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TERAPIA BIDIMENSIONAL DE KRETSCHMER
O método
do professor Kretschmer, que ele mesmo denominou de "Zweigleisige
Standard Methode" em 1949, assim como o método de Dollard e
Miller, ambos da mesma época, tentavam conciliar duas tendências
da psicoterapia que se cindiram depois da aparição da
psicanálise.
A primeira
destas tendências em psicoterapia estava centrada sobre a
"psicologia profunda" do indivíduo, na qual a causa do sintoma
era privilegiada como meio de suprimir, a médio e a longo prazo,
definitivamente o sintoma em si.
Nesta
tendência encontram-se todas as formas de "psico" análise e de
psicologia conhecida na época como "profunda".
Na época,
a tendência "rival" aos métodos analíticos eram todas herdeiras
da sugestão, seja sob forma de hipnose, técnica bem anterior à
psicanálise, herdeira do "magnetismo" de Mesmer, seja através de
condicionamentos praticados segundo a psicologia comportamental,
que traduziria, de certa forma, a sugestão hipnótica na
linguagem do condicionamento, trabalhando sob o mesmo princípio
de "contra-ordens" enviadas ao sintoma.
Essa
segunda tendência não levava em conta as causas do sintoma,
partindo da hipótese que a resolução consciente deste levaria o
indivíduo a uma reformulação global na sua maneira de viver e de
atuar.
Como o
"caminho do meio” , como diria Buda, sempre é mais equilibrado
que os extremos, este "caminho do meio" em psicoterapia parecia,
em 1975, corresponder aos esforços do Dr. Kretschmer, assim como
os de Dollar e Miller, no sentido de obter um método terapêutico
capaz de beneficiar-se tanto das vantagens da psicologia
profunda quanto da velocidade terapêutica das técnicas baseadas
na sugestão e seus derivados diretos ou indiretos, como o
comportamentalismo, a bioenergética e a catarse afetiva no
renascimento ou no grito primal.
E o futuro
deu razão a estes visionários, já que todo método de cura atual,
e não somente em psicoterapia, além de buscar o trabalho
interdisciplinar, num esforço de inteligência coletiva, como
veremos no "adendo", orienta-se em direção à terapia
integrativa, global.
Se bem que
a técnica do Dr. Kretschmer não represente hoje, sob a forma,
nada mais do que um interesse, sobretudo histórico, no fundo ela
já preconizava uma teoria "holística" da psicoterapia, dezenas
de anos antes que este conceito fosse criado.
Uma longa
exposição sobre os princípios da cibernética nos afastaria
demasiadamente do tema do relaxamento cinético. Mas, podemos
dizer, em linhas gerais, que todo sistema auto-regulado, do qual
fazemos parte, possui um nível no qual as decisões são tomadas
em função dos dados analisados de um contexto. Este nível é
representado no homem pela reflexão e no animal pelo "instinto",
já que é assim que designamos a inteligência animal.
Subordinado a este nível, existe o nível de execução,
encarregado dos automatismos, dos "hábitos" e dos
comportamentos, automáticos, "reflexos", em função das decisões
do sistema analítico "superior".
Este nível
poderia situar-se em nosso inconsciente individual, como
"programa" ou "software", e em nosso sistema nervoso, que seria
a matéria, ou o "hardware" do programa.
Mas, esta
visão global que prevê a ação conjugada entre um nível de
"análise de contexto dado e de decisão" e um nível de
"automatismo e de execução", não concerne unicamente às
psicoterapias, com sua tendência analítica, ou "profunda", e sua
tendência sugestivo-cartático-comportamental.
Ela
concerne cada ato de um sistema auto-regulado!
fonte:
http://www.austro.com |