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O
VÔO INAUGURAL
por Paulo Madjarof Filho
O condor é o maior passaro do
mundo e é conhecido por sua envergadura e por construir seu
ninho em penhascos escarpados com altitude próxima a 2000
metros. A mamãe condor cuida de um único filhote que é
totalmente dependente até completar um ano, quando então, o
"encoraja" ao seu primeiro vôo. O filhote, sem compreender, é
atacado por sua mãe recebendo inúmeras bicadas na cabeça até
que, atônito, na tentativa de esquivar-se, salvar-se, se lança
ao precipício. Sem alternativas – e instintivamente, abre suas
asas e é acompanhado por sua mãe em seu vôo inaugural. É quando
o filhote condor descobre sua autonomia, sua independência.
Compreende o mundo sob uma nova perspectiva tornando-se atuante.
Desenvolve sua nova competência intrínseca – recém descoberta –
de um pássaro extremamente hábil.
Assim como os filhotes de
condores, muitas vezes nos prendemos a segurança de nosso “ninho”
nos impedindo – ou retardando – a experiência de nosso primeiro
vôo. É importante ressaltar que neste caso, o “ninho”
tem uma conotação muito mais ampla por referir as situações de
acomodação de nosso cotidiano, seja pelo trabalho que não mais
gratifica – mas que insistimos em manter, o relacionamento que
se faz por conveniência – que fingimos não incomodar, a
obrigação determinada por aspectos subjetivos – pelo que é
esperado que façamos – e fazemos!
O vôo inaugural nos assusta
porque duvidamos de nossa capacidade de sustentação, de nos
mantermos por nossas asas, de voar mais – e mais alto, com
autonomia. Nos colocamos – e assim permanecemos, numa condição
de absoluta dependência, autômatos, admirando os que já se
lançaram ao vôo da auto-descoberta.
Portanto meu amigo, convido-o
neste instante a uma reflexão; a observar com acuidade a
extensão de suas próprias asas. Veja! Elas cresceram! Que tal
experimentá-las? Que tal, a exemplo do condor, se lançar ao seu
vôo inaugural?
Não entenda o meu convite à
reflexão como uma apologia à inconseqüência, ao descaso, ao
levianismo. Pense apenas sobre aquilo que ainda não sabe por não
se permitir. Exerça a sua crítica pela vivência pessoal e não
por impressões falaciosas e pelos modelos que sequer você optou
– lhe foram impostos!
Acredite em sua capacidade
condor. Liberte-se do medo, voe! |