CHUVA DE VERÃO

por Donna Crystal

 

Da varanda eu vejo a chuva caindo e como é chuva de verão ela vem acompanhada de raios de sol.

 

Irresistivelmente eu saio para o quintal, estendo as mãos e fico tentando conter os pingos que caem.

 

Estou parada e sem nada de importante para pensar, apenas deixo que ela molhe as minhas roupas e escorregue pelo meu corpo, causando uma intensa sensação de prazer.

 

Logo penso que estou sendo irresponsável, que ficarei gripada e já imagino a dor no corpo, na garganta e toda a conseqüência que a gripe traz.

 

Mas imediatamente me conscientizo de que estou vivendo um momento impar, pois estou totalmente integrada com a natureza e sentindo como nunca o efeito dos quatro elementos; terra, água, fogo e ar: Estou pisando na terra, deixando que a água molhe o meu corpo, o ar me cerca por todos os lados e o sol é o fogo a aquecer a minha pele.

 

Então, eu sinto por completo a realidade inquestionável de que eu também sou o resultado destes quatro elementos, pois a minha matéria é terra misturada com água (muita água) e oxigênio, e o fogo é o resultado das minhas emoções.

 

Fecho os meus olhos e fico a recordar em quantas explosões expelindo pequenas ou grandes bolas de fogo eu já tive no percurso dos meus dias e quanto dele eu já me utilizei para aquecer e alimentar as pessoas que já passaram e as que ainda fazem parte da minha vida.

 

Fiquei detida entre algumas perguntas: Já terei queimado alguém irreversivelmente? Terei aquecido e alimentado alguém suficientemente? Estou produzindo e utilizando convenientemente este fogo para melhorar o meu mundo? Tenho me comportado como a natureza, que mesmo após grandes estiagens ou trágicas enchentes se recupera com os raios de sol e faz tudo ficar novo de novo?

 

Preocupo-me com a possibilidade de que esteja preferindo continuar sentindo sede e me queimando como as árvores no deserto ou de permanecer envolvida na lama que se formou após a chuva que desabou.

 

Meus pensamentos viajam com tanta rapidez que por alguns momentos eu deixo de sentir o frio provocado pelo vento secando a água que molhou o meu corpo, esqueço que tenho os meus pés fincados no chão e que apenas uma pequena nuvem ainda encobre o sol.

 

Mas voltando à minha realidade eu entendo que toda hora é hora de mudar e que toda e qualquer mudança depende apenas de mim ao compreender que ao fazer pequenos arranjos no meu “hoje”, pode significar grandes e significativas conquistas para o brilho esplendoroso do meu amanhã.

 

Viver cada momento em sua intensidade e soltar as amarras que seguram a minha capacidade de sonhar é que me permitirá realizar.

 
 
 
 

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