ALMA/AMOR

Cida Borges

 

Existe uma força dentro de mim, que se transforma em luz, brilho, esplendor e beleza!

 

É algo nobre, poderoso e indestrutível. Por mais que eu me negue em acreditar nas crenças religiosas que propagam a existência de um espírito ou alma, tenho que  concluir que não importa o nome que se dá. O que de fato importa, é a imortalidade desta força.

 

Ela me leva pra frente mesmo quando eu quero parar e me chacoalha mostrando tudo com clareza, mesmo quando insisto em não querer enxergar.

 

Esta força que acredito ser a minha centelha Divina, me faz amar, sofrer, chorar, sorrir, acreditar, sonhar, aprender, crescer e compartilhar.

 

Só pelo seu poder é que consigo transformar meus pensamentos, sentimentos e ideais, fazendo com que cada dia que amanhece ganhe novo significado e crio novas e positivas expectativas, pois a vida sem expectativas é fria, escura ou decididamente morta.

 

Ganho em experiência o passar dos meus dias, não importa que o corpo envelhece e perece. O que considero extremamente importante é o fato de que meus desejos e ansiedades continuam renovados a cada amanhecer.

 

Houve um tempo em que eu acreditava verdadeiramente que uma pessoa ao atingir seus quarenta anos de idade, não poderia mais esperar nada da vida e que tudo seria sem graça e sem brilho. Sendo velho não vislumbraria mais novos e brilhantes horizontes e acreditava que tudo seria cansaço e desencanto

 

Quanta tolice.  Hoje estou praticamente com os meus cinqüenta anos de idade e não me recordo a quanto tempo não me sentia tão jovem, bonita e brilhante. Tenho, com a mais absoluta certeza muito mais juventude hoje, do que tinha nos meus trinta anos.

 

Minhas necessidades são muito mais perceptíveis e meus ideais muito mais amplos e realizáveis, devendo considerar que diminuindo a ansiedade que é uma das grandes características da juventude, sobra mais energia a ser dirigida na concretização dos mesmos.

 

Os “nãos” ficam muito mais suportáveis, a vida mais leve e tenho controle sobre as minhas emoções. As surpresas e decepções não ganham tanto peso e a facilidade da transformação é algo abençoado.

 

Aprendi a não remoer derrotas e principalmente, aprendi a vibrar com as minhas conquistas que no final da soma, acredito serem muitas. Daqui pra frente, não importa se os meus dias a serem vividos serão muitos ou não, tenho certeza que o resultado da minha contabilidade será cada vez mais positivo.

 

Mas o principal dos principais: aprendi que nada ou ninguém externamente poderá me fazer feliz ou infeliz, a minha felicidade ou infelicidade nasce, cresce e desabrocha de dentro para fora do meu “eu”.

 

Portanto, só eu posso me fazer feliz ou infeliz. Conscientemente e felizmente optei pela minha felicidade interior e no máximo poderei estar compartilhando com as pessoas o resultado desta conquista.

 

Não me sinto mais sozinha, gosto imensamente da minha companhia. Adoro acender os meus incensos e sentir seu cheiro pelo ambiente da minha casa. Adoro ouvir os meus CD`S, música é algo que não toca o meu corpo, ela simplesmente lava, completa e perfuma minha alma.

 

Gosto, ainda, muito e muito de ler e escrever. Ler me transporta para ambientes mágicos, sutis e maravilhosos. Escrever me transporta para dentro de mim mesma, fazendo com que me conheça cada vez mais. E, devo admitir que, quanto mais eu me conheço mais aprendo a delinear o ilimitado poder do meu potencial interno.

 

Amo as pessoas do jeito como elas são e todos os dias, renovo o meu propósito de ampliar este amor até que alcance a sabedoria do amor universal absoluto. Não pretendo limitar em hipótese alguma este sentimento,  ao contrário,  quanto mais o tempo passa, melhor eu constato o quanto podemos distribuir o amor em grandes doses alopáticas, e que, quanto mais doamos  melhor a qualidade do “amar”.

 

Aprendi, também, o quanto é maravilhoso amar e ser amada pelos animais. E como é interessante a percepção deles em relação aos nossos sentimentos. Devo admitir que por não terem reservas, ou grandes preocupações, não perderam a sensibilidade e sentem de longe o “cheiro” das pessoas que os amam. Esta foi talvez, uma das mais gratificantes das minhas descobertas e é com certeza a maneira mais gostosa de ser amada, pois eles amam sem impor nenhuma condição. Principalmente, não negam que amam e não fingem um sentimento que não existe. Eles são verdadeiros e adoráveis.

 

Sei, ainda, que posso ter tudo o que quero, desde que, o que quero seja justo. Talvez por desconhecer a justeza das situações eu até possa me perder por algum tempo, mais detectado o seu real valor é a hora que soma a leveza da maturidade para entender e transformar, ou simplesmente curtir sozinha o prazer do estar “sentindo”.

 

Enfim, aprendi que só posso chorar com alguém, quando este chora de felicidade. Quando o choro é por tristeza, minha conduta deve ser de respeito com o sentimento alheio, mas devo pronunciar somente palavras confortantes e especialmente não devo jamais economizar o meu abraço. Em qualquer situação que uma criatura se encontre, ser abraçado revigora as energias e conseqüentemente possibilita vislumbrar novas soluções ou enxergarmos luzes onde só havia a escuridão.

 

Daí a importância de vivermos em sociedade. Sozinhos, jamais teríamos o abraço carinhoso de um irmão ou de um amigo e visualizar novos horizontes seriam possibilidades inimagináveis.

 

Então, devo admitir que no crepúsculo do meu corpo despertei para a juventude da minha essência  ou da claridade da minha alma. Sou livre e sou feliz e cada vez mais entendo a presença de DEUS puro e verdadeiro na minha vida. Sinto-me de fato abençoada.

 
 
 
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