” possa ser constantemente firmada em nossas mentes? E por quem?

 

É o “ter” e não o “ser” que impulsiona a humanidade? Será justo conosco e com o nosso meio conquistarmos o conforto e não termos tempo para usufrui-lo?

 

Muitas vezes, no meu trabalho, eu paro por um segundo e fico observando os telefones tocando, o barulho dos carros e pessoas transitando pela rua e calçadas, as urgências cada vez mais urgentes das pessoas, a minha própria urgência em resolver assuntos que dependem ou independem de mim e me pergunto, a não ser pela sobrevivência, o que tudo isto me acrescenta?

 

Cada vez aumenta mais a minha insatisfação pessoal com as perguntas sem respostas, pois não consigo simplesmente viver numa compulsão coletiva, caminhando para não sei onde sem saber para que existo.

 

Então eu tento conversar com as pessoas do meu meio na tentativa de compartilhar meus pensamentos, mas na grande maioria das vezes elas me perguntam de onde eu tiro estas coisas, que para elas basta viver cada dia.

 

Aí sou eu quem não entende como as pessoas podem simplesmente viver cada dia sem nem sequer questionarem o porquê de terem sido criadas e não apenas geradas.

 

As pessoas mais simples dizem que somos como grãos de areia na imensa praia da vida. Posso me contentar em ser um grão de areia, mas quero saber qual a minha real importância nesta imensa praia da vida.

 

21/01/06

18:32hs

 
 
 
 
 

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