CHUPA ESSA MANGA!

Por Paulo Madjarof Filho

 

O bordão “chupa essa manga” repetido pela personagem Márcia do quadro de humor do programa de TV Zorra Total da Rede Globo, caiu na graça do povo e tornou-se motivo de brincadeiras, especialmente quando o assunto é traição. As explicações da personagem adúltera são tão absurdas e improváveis que reside justamente ai o ponto alto do quadro de humor. Chupa essa manga!

 

Como tantas outras situações de nosso cotidiano, a infidelidade tem sido razão de exploração de humoristas e vem sendo debatida por comportamentalistas e cientistas sociais, não por se caracterizar como um fato novo mas pela proporção assumida nas últimas décadas, especialmente pelo advento tecnológico e as relações on-line, colocando as  pessoas sempre conectadas.

 

Constante nas leis dos homens e de Deus, o adultério ganha status de “caso” para atenuar a culpa outrora martirizante. A fragilidade da instituição família transformou as prioridades dos relacionamentos e supervalorizou os prazeres instantâneos em detrimento da cumplicidade e do companheirismo.

 

Uma pesquisa realizada pela Revista Veja apurou que 60% dos homens e 47% das mulheres já foram infiéis. A mesma pesquisa afirma que 60% dos homens e 55% das mulheres que não fazem parte dos números anterior, admitem que acalentam o desejo de viver uma relação extraconjugal. Chupa essa manga!

 

Iguais no que refere ao ato e diferentes nas justificativas e na intensidade de suas experiência, homens e mulheres, do ponto de vista social, encaram o ato da traição de maneira bastante particular. Por necessidades insatisfeitas, por pura fantasia ou mesmo perversões e descontrole de seus impulsos, a justificativa para a traição expõe o conflito entre desejo e a necessidade, o egoísmo e a dedicação, o fisiológico e o racional.

 

Quando me refiro à questão fisiológica penso no homem instintivo, ou seja, a ação deste pelos impulsos básicos, onde o macho da espécie Homem busca disseminar o seu sêmen para garantir a continuidade de sua linhagem. Investirá em quantas fêmeas puder para atingir este objetivo, já que é fértil todo tempo, independente de um período especifico. A fêmea por sua vez, escolhe o macho pela garantia da boa linhagem, do bom produto. Ao contrário do macho, a fertilidade da fêmea tem um período estrito que a predispõe ao acasalamento.

 

Só que esse Homem é racional e socializado (ou seria domesticado? – chupa essa manga!), criou leis e determinou padrões para comportamentos aceitáveis. Inventou a relação estável e modelos de conduta – que ele próprio não consegue cumprir. Os eunucos ou mesmo os celibatos de outrora nos dão a dimensão da dificuldade e do sacrifício de confiar ou manter-se fiel. Os homens incumbidos de cuidar das esposas dos sultões eram antes castrados de modo que não pudessem tentar o pecado. O termo pecado que está muito mais associado ao voto de castidade pela profissão de fé, representa a renúncia ao instinto e a tentação, como a representação viva da provocação do mal.

 

Mas no que refere propriamente ao relacionamento, a razão que leva duas pessoas ao desejo de compartilhar uma vida comum é sempre o oposto da razão que leva ao rompimento, a separação. Sabe-se que a infidelidade é um dos motivos mais fortes que conduzem os casais à separação judicial. A atenção, aceitação, afetividade, admiração, tolerância e o compartilhamento de experiências, são ingredientes essenciais para a manutenção, interesse e a longevidade de um casamento. Como diz uma famosa  canção da MPB: “sim, é como a flor; de água e ar, luz e calor; o amor precisa para viver; de emoção, de alegria; e tem que regar todo dia”.

 
 
 
 
 

Fale Conosco  -  Página Principal