ADEUS FINAL
por
Cida Boges
Uma estrela no céu, um buraco
no chão, uma folha, um fruto, uma semente latente e uma gota de
orvalho.
Uma dor, um grito e um imenso
silêncio. Horas intermináveis de um dia sem fim.
Olho pra tudo e para todos e
nada entendo, pois nada tem que possa ser entendido neste
momento eterno de um adeus definitivo.
Tudo é tão confuso e
abstrato, não sei se a dor é minha ou se a peguei por engano e
não sei pra quem devo devolver.
É uma dor alucinante no
coração de uma mulher sem corpo, pois que não o sinto, e que
insiste em acreditar na alma como um socorro bem vindo.
Busco Deus, acredito em Deus,
questiono este Deus, preciso de respostas para todos os
“porquês” que habitam a minha mente e que calam a minha voz, mas
elas não vêm.
Lágrimas derramadas, lágrimas
contidas e o imenso buraco continua vazio. Ao mesmo tempo as
lembranças se multiplicam, tomam conta de tudo e não sei mais o
que fazer com elas.
São doces, alegres, amorosas
e felizes com gosto de fel. Quero que elas tenham continuidade,
limitá-las me assusta, quero dar vida a elas.
Quero soltar um grito que
encontre o infinito, mas quero que tenha eco. Quero me livrar
desta dor, que é só minha, mas não sei o que fazer sem ela.
Quero mudar o relógio, voltar
no tempo e redirecionar o destino. Quero filmar seu sorriso na
face do tempo e gravar a sua voz na mensagem do vento, pra
jamais te perder.
Mais por mais que eu me
arrebente, me estraçalhe e me sufoque, quero que você saiba que
eu agüento desde que te sintas em harmonia nesta nova dimensão
em que hoje habitas.
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