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A
ESCOLHA É SUA! SERÁ?
Por Paulo
Madjarof Filho
Certa
vez perguntei a uma adolescente sobre sua razão motivadora para
a colocar um piercing tipo argola no septo nasal e a
resposta foi enfática: “Fiz porque eu gosto, acho legal!”.
Pedi a
adolescente que fechasse os olhos e se imaginasse sozinha no
mundo, sem familiares, sem amigos, sem ninguém. Tratei de
conduzi-la brevemente pelo “livre mundo da imaginação”
assegurando-lhe que sob esta perspectiva poderia fazer tudo que
gostasse e fosse de seu desejo, inclusive a colocação de quantos
piercings quisesse, por um método de auto-aplicação e sem
sentir qualquer dor.
Após
alguns instantes, envolvida pelos pensamentos sugeridos, ela
balançou a cabeça de um lado para o outro, sorriu e disse que
desse modo não via nenhuma graça para colocar qualquer tipo de
piercing e que tudo agora lhe parecia absolutamente sem
sentido.
Pela
influência da cultura e induzidos pela mídia que massifica e
impõe valores e bens de consumo, enfatizamos a personalidade
social ao mesmo tempo em que nos distanciamos da essência
natural individual. Estamos tão imersos neste contexto que
sequer nos damos conta, tornando-nos reféns inconscientes deste
processo.
A
avaliação do individuo se torna constante e automática em função
de seu papel social e dos valores a ele agregado. Onde ele
trabalha, o seu grau acadêmico, o seu grupo de influência, suas
roupas, o que possui, etc. Julga e avalia. É avaliado e julgado.
Toda hora, todo tempo!
O homem
faz suas escolhas de acordo com o que lhe é dado para escolher e
estas escolhas são baseadas e norteadas por uma escala a qual
ele está submetido – e subjugado. Acredita na exclusividade de
sua posição e defende o modelo que o orienta como se fosse a
mãe que briga por sua cria.
Muitas
vezes, com o pretenso desejo de ser diferente, o homem apenas
recria e reproduz os modelos de sua referência. Como cantava
Elis Regina: “...minha dor é perceber que apesar de termos
feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos como os nossos
pais...”
E
acreditamos que de fato as nossas escolhas são motivadas
exclusivamente pelos nossos desejos e vontades!
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