Carta a um amigo gentista

Paulo Madjarof Filho

Amigo,

Boa tarde!

De fato tenho me surpreendido com você, mesmo não o conhecendo tão proximamente. Confesso que minha intenção de conversar pessoalmente sobre o caso do paciente citado (R.M.), acalentava o anseio de ouvir o professor de fisiologia, o médico, o cientista e, somente depois, o psicanalista, receando que a descrição escrita pudesse excluir dados significativos para suas observações/análise - o que não aconteceu. Não se trata evidentemente por predileção entre uma ou outra área de abordagem/leitura - até porque sou psicólogo, mas apenas um olhar de outra(s) competência(s). Acrescento que minha surpresa é de ordem positiva por saber sobre o seu largo conhecimento sobre outras estradas e expressar o parecer de um gentista. Uma autoprofecia efetivamente realizada quando da sua viagem ao Nordeste do Brasil e a manifestação de atuar em novas frentes de realização - como me confidenciou. As últimas linhas de seu e-mail definem bem isso. Sentimo-nos mais seguros quando trafegamos por estradas cuja sinalização seja compreendida por nós.

Em relação a R.M., o paciente em questão, considerando o meu parco conhecimento sobre a teoria kleiniana e o seu modelo de abordagem, gostaria de "ouvi-lo"  sobre as profecias que não se realizam e sobre o seu conhecimento de reversão das patologias ditas crônicas e de prognóstico ruim. Como abordei anteriormente, a crença do paciente (que difere da negação em alguns aspectos) transcende a interpretação e o enquadramento para um nível diferenciado de atuação. Exemplifico nos ensinamentos da filosofia Cristã, que comumente mobiliza o indivíduo para a cura:

Você crê?

Sim.

Então levanta e anda.

A força do psiquismo, que como você bem colocou, reprime e patologiza sem o entendimento lógico e plausível - senão pela interpretação competente de gentistas como você, também reverte e anima, resgata e eleva, valoriza e constroi. Os cuidados que devo tomar e tomo, como me referi anteriormente, é o de não banalizar a crença sobre um pretenso conhecimento científico e uma explicação apenas tecnicista. Você sabe sobre o poder da palavra - matéria essencial de nossas intervenções.

Então lhe pergunto, na sua experiência/crença, é ou não reversível o quadro apresentado por R.M.? Tecnicamente, qual a possibilidade de equívoco no diagnóstico? Assim sendo, como orientar?.

Agradeço a atenção e a prontidão em resposta ao e-mail enviado, e a compreensão à minha inquietação.

Um abraço,

Paulo

 
 
 
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